8.7.11

uma experiência de pensamento para o fim de semana


Se a Moody's tivesse baixado a notação da república para "lixo" durante o governo Sócrates, imaginem o que diriam muitos dos comentadores que andam por aí indignados. Quer dizer: a quem apontariam o dedo.

(Um consequência positiva das eleições de 5 de Junho passado é que aumentou muito o grau de patriotismo da oposição de turno.)

«Acordai!» | PR ouviu Fernando Lopes Graça

gente que não aprende


Fernando Nobre: “Os que pensavam que estava à procura de um tacho enganaram-se”.

O homem ainda não entendeu que já vimos e ouvimos dele o suficiente para perceber o que vale.
Pena é que lhe tenham dado guita.


Questionado sobre o seu futuro político, o médico confessa que jamais dirá “jamais”
. Sim, já percebemos que tudo o que afirma pode mudar enquanto o diabo esfrega um olho.

São estes os "regeneradores" que temos? "Chiça", como dizia "o outro".

o tipo de "liberdade" que nos trouxe até aqui

11:34

Milton Friedman sobre a aplicação das suas ideias "económicas" pela ditadura sangrenta de Pinochet no Chile, depois do derrube violento do governo legítimo de Salvador Allende: «Foi o primeiro caso em que um movimento em direcção ao comunismo foi substituído por um movimento na direcção do mercado livre.»





(Encontrado no branco no branco. Obrigado, mdsol.)

7.7.11

liberdade de imprensa e outras liberdades


News of The World fecha depois do escândalo das escutas.
Continua o Público:«O grupo que detém o tablóide britânico News of The World anunciou esta tarde que o jornal vai acabar depois do escândalo das escutas abusivas. James Murdoch, filho do magnata Rupert Murdoch, revelou que a edição do próximo domingo será a última deste jornal, justificando que o escândalo não só tirou prestígio ao jornal como a publicidade caiu.»

Pois, o aborrecimento foi ter caído a publicidade. Caso contrário, continuava tudo na mesma marmelada, é isso?

(Ai, se por cá calha haver investigação de certas coisas, com sorte também escassearia a publicidade para certos meios. Mas isto sou eu a deambular.)

pois, ainda não chegaram as mordaças que foram encomendadas



Um blogue intitulado "O desporto e a sua economia" publica este post que acima se ilustra. O primeiro "aqui" é, pois, o Machina Speculatrix.

Um esclarecimento ao autor da pérola acima: pela parte que me toca, não estou de volta, já que nunca me fui embora.

E uma pergunta ao mesmo autor: pensava que tínhamos sido enviados para o Tarrafal, era?

Note-se, na imagem, que se trata de uma publicação em data recente. Não, não é um post da década de 1930.

(O sr. Fernando Tenreiro que me desculpe, mas falta-me a paciência para certas... enfim, coisas.)

TGV defenestrado

10:00



Passos mantém TGV mas reformula o projecto. O presidente da Confederación Española de Organizaciones Empresariales (CEOE) afirmou hoje que o Governo português está a planear avançar com o TGV de forma mais lenta do que o esperado e "provavelmente com um novo plano com diferenças técnicas". Juan Rosell falava à saída da reunião com o primeiro-ministro português, que também contou com a presença da CIP - Confederação Empresarial de Portugal.

Afinal, parece que o governo de Portugal não suspendeu o TGV. Parece que apenas vai repensar o projecto. E foi preciso vir a Portugal um dirigente dos empresários espanhóis para que a suspensão da suspensão fosse anunciada aos portugueses. Já tivemos um presidente da república que era conhecido por se explicar melhor em inglês do que em português. Agora temos um primeiro-ministro que se explica melhor aos espanhóis do que aos portugueses. E ainda diziam que Sócrates falava mal espanhol...

6.7.11

o projecto "retrovisor" da Moody's

fotografias de gente a fazer o pino

há-de haver uma alternativa a isto



convinha saber



sem sombra de dúvida



De aflitos.

haja esperança



frases que ficam a boiar





entre sócrates e platão

17:19

Cavaco Silva diz "não haver mínima justificação" para corte de rating feito a Portugal.

Claro que não. Esse é precisamente o problema: como é que, na fábrica das notações, entram porcos inteiros por um lado e saem chouriços embalados do outro. Mas esse problema não é novo. Novo, para certos agentes políticos, é que já não apareça na TV alguém que pudesse ser culpado de todos os males, que tenha desaparecido de cena o bode expiatório (sim, já sabem, o tipo que ia para Paris estudar filosofia, mas que desistiu quando o informaram que Platão já tinha morrido e nunca ensinara na Sorbona).

Entretanto, há por aí quem continue a fazer de conta que isto se resolve com mais conversa da treta. Gente que esteve tempo de mais acomodada às mordomias de só ter o trabalho de dizer mal. Acho que ainda não perceberam qualquer coisa.

Europa, senhores, como se faz política na Europa? Estão à espera de Aljubarrota para deixar de pensar doméstico e pensar ao nível a que as coisas se podem resolver, hoje em dia?! Espanto-me. Sócrates praticamente não tinha "amigos socialistas" nos outros governos da UE, mas Passos está rodeado de "governos amigos" por todos os lados. Quando começa a usar isso para algum préstimo que ao País interesse?

a crise não caiu do céu, pois não?

12:54

Pedro Santos Guerreiro, no Negócios online:
As causas da descida do "rating" de Portugal não fazem sentido. Factualmente. Houve um erro de cálculo gigantesco de Sócrates e Passos Coelho quando atiraram o Governo ao chão sem cuidar de uma solução à irlandesa. Aqui escrevi nesse dia que esta era "a crise política mais estúpida de sempre". Foi. Levámos uma caterva de cortes de "rating" que nos puseram à beira do lixo. Mas depois tudo mudou. Mudou o Governo, veio uma maioria estável, um empréstimo de 78 mil milhões, um plano da troika, um Governo comprometido, um primeiro-ministro obcecado em cumprir. Custe o que custar. Doa o que doer. Nem uma semana nos deram: somos lixo.
You bastards, diz ele. Mas vale a pena perguntar quem merece a interjeição. Pedro Santos Guerreiro atribui a crise a Sócrates e a Passos Coelho, porque não consegue ser suficientemente trampolineiro para negar que a crise política é que precipitou tudo isto. Mas, bem entendido, é gato escondido com rabo de fora: apesar de Passos ter mentido inicialmente sobre o caso (escondendo um longo encontro pessoal com Sócrates), Passos boicotou a estratégia de Sócrates para termos o apoio da Europa, e votou contra o PEC IV, por ser essa a sua conveniência político-pessoal. E isso trouxe um extraordinário agravamento da nossa exposição aos "mercados". E os mercados não engolem as patranhas que os comentadores-e-jornalistas-que-passam-para-o-lado-de-lá-com-extrema-facilidade caseiramente fazem de conta que valem alguma coisa.
Está na hora de a coligação negativa assumir o poder: o PSD e o CDS devem chamar os seus antigos aliados do PCP e do BE para o governo. Afinal, se montaram juntos este circo, é natural que assumam juntos o espectáculo. Os "mercados" apreciarão, certamente.

guerra civil


Ontem à noite, Cinemateca. Ver "Guerra Civil", de Pedro Caldas. Prémio Tobis de Melhor Longa-metragem Portuguesa no Indie Lisboa 2010. Alertados pela imprensa de que não iria, pelo menos para já, passar ao circuito comercial.
O filme tem um tema corriqueiro, para pessoas que ainda se lembram da sua adolescência, assim se revendo num espelho; para pessoas que já não se lembram da sua adolescência, para que tentem lembrar-se; para pais traumatizados por não terem percebido nada da adolescência dos seus filhos; para pais que fizeram o que se pode fazer para que a adolescência dos filhos não seja nem melhor nem pior do que tem de ser; para filhos e para pais que saltaram a adolescência e caíram directamente no purgatório, sem passar entretanto pelo céu nem pelo inferno. Um filme que trata um tema corriqueiro com uma melancolia certa e um pouco reflexiva. Com uma história que acaba como acabam todas as histórias quando o argumentista não sabe o que fazer à história: como quem nunca chegou a compreender como saiu da adolescência. Um filme com momentos belos, que promete bastante durante bastante tempo para não nos deixar arrependidos de ter ido.
A estratégia formal do filme, em círculos e em eternos retornos, mostrando que a vida não é só o nosso lado da vida, é uma estratégia formal interessante - mas que pode fracassar. Tivemos, ali, a prova de que pode fracassar. A pessoa da Cinemateca que preparou o visionamento trocou a ordem das bobines e, como confessou em público, achou que fazia sentido assim. O realizador teve de interromper a projecção para dar a sua própria ideia do filme, repondo a ordem das partes tal como ele a tinha pensado, embora admitindo que aquela outra "ordem das bobinas" também podia ser, excepto porque cortava uma cena central, estruturadora daqueles universos pessoais ali a rodar.
Enfim, uma obra que vale a pena ver, se chegar às salas.
Se chegar, porque há "um problema de direitos" que tem impedido a comercialização. Perguntado sobre qual era esse problema, o realizador mandou perguntar ao produtor. E acrescentou que o produtor não estava presente, embora estivesse na sala o advogado do produtor. Claro, como somos um país grande grande grande, fechamos um interessante filme português fora do circuito comercial por causa de uns "direitos", que não são de certeza os nossos direitos. Mas, claro, todos os direitos devem ser protegidos.



5.7.11

e pur si muove

19:56

Moody’s corta rating de Portugal para lixo.

A esta hora os partidos da direita portuguesa que costumavam estar na oposição já devem ter percebido que se passa qualquer coisa no mundo que não é um mero efeito dos pecados dos portugueses.

da alegria na governação

16:55

Governo aprova fim das golden share da PT, EDP e Galp Energia.

Decisões deste tipo acabariam por ter de ser tomadas mais tarde ou mais cedo, dado o enquadramento europeu (dominado pelo "pensamento único" segundo o qual o Estado só atrapalha, excepto quando está a defender os grandes negócios) e o caderno de encargos específico que foi assinado em troca de uns dinheiros que vamos pagar caro. Tais decisões não deixam, contudo, de diminuir a margem de manobra de quem deve defender o interesse de todos, quando confrontado com fortes interesses privados mais virados para o curto prazo do lucro. Por isso, por essa Europa fora, os governos nacionais mais diligentes fazem de conta que sim, claro, evidentemente concordam com esses princípios liberalizadores todos - mas, pela calada, mantêm ligados todos os cordões que podem à decisão política. A diferença está na alegria com que este novo governo de Portugal cumpre o que se lhe pede, certamente convencido que essa história de direitos especiais do Estado é uma herança dos sovietes (ou dos anteriores governos, o que, para os novíssimos salvadores da Pátria, vem a dar no mesmo).
O ponto é que a alegria ideológica com que se tomam as medidas não poupará nada nas consequências.

4.7.11

não batam mais no Nobre

17:35

Fernando Nobre renuncia a mandato de deputado. Cabeça de lista do PSD não informou formalmente a bancada do PSD.

Nobre não é pior do que os muitos populistas que por aí andam. A única diferença é que, regra geral, os que dizem cobras e lagartos dos "políticos" não chegam a ter oportunidade de mostrar o que verdadeiramente valem. Nobre teve várias oportunidades de mostram o que era - e aproveitou bem, mostrando-se à transparência horrenda da vacuidade cheia de si e de arrogância perante os demais. Nobre serve à causa pública de mostruário dos túmulos caiados de branco que andam por aí disfarçados de moralistas.
Entretanto, convém lembrar que o disparate de Passos Coelho com Fernando Nobre não foi original, vinha de antes. Quem teve a brilhante ideia de ir buscar Nobre a casa, para se candidatar a presidente da república, bem pode limpar as mãos à parede.
Oxalá a lição aproveite a alguém.