25.9.09

então, até segunda-feira num país perto de si

10:55

Salvador Dalí, Rosa Meditativa


Pela primeira vez empenhei-me numa campanha política na blogosfera. Mais exactamente, numa campanha eleitoral. Agora, essa fase está de partida. Segunda-feira, dependendo do resultado das eleições, Portugal estará em melhores ou em piores condições para enfrentar os nossos desafios colectivos. Segunda-feira, seja qual for o resultado das eleições, a minha vida pessoal vai continuar aquilo que era antes. Não vou mudar de trabalho, não vou ser promovido nem despromovido, não vou ganhar um gabinete com melhor vista para o Tejo. E tenho orgulho em que assim seja. Honra-me ter estado ao lado de gente que faz o que a sua consciência lhe dita (refiro-me aqui especialmente à co-autoria do blogue SIMplex), sem que isso envolva qualquer tipo de retribuição pessoal. Nesta campanha isso fez cócegas a muita gente: àquela gente que, vivendo avençada, só compreende quem vive avençado. Que não é o nosso caso.
Campanhas eleitorais nem são propriamente o meu prato preferido. Então, por que me meti nesta? Por achar que tinha a responsabilidade de dar o meu pequeno contributo. Contributo para quê? Para contrariar a tentativa mais sistemática que alguma vez vimos desde o 25 de Abril para destruir um líder político por meios desleais e desonestos. Que teve como alvo José Sócrates. Para denunciar a coligação negativa, entre a “direita” e a “esquerda”, que se montou neste país contra o PS. Com MFL a falar como o Major Tomé e com Louçã a falar como o pároco de Arronches, parecendo sempre à beira de dar a Sócrates uma penitência de três padre-nossos e cinco ave-marias por pecados que só o pregador conhecia. Para tentar ajudar à compreensão do que se fez nesta legislatura e do que é necessário fazer na próxima, já que acho simplesmente triste que um programa de governo tão vazio de ideias como o do PSD possa ter a oportunidade de se esconder atrás do biombo de campanhas ridículas como a da asfixia democrática. Acho que dei esse contributo: foi pequeno, mas foi o que estava ao meu alcance. A isso chamo cidadania.
Só falta mais uma coisa. Mas isso será no Domingo, no segredo da urna. Porque todos os votos são necessários.



trabalhos de sísifo



Não sou suficientemente masoquista... para querer desperdiçar todo o esforço que o país fez nestes últimos quatro anos e meio.
Quero "a outra metade do caminho" para consolidar o que foi feito.
Por não me apetecer estar sempre a começar de novo.
E nenhuma das oposições mostrou ser capaz de compreender como pegar no legado e fazer melhor.
O PS e Sócrates foram, ao fim e ao cabo, os únicos que aprenderam alguma coisa com os seus próprios erros. Que são erros de quem faz. Erros que não pode cometer quem não sabe fazer.




notícias do mundo do trabalho

09:29


Ouvi há pouco António Peres Metello, no programa Economia dia-a-dia, na TSF, a dar uma notícia que não vi ainda em mais nenhum meio. Certas notícias, apesar de verdadeiramente significativas, passam ao lado do ruído.


É que parece que foi finalmente concluída a revisão do contrato colectivo de trabalho para a indústria gráfica. Estava num impasse há anos. O impasse resultava de duas forças de travão. Por um lado, os sindicatos queriam preservar alguns direitos (nomeadamente salariais) sem dar a devida atenção às necessidades da indústria para se adaptar a condições que mudaram muito nos últimos anos – cedendo assim, os sindicatos, e por reflexo defensivo, à tentação de pura eternização de instrumentos reguladores desactualizados. Por outro lado, o patronato preferiria deixar caducar as convenções existentes e criar um vazio que lhe deixasse as mãos livres para fazer o que bem entendesse com os direitos dos trabalhadores – e era essa possibilidade com que sonhavam, muitos no patronato, desde que um recente governo de direita lhes abriu essa perspectiva de criar vazios na contratação colectiva.

Ora, com recurso a um mecanismo do novo Código do Trabalho, aprovado na legislatura que finda – a arbitragem obrigatória – é possível impedir que as partes bloqueiem as negociações, ao mesmo tempo que não se deixam os trabalhadores desprotegidos de qualquer contrato colectivo. Foi esse mecanismo novo que deu agora resultados novos. Há um novo contrato colectivo de trabalho para a indústria gráfica. O patronato conseguiu algo essencial à capacidade das empresas se adaptarem: as carreiras e categorias profissionais na indústria foram reduzidas de cerca de 400 para cerca de 100, factor importante para a adaptabilidade interna das empresas. Os trabalhadores conseguiram aumentos salariais obviamente acima daquilo que o patronato queria acordar. É uma indústria que ganha novas condições para avançar, a benefício comum das empresas e dos trabalhadores.

É este o sentido da evolução de que necessitamos. E pouco a pouco se vai vendo como julgam mal aqueles que falam do governo do PS como se não tivesse cuidado dos interesses dos trabalhadores. Cuidou – mas não numa perspectiva de mera resistência à mudança. Cuidou – na perspectiva do avanço por mútuo acordo e para mútua vantagem de empresas e trabalhadores. Não será disso que precisamos?


[Produto SIMplex]



24.9.09

o susto



Houve uma tentativa de convencer os portugues que este governo, José Sócrates, o PS, os socialistas em geral, pertenciam a uma espécie bizarra de raça monstruosa. Algo que, entretanto, muita gente percebeu que não passava de uma história da carochinha. Mas mal desenhada.



Maurice Sendak, Where the Wild Things Are



[Esta semana vou assumir todos os dias: no dia 27/9 votarei no Partido Socialista.]

cópias

campanha inexcedível

até ao lavar dos cestos...

como a vida pode dar juízo...

às vezes mais vale o original...



... do que figuras tutelares com a cauda de fora.

(Digo cauda, não digo rabo, para não desconsiderar as mais altas figuras. Parece que elas próprias tratam disso.)






parabéns, sr. Fernandes

23.9.09

a história dos vícios do laissez faire existe



E a história dos vícios do Estado-pau-para-toda-a-colher, não existe?

Aprendemos com os erros da mercantilização da sociedade. Devemos aprender também com os erros da estatização da economia. Para não pugnarmos por soluções simplistas... que depois se revelam complicadas. E de elevado preço.

A história não é fantasia, não.

Ai a memória, ai a memória...



Eduardo Recife, ilustração para Assume the Position, 2006



[Esta semana vou assumir todos os dias: no dia 27/9 votarei no Partido Socialista.]

dedicatória aos pregadores do descalabro

Desiree Dolron, Cerca Crespo


Dedico esta citação a quantos não têm melhor desporto do que dizer mal: de Portugal, do que temos feito, do que temos avançado.

Em vez de dizer simplesmente “já não valho nada”, a mentira moral na boca do decadente diz: “Não vale nada – a vida não vale de nada".

Nietzsche, in O Crepúsculo dos Ídolos


Que lhes faça bom proveito.

afinal o Magalhães é bom?



As oposições, tanta à "direita" como à "esquerda", fartaram-se de dizer mal do computador Magalhães e dos programas de elevação da literacia global com ele associados. Fizeram uma coligação negativa para lançar a "política da troça" sobre o Magalhães. Agora, surpreendentemente, já há quem se preocupe com a eventual interrupção do fluxo. Afinal eles descobriram agora que o Magalhães é bom?!

PSD diz que Governo usa “desculpa de mau pagador” para não distribuir Magalhães.

O deputado social-democrata Pedro Duarte acusou hoje o Governo de recorrer a "desculpa de mau pagador" ao justificar o adiamento da decisão sobre os computadores Magalhães.

saber ler dá jeito

leituras

22.9.09

as histórias para crianças são muito educativas

quem não quer ser Napoleão não lhe veste a pele

Manuela pede demissão de Cavaco?

a realidade não conta



Manuela Ferreira Leite sacode pressão de Belém.
“Mantenho exactamente tudo o que disse, não tenciono alterar uma vírgula e vou repetir [as denúncias de asfixia democrática] até à exaustão”, declarou Manuela Ferreira Leite aos jornalistas, no final de uma visita à fàbrica Sampedro, em Guimarães.


Já tínhamos percebido. Ao que MFL diz ou deixa de dizer não interessa nada a realidade, o que existe cá fora da sua cabecinha. Haja o que houver, para a senhora só há discurso.
Isso é ideologia dogmática, alheamento mental, pura irresponsabilidade - ou tudo junto?
Abra os olhos, Dra. Manuela, por favor. O PSD faz falta ao país, mas assim...

um problema...



... com o Blogger mandou para o lixo todos os meus links. Agora não tenho tempo de tratar disso. Aqueles que sabem que estavam "linkados", por favor, mandem-me mails com o vosso blogue...

Isto foi tramóia da asfixia democrática, de certeza.


a tempo e horas



Pacheco Pereira: “Mais valia que o Presidente dissesse tudo”.

Pacheco Pereira: Cavaco interferiu na campanha "por acção e por omissão".

“O Presidente da República tem certamente coisas graves para dizer ao país e entendeu que se as dissesse interferia no acto eleitoral. Muito bem, compreende-se que o faça, embora também se interfira na campanha por omissão. Mas o Presidente rompeu o seu próprio silêncio e "falou" através da demissão do seu assessor de imprensa e, sendo assim, interferiu de facto na campanha eleitoral.”


Segundo o Público, foi JPP que escreveu isto. Mas...
JPP não se queixou quando o PR não falou a tempo e horas. Quando mais esta cabala contra o PS veio a Público. Agora, o que JPP queria era a interferência de deixar que a suspeita, que tudo leva a crer seja infundada, fosse usada para tentar tramar o PS. Agora queixam-se. Eles lá sabem.




e o país, Dra. Manuela?

Dr. Portas, Dra. Manuela, vamos lá então falar de agricultura…

11:45

Os meus interesses são muito variados. Por me interessar a coisa pública. E os rodriguinhos manhosos de alguns... dá-me tanto gosto olhá-los com atenção!

Publicámos [no SIMplex], na madrugada do passado dia 18, um apontamento sobre agricultura, no qual, a dado passo, apontávamos o facto de o CDS nunca ter divulgado a carta da Comissária Europeia responsável pela Agricultura que respondia às perguntas de um deputado europeu do CDS sobre a putativa perda de fundos agrícolas da responsabilidade do actual Governo.

Por mera coincidência, na tarde desse mesmo dia, o Dr. Portas (PP) aparece em campanha com um papel na mão, alegando que se tratava de uma carta da Comissão, e dizendo que ela comprovava a tal perda de fundos. Ora, essa carta não comprova nada disso, nem tem como objecto essa questão, nem sequer é a tal carta da Comissária. Então, porque é que PP não mostrou a carta da Comissária que responde às perguntas do deputado europeu do CDS? Pelo simples facto de que essa carta desmente PP.

(Como parece que ninguém tem tempo para descobrir essa carta, apesar de ela estar disponível a qualquer cidadão na internet, no sítio do Parlamento Europeu, fornecemos abaixo uma cópia da mesma.)

Mas, então, por que é que PP não mostra a carta? Por ser o seguinte, em resumo, o conteúdo da mesma.


mais notícias da asfixia democrática

11:14


Como já foi noticiado, Paulo Mota Pinto, um nome do comando-geral do PPD/PSD, que até tinha obrigação de decência por ser quem é, criticou as alegadas pressões de dirigentes do PS sobre a magistratura. Estaria em causa que membros do Conselho Superior da Magistratura, indicados pelo PS, questionassem que o juiz Rui Teixeira tivesse a nota máxima na respectiva avaliação. O ponto estava - e bem - em que essa nota máxima poderia não ser correcta se se verificasse que outros tribunais mostraram, ao decidir casos subsequentes, que o trabalho de Rui Teixeira tivera falhas importantes. Avaliação é isso mesmo - mas alguns acham que qualquer pessoa que tenha prejudicado um dirigente do PS tem direito, daí para a frente, a estar acima de qualquer avaliação e a seguir numa passadeira vermelha de veludo. E quando assim não seja - são "pressões" e "asfixia democrática" e um chuveirinho de disparates.
Ora, mais uma vez, estamos perante um disparate deste PSD à moda de MFL.
Como noticia hoje o Diário Económico: "Suspensão da nota de Rui Teixeira foi pedida por Laborinho Lúcio". Laborinho Lúcio, para quem não se lembra, foi ministro da Justiça de Cavaco Silva e está nomeado pelo actual Presidente da República para o Conselho Superior da Magistratura. A notícia está aqui.
Esta é a consistência da campanha do PSD sobre a asfixia democrática. Só tolices. Injúrias. Falta de sentido da responsabilidade. Pressões sobre todo e qualquer órgão da República apenas para tentar lançar poeira sobre a paisagem e lama sobre o PS.
Pode gente desta chegar ao governo de Portugal?


crime público



Mário Crespo, no Jornal de Notícias:
O trabalho de reportagem do "Diário de Notícias" é das mais notáveis e consequentes peças jornalísticas na história da Imprensa em Portugal. O e-mail com registos claros da encomenda feita por Fernando Lima não é "correspondência privada" que se deixe passar pudicamente ao lado. É uma infâmia pública de gravidade nacional que exige denúncia.

Invocar aqui delações, divulgação de fontes ou violação de correspondência é desonesto. Ao ver o presidente e a Casa Civil metidos nisto fica-me também uma inquietante dúvida. Aníbal Cavaco Silva, referência do PSD, ainda tem condições para continuar a ser o presidente de Portugal depois de causar uma trapalhada desta magnitude a dias das eleições?


Integral aqui.

isto é mais descaramento ou hipocrisia?

o sr. Fernandes ainda mexe



Editorial: O caso das suspeitas de Belém não acabou ontem. Pelo director do Público, no Público.

Em Editorial, o director do Público diz que elenca factos. Esquece alguns, contudo.

Esquece, por exemplo, o facto de que teve um comportamento indigno neste processo. Por exemplo, quando afirmou que por detrás da notícia do DN estavam os "serviços secretos" do Estado. Isso foi indigno por ser uma alarvidade sem o mínimo fundamento, como teve de admitir - e por essa alarvidade atacar um dos instrumentos mais delicados do Estado. Isso foi indigno por ser uma tentativa de salvar o escalpe metendo-se na campanha da "asfixia democrática" de um partido candidato às eleições, campanha de calúnias contra outro partido.

O director do Público também faz algumas perguntas interessantes. Só é pena que não tenha feito todas as perguntas necessárias antes de publicar e republicar o que publicou e republicou.

Mas numa coisa o sr. Fernandes tem razão: isto não vai ficar por aqui.


Imaginem se fosse ao contrário



Escreve Hugo Mendes, no SIMplex:

(...) a resposta de Manuela Ferreira Leite à pergunta (umas das 50 a que ela e José Sócrates responderam na revista "Visão" desta semana) "Em política, omitir e mentir é a mesma coisa? R: Se for para enganar as pessoas é igualmente inaceitável" ganha uma dimensão interessante à luz do que se passou hoje, e sobretudo do que Cavaco Silva vier a dizer ao país.


Integral aqui.

Estamos à espera que Cavaco Silva não omita nada.
Quer dizer: que se explique. Que explique porque não matou o caso logo em Agosto e o deixou entrar pela campanha eleitoral dentro. Que explique se estava interessado em que isso alimentasse a campanha da "asfixia democrática" da sua amiga Manuela. Que explique se não sabia o que o seu braço direito andava a fazer.

Estamos à espera que Cavaco Silva não omita nada. Lembrando a sabedoria de Manuela, claro.

A desonra do samurai




Lemos no Câmara Corporativa:

(...) Um leitura menos romanceada da queda do porta-voz do Presidente da República parece sugerir que Fernando Lima recusou demitir-se no pressuposto de que apenas cumprira a missão de que fora incumbido.


Integral aqui.

a verdade cada vez mais esfarrapada



Manuela Ferreira Leite, hoje em Vila Real, depois da desculpa da asfixia democrática ter ido à vida:
«“A crise manifestou-se a partir de finais de 2007, princípios de 2008. Já havia mais desemprego, já estávamos mais pobres. Claro que tornou mais nítidas todas as nossas debilidades, mas não foi a causa”.»

Daniel Amaral, no Diário Económico (a 07/08/09, aqui):
«No programa para as legislativas que viria a ganhar, o PS fixou como objectivo criar 150 mil novos empregos. Entre Março de 2005 e Junho de 2008, foram criados 134 mil, numa trajectória que, a manter-se, elevaria aquele número para 165 mil em 4 anos. Mas sobreveio uma crise do tamanho do mundo e o emprego foi por água abaixo. Leitura das oposições, do CDS ao PCP: Sócrates é mentiroso e o Governo é incompetente. Eis um exemplo paradigmático do grau zero a que o debate chegou.»

Que tal um bocadinho de decência? Será pedir muito?

21.9.09

alerta laranja

alôôôô, Dra. Manuela...



Cavaco Silva afasta Fernando Lima do cargo.


«A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, em campanha, já disse que, "por agora, não comenta um caso particular da Presidência da República".»

Dra. Manuela, deixe-se finalmente de hipocrisia. Peça desculpa ao PS e ao governo por ter dito que isto era mais um caso de asfixia democrática da culpa dos socialistas. A careca descobriu-se mais cedo do que se podia pensar. Tenha um pingo de sentido de Estado, por muito que isso lhe custe, e fale verdade por uma vez nesta campanha.

o engano de Cavaco


Na sua arrogância habitual, convencido de que bastava a sua pose de ingenuidade (a mesma do episódio do Pulo do Lobo, que o próprio mais tarde veio explicar como funcionava), Cavaco achou que calava a República apenas fazendo chiiiiuuu.
O PR julgou-se acima do juízo dos seus concidadãos. Pretendeu colocar todo o seu peso institucional, não a preservar as instituições, mas a defender um pântano que os seus amigos políticos queriam aprofundar. Teve a ilusão de ser o senhor do tempo.
Cavaco despediu Fernando Lima. Mas nem sempre basta encontrar um bode expiatório.
A pergunta essencial continua de pé: senhor Presidente, Excelência, acha que cuidou bem do regular funcionamento das instituições e da dignidade do Estado?

Por outro lado...

MFL tentou apanhar a boleia dos disparares que vinham de Belém. A asfixia democrática no Público era culpa do Governo. Agora que já nem o PR dá cobertura a esses disparates, o que tem a dizer a Dra. Manuela? Que tal um pedido de desculpas ao país pelo aproveitamento demagógico da mentira?

E ainda por outro lado...

Que o PR tenha despedido Fernando Lima, o emissário acusado de ser a mão-de-obra para a conspiração das escutas, que poderia ter servido para destruir Sócrates mesmo em cima da campanha eleitoral - mostra, além do mais, que o director do Público foi apanhado com a boca na botija do mau jornalismo. Do jornalismo manipulado. E isso junta-se ao facto de o director do Público já ter demonstrado não ter qualquer respeito pelos órgãos do Estado, quando acusou os serviços de informação de terem trabalhado para a notícia do DN. Quando, afinal, o DN estava apenas a revelar a pura verdade.
Cabe perguntar, agora: senhor Fernandes, que fazer?

Cavaco Silva afasta Fernando Lima do cargo.

Caso das escutas: Cavaco Silva afastou Fernando Lima.


a vida ensina muito



O caso da inventona das escutas deve ser muito útil para os portugueses perceberem como funcionam certas coisas. Como certos falsos escândalos são montados para prejudicar o governo e para desestabilizar a opinião. Objectivamente, para boicotar a governação de forma ilegítima. E para tentar dar a alguns, desse modo, os ganhos que não conseguem por mérito próprio.
Duvidam? Não viram como Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel se lançaram em acusações disparatadas de asfixia democrática por causa do coitadinho do director do Público, que afinal era um jogador num caso de manipulação?

Cavaco Silva afasta Fernando Lima do cargo.

claro que sou contra a mercantilização da sociedade


Mas também sou contra a sua estatização.
Será difícil de compreender?


Eduardo Recife, 21st Century. Who is your God?, 2005



[Esta semana vou assumir todos os dias: no dia 27/9 votarei no Partido Socialista.]

o erro de Cavaco

Inimigo Público contrata Fernando Lima à Presidência da República



Ao contrário do que tem sido divulgado nos últimos minutos, Fernando Lima não foi afastado por Cavaco Silva do cargo de assessor para a Comunicação Social.
Numa altura em que o IP comemora 6 anos de existência, a administração do jornal decidiu contratar Fernando Lima para editor de política do jornal, esperando que ele contribua, com a sua capacidade muito particular de criar notícias delirantes, para o sucesso da publicação. Cavaco Silva não queria abrir mão do seu homem forte, mas a administração do IP ofereceu a Fernando Lima uma proposta irrecusável: um dístico de deficiente físico para ter estacionamento assegurado à porta da nossa redacção.

Aqui, no Inimigo Público

afinal, houve conspiração

Manuela à la Rangel



Manuela manda “recado” a Soares.


«Manuela Ferreira Leite ouviu Mário Soares chamar-lhe fanática e irresponsável, não gostou do tipo de linguagem, e passa à frente com desprezo. “Há certos comentários ou certas linguagens, vindas de determinadas pessoas que não me merecem o mínimo dos comentários”, afirmou a líder social-democrata.»

MFL diz dos seus adversários políticos tudo o que lhe vem à cabeça. (Não é verdade: MFL trata bem toda a gente, especialmente Louçã e Jerónimo; só trata mal Sócrates e o PS.) MFL trouxe Paulo Rangel para descer o nível do discurso. Até já ameaçou com uma quase ditadura se o PS ganhar as eleições, como se estivesse a falar de uma vitória dos neo-nazis. Mas trata Mário Soares, um dos pais da democracia, a quem ela deve muito (como todos nós), como "determinadas pessoas". Assim se vê a força da falta de sentido da realidade. E assim se vê que nem todas as "senhoras" conseguem ser umas senhoras. Muito menos líderes de alguma coisa.

PSD desiste do centro e vira-se para Portas



Ferreira Leite diz que Governo aumentou desemprego ao “abandonar” agricultura.

MFL parte à procura das coutadas do Dr. Portas. Ouviu que ele diz umas coisas sobre agricultura, e que em Belém há um assessor Sevinate que concorda, e achou que era capaz ser boa ideia tentar. Na ideia dela, aliás, qualquer coisa vale a pena tentar.
Dra. Manuela, não vá atrás dos dislates do Dr. Portas. Explico-lhe aqui porquê. E não paga nada, é de leitura gratuita.



nem todos os jornalistas estão asfixiados

o grande baralhador



Secretas militares dizem que não fizeram buscas a pedido de Cavaco Silva.
Toda a gente fala acerca da inventona das escutas. Só o único que podia acabar com o drama é que está calado: o PR. É assim, levando umas eleições legislativas a serem disputadas debaixo de nevoeiro em questões essenciais, que Cavaco defende o regular funcionamento das instituições? Quando ele é o único que podia esclarecer o caso de forma cabal? Ou esse esclarecimento não interessa ao seu partido e à sua amiga MFL?

Insisto: dignidade de Estado, por favor.

«Não queremos ser mortos por Sócrates»

aquilo em que Manuela ganha



Título do jornal i: Ferreira Leite vence Sócrates na blogosfera e nas redes sociais.

Conteúdo:

Parte 1: «Ferreira Leite contabiliza mais de 17 mil referências, enquanto o secretário-geral do PS não ultrapassa as 15 mil referências.»

Parte 2: «Foi o tema das listas do PSD à Assembleia da República que reuniu o maior número de referências sobre Ferreira Leite.»

Grande vitória de MFL. Grande título... Título "Preto", diria eu.


leituras



«A tranquilidade do Presidente medida pelo seu tempo de reacção é aliás o melhor desmentido para o papão da asfixia democrática que a doutoura Manuela agita perante os os eleitores seus educandos.» (bem haja)


Manuela Paulo Ferreira Leite Rangel



Paulo Rangel entrou na campanha do PSD ao seu estilo. Com pérolas como a beatificação da Manuela Moura Guedes e o seu mau jornalismo. Ou a santificação do senhor Fernandes, que parece que vasculha os email dos seus jornalistas e funcionários (sem asfixia democrática nenhuma, é claro). Nesse discurso paulo-rangeliano alguns vêem dureza. Nem vou tentar classificar. Apenas direi que a novidade não é essencial. Rangel diz o mesmo que MFL. Apenas o diz mais claramente. Mas a substância é a mesma. Logo, não culpem o megafone. Culpem o dono.


de governos reféns está o país farto

por que é que eles querem o governo



Francisco Pinto Balsemão é entrevistado por José Manuel Fernandes para o Público.
O destaque do Público a essa entrevista é este: "Augusto Santos Silva foi o pior ministro da Comunicação Social desde o 25 de Abril". Acrescenta-se: "O fundador do Expresso não tem dúvidas: este Governo seguiu uma estratégia para debilitar e enfraquecer os grupos privados." Tudo muito conveniente nesta altura em que estão bem à mostra as práticas do sr. Fernandes.
Podemos perguntar-nos porquê. Mas talvez não seja muito difícil perceber. Sugiro apenas um elemento de compreensão.
Mais à frente na mesma entrevista, perguntado "Continua, pois, a defender que a RTP não deveria ter publicidade?", Balsemão responde: "Sim. E que devia cumprir com rigor o contrato de concessão em matéria de programação. Os programas de entretenimento puro e duro já existem em dois canais privados, para além dos canais temáticos que já se dedicam ao entretenimento."
Pois. É preciso alguém no governo que faça esse trabalho. Que retire à televisão pública o que dá dinheiro e o deixe correr para as televisões privadas. E os contribuintes que paguem. Claro, com as melhores justificações ideológicas.
Até porque o grupo de Balsemão precisa.
E, como este, se calhar há outros dossiers políticos que estão a ser encarados da mesma maneira. Ou não?


20.9.09

saudades de homens livres






dizes-me para escolher um caminho

prover



O Provedor do Leitor do Público denuncia uma caça às bruxas no Público promovida pelos responsáveis do Público.

Mas o que é o Provedor do Leitor do Público? Não a pessoa, mas o lugar institucional? Segundo o Estatuto do Provedor do Leitor do PÚBLICO:

«O Provedor do Leitor do PÚBLICO (adiante designado por Provedor) é uma pessoa de reconhecido prestígio, credibilidade e integridade pessoal e profissional, cuja actividade principal tenha estado nos últimos cinco anos relacionada com a problemática dos "media", de preferência enquanto jornalista.»

«O Provedor desenvolverá a sua acção com total autonomia e independência face a quaisquer órgãos do jornal ou da empresa.»

Ainda bem.


Sócrates, o inferno, o diabo - e "os professores", claro!



“Se Sócrates se candidatar ao governo do inferno nós votaremos no diabo”.


Excerto do relato do Público sobre a manifestação de professores, ontem (a meio da campanha eleitoral), em frente à Assembleia da República: «“Vou votar Manuela Ferreira Leite, pelo menos votamos numa que não experimentámos. Ela vai ganhar”, diz Eva Gonçalves. “Ela tem que ganhar”, reforça a professora de Português/Francês Helena Gonçalves, momentos depois de as terem tentado persuadir a votar no Bloco. A tentativa veio de André Pestana, professor de Biologia e apoiante bloquista, que não tem dúvidas de que “vai haver um número crescente de professores que votam BE”.»

Está difícil de fazer as contas lá para os lados da coligação negativa. "Esquerda" e "direita" não se entendem acerca de quem deu mais para o peditório - e, portanto, acerca de como devem dividir o espólio.


a asfixia democrática tem dias

10:13


Depois de, na passada sexta-feira, ter vindo a público informação relevante sobre a "inventona das escutas", indiciando, por um lado, a existência de comportamentos reprováveis de assessores poderosos em Belém (e, talvez, também do próprio PR), e, por outro lado, um comportamento desajustado do jornal Público nesse caso - veio o director desse mesmo Público dar em directo perante o país um degradante espectáculo da sua irresponsabilidade.

De facto, o sr. Fernandes, visto estar a tornar-se impossível esconder os métodos daquilo que, nas palavras do Provedor do Leitor do próprio Público, será "a agenda política oculta" desse periódico, decide-se pelo processo da lama na ventoinha para tentar disfarçar. Entre outras pérolas dessa sexta-feira negra, o sr. Fernandes lança a ideia de que as notícias que não lhe convinham teriam origem numa acção dos "serviços secretos" "controlados" pelo governo. Ainda no próprio dia teve de engolir a graça e reconhecer que isso não tinha qualquer fundamento. Mas entretanto já tinha anunciado que iria fazer uma auditoria às comunicações da empresa para apurar da putativa intrusão.

Seguindo o método muito em voga nos últimos tempos - pelo qual os dirigentes políticos da oposição se prestam a dar a benção a qualquer atoarda que lhes pareça servir para denegrir José Sócrates, o governo ou o PS - Manuela Ferreira Leite e Jerónimo de Sousa fazem declarações em que a irresponsabilidade leva a palma à pura demagogia. O líder dos comunistas fala da governamentalização dos serviços de informações, assim dando cobertura vermelha ao dislate. A líder do partido de Jardim e Preto declara-se mais ou menos aterrorizada com um país onde directores de jornais são espiados. Pura pirueta de inversão das questões - mas confia-se em que os portugueses não percebam nada de lógica e não topem essa minudência.

Pelo meu lado, cá no meu cantinho, a questão política essencial parecia-me outra: como é que o país removerá um PR que venha a ser identificado como tendo encomendado uma operação clandestina e desleal contra outro órgão de soberania? Sou destas coisas: interessa-me o funcionamento das instituições...

Ao mesmo tempo, e sobre a específica atoarda do sr. Fernandes acerca da espionagem e a auditoria às comunicações que pretendia fazer para dela apurar, continuava eu a cismar no meu cantinho (desta vez no Twitter): Inventona das escutas: o sr. Fernandes já pediu uma auditoria às comunicações da empresa. É para saber quem deixou fugir a informação?

Talvez isso tenha parecido tonto a alguns.

Entretanto, hoje de manhã cedo leio que Joaquim Vieira, Provedor do leitor do Público, escreve nesse jornal (texto "A questão principal"):
"Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior)."


Afinal, aquela minha tola suspeita tinha sentido. Há mesmo espionagem, há mesmo quem espiolhe os outros - mas esses actos têm como autores os que mais berram contra eles.

O senhor Jerónimo e a doutora Manuela são esperados na reunião da coligação negativa, esse encontro permanente de "esquerda" e "direita" com o único fito de atacar o PS, para dizerem umas palavras sobre estes métodos de asfixa democrática. Afinal, quem muito fala desses métodos sabe do que fala. Por ter a mão na massa. Pelo menos, pelos vistos, no caso do sr. Fernandes.

[Produto SIMplex]