29/09/09

hipocrisia e irresponsabilidade




O Presidente da República acaba de dirigir-se ao país para fazer em directo um exercício de hipocrisia e irresponsabilidade no "caso das escutas a Belém".

Um exercício de hipocrisia, porque Cavaco, depois de ter alimentado, pelo silêncio cúmplice, a acusação de que o governo andava a espiar a presidência, assim servindo a campanha da "asfixia democrática" que era o eixo da "proposta" que a sua amiga MFL tinha para apresentar ao país, só se lembra de atacar os meios pelos quais foi desmascarada essa montagem. Cavaco, aliás, volta ao ridículo de considerar que as suspeitas de espionagem eram fundadas na acusação de haver membros da sua Casa Civil a colaborar com o PSD - quando é sabido que essa "informação secreta" estava publicada no site da "política de verdade" antes de dirigentes do PS se lhe terem referido. Cavaco pensa poder ainda, e mais uma vez, abusar da sua imagem de virgindade para se fazer acreditar sem nada de mais substantivo - mas já poucos acreditam nessa virgindade depois de tudo o que se passou.

A comunicação de Cavaco é também um exercício de irresponsabilidade. Em primeiro lugar, por vir informar o país que as suas diligências sobre "segurança" no Palácio só foram feitas hoje: perguntou se a correspondência electrónica podia ser violada. Porquê só fez isso hoje e não desde que, pelos vistos há bastante tempo, tem suspeitas? Porquê privilegiou esse possível meio de espionagem - e não as tais escutas, por exemplo? E porque veio tornar públicas diligências da Presidências em matéria de segurança? Tudo isto revela uma enorme incapacidade para lidar com questões delicadas do órgão que ocupa o topo do Estado no nosso país.

De qualquer modo, e esse é outro ponto interessante, fica agora a palavra ao Público - e, eventualmente, a Fernando Lima. Se Cavaco nunca mandou fazer nada daquilo que se lê no mail publicado no DN, será que Fernando Lima enganou os jornalistas do Público? Será que um jornalista do Público inventou tudo aquilo? Será que o DN inventou o mail? Esta última hipótese já nem por José Manuel Fernandes é sustentada. Deixem, então, que fale o sr. Fernandes. Ou o sr.Lima, que continua escondido em Belém.

Uma coisa é certa: Cavaco Silva mostra tratar todo este imbróglio com grande falta de sentido das suas altas responsabilidades. E é triste ver que a única maneira que vê ao seu alcance para tentar disfarçar isso é imiscuir-se na pequena intriga política, danificando perigosamente a sua já escassa margem de manobra para dar um contributo útil para a difícil situação política do país. Nunca vi um Presidente constitucional desta jovem democracia descer tão baixo.

Cavaco acusa PS de o querer “encostar” ao PSD e à campanha eleitoral.

Cavaco acusa figuras do PS de terem ultrapassado os "limites da decência".

Aditamento. Entretanto, o Público acha que "PS afronta Cavaco". Será que o senhor Fernandes continua a ser a voz do senhor Lima?

9 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Concordo, Porfírio. Não temos um presidente à altura da sua responsabilidade.

António Rosa disse...

Assombroso, tudo isto. Concordo consigo.

Anónimo disse...

De acordo. Para além disso, a declaração tem graves falhas do ponto de vista técnico.

A maneira como foi construído o discurso deixa a ideia que as falhas de segurança nos sistemas informáticos da presidência, poderia ter como resultado as fugas de informação que ocorreram junto do Público.

Mais ainda, nenhuma auditoria a um Sistema Informático é efectuada no próprio dia. Muito menos ao Sistema Informático da Presidência.

Al-Ma'dan disse...

Não votei nele e não estou nada arrependido.
Quer fazer passar a imagem de que está acima de qualquer suspeita, quando na realidade a imagem que passa, pelo menos para mim, é exactamente a contrária.

rui disse...

não vale a pena especular muito. o discurso do Presidente não é o de um cínico Maquiavel. É o de uma pessoa que não está boa da cabeça.

Anónimo disse...

O homem não está bem. Aquilo é um caso de demência. Nem consigo dizer mais nada. Estou estarrecido, temos um PR que precisa de acompanhamento psiquiátrico urgente.
Nada daquilo faz sentido, passou-se de vez.

José Alberto Mostardinha disse...

Esta comunicação ao país do mais alto magistrado da nação se o assunto não fosse tão sério seria caso para rir. O que disse foi uma "mão cheia de nada". Ninguém percebeu nem ficou esclarecido a não ser deixar umas acusações extemporâneas e sem fundamento contra o PS e num tom que só poderemos encontrar no arruaceiro da Madeira. Este PR provou, tal como é opinião unânime em todos os comentadores das várias televisões após a comunicação, que não tem estaleca para Presidente da Républica antes agindo como um qualquer político na praça pública. No seu discurso passa a impressão de querer fazer dos portugueses parvos ao não explicar o essencial do problema e enredando-se em análises políticas que não ficam bem a um PR. Numa palavra: UMA COMUNICAÇÂO LAMENTÁVEL

Anónimo disse...

Eu acho, sinceramente, que deviamos deixar de analisar o discurso do PR (não vale a pena, nem tem assunto) e passar á fase seguinte - discutir quais as formas legais desta democracia para se poder destituir um presidente da republica... porque este não serve mesmo!!

Anónimo disse...

sei de fonte segura (e não, não é o Sr. Lima) que o nosso Presidente tem Parkinson, e que é quase certo que não se recandidatará, tal a rapidez com que avança. E que nos meandros de Lisboa se começam já a contar espingardas tendo isto em conta. Porque razão recusou Manuel Alegre ser deputado? O que leva Marcelo a defender todas as posições que o Presidente tem tido até agora?
"eu não sou ingénuo e vocês também não..."