7.2.08

greve de zelo

Chama-se “greve de zelo” a uma prática de contestação laboral usada em certa altura em alguns países.

Numa greve de zelo os grevistas não se recusam a trabalhar: limitam-se a aplicar de forma estrita todas as regras formalizadas (escritas nos regulamentos) que enquadram a sua actividade. O resultado de uma greve de zelo não é que as coisas funcionam melhor: é a inoperância – porque faltam aquelas práticas que, fugindo à letra dos regulamentos, fazem funcionar as coisas. Por exemplo, quando um funcionário subalterno toma uma iniciativa sem autorização superior, porque essa iniciativa é necessária ao andamento dos trabalhos e o funcionário “sabe” que a autorização seria dada se o chefe estivesse presente. E faz isso apesar de, em rigor, arriscar uma sanção por avançar sem uma certa assinatura no papel apropriado. Uma greve de zelo é a aplicação sistemática e generalizada, numa empresa ou sector, de todas as regras, tomadas à letra.

Resta-me uma pergunta: é possível fazer greve de zelo mesmo sem trabalhar?

Ou talvez ainda outra pergunta: um país que respeita o “politicamente correcto” não está numa espécie de greve de zelo geral?

(Peço desculpa, mas não sei a quem: não consigo identificar onde fui buscar a imagem.)

6.2.08

há sempre infernos diferentes para um mesmo pecado

« A mesma situação desafiante pode levar uma determinada pessoa a concentrar-se em alcançar um sucesso, mas levar uma outra pessoa a focar-se na tentativa de evitar um fracasso. »

Ziva Kunda, Social Cognition - Making Sense of People, MIT Press, 1999, p. 4 (tradução rápida por conta da casa)

Grafitos de Ljubljana (8)


(Foto de Porfírio Silva. Dezembro 2007)

5.2.08

história em miniatura

« Um índio que mirava os alpinistas aproximou-se no intuito de provocar uma discussão. Estava bêbado. Recostei-me e assisti à história da América do Sul em miniatura. O rapaz de Buenos Aires encaixou os insultos durante meia hora; a seguir levantou-se, mandou um berro e fez sinal ao índio para se voltar a sentar.
Este baixou a cabeça e murmurou:
- Si, señor. Si, señor

Bruce Chatwin, Na Patagónia, tradução portuguesa na Quetzal, 2008, p. 99

Grafitos de Ljubljana (7)


(Foto de Porfírio Silva. Dezembro 2007)

"super terça-feira" nas primárias americanas: o susto de Obama


(Clicar para aumentar. Cartoon de Marc S.)

porque hoje é entrudo...

... um pouco de "política internacional".


(Clicar para aumentar. Cartoon de Marc S.)

3.2.08

Ricardo Salgado, espião socialista... ou será presidente do BES?

É raro, neste espaço, darmos atenção continuada a assuntos políticos. É que se a política nos interessa, porque não andamos completamente alheios à condição de cidadãos, também não achamos que haja normalmente muito a observar pela nossa pena. Isso quer dizer que deve ser encarado como completamente extraordinário que tenhamos insistido tanto no assunto das eleições da nova liderança do BCP. Escrevemos aqui nas seguintes ocasiões: a 23 de Dezembro, a 26 de Dezembro, a 27 de Dezembro, e outra vez nessa data, a 28 de Dezembro, a 14 de Janeiro, a 15 de Janeiro.

Porquê toda esta insistência ? Principalmente por a campanha desenvolvida por determinados sectores, e o facto de ela ser servida por certos órgãos de comunicação social, mostrar até que ponto certos jornais se prestam à mais irracional manipulação da opinião pública. É o caso do jornal de Belmiro, desde que este perdeu algo que queria ganhar em termos económicos e culpou o governo de Sócrates por isso.
Ora, muitas vezes, só retrospectivamente é que chegam os testemunhos que, passado o fragor da batalha, mostram com grande nitidez até que ponto certas "campanhas" eram isso mesmo: meras campanhas de intoxicação da opinião pública.

A propósito dos disparates que se escreveram por o (então candidato a) líder do BCP ser socialista, e por levar consigo um determinado administrador, vale a pena ouvir o que disse ontem o presidente do BES, Ricardo Salgado, ao caderno de Economia do Expresso. Reproduzimos um pequeno excerto:
«Pergunta: O que pensa de os administradores da CGD terem passado directamente para a administração do BCP?
Resposta: Nós, banqueiros, temos todos os dias transferências de quadros de uns bancos para os outros. Não há nada que impeça isso. Santos Ferreira vai ter muito com que se preocupar dentro do banco. O BCP não podia estar em melhores mãos. (...)
Pergunta: Acredita que não houve interferências políticas na composição da nova administração do BCP?
Resposta: Não. Não acredito que os accionistas tivessem sido obrigados a aprovar esta gestão por quem quer que fosse.
Pergunta: Fala-se que Armando Vara pode funcionar como comissário político...
Resposta: Não faço comentários desse tipo. Carlos Santos Ferreira escolheu a equipa e escolheu bem. Este país vive muito de interpretações políticas.»

Fim de citação.