06/06/11

o ajustamento estrutural de um ministro de saída?


«A economia portuguesa precisa de um choque liberal, porque a dinâmica de integração da economia europeia foi muito subordinada a uma matriz ideológica mais liberal», defendeu Luís Amado.

Portanto, a lógica é: se chove a potes, e isso dá cabo das culturas agrícolas, arranja-se mais água para engrossar o caudal. E as culturas que se danem.

Quer dizer: se eles estão a vencer, junta-te a eles.

(Manifestamente, a passagem à oposição estraga o miolo a muita gente. Nunca pensei é que o fenómeno só demorasse umas horas a revelar-se.)


6 comentários:

S. Bagonha disse...

Meu caro Porfírio Silva, é nestes momentos, quando se perde ou se está por baixo, que se vê o carácter e a grandeza,(ou a falta dela), dos homens. Depois do Seguro, o Amado. Mais aparecerão agora, após a saída de Sócrates, à procura de um protagonismo que, enquanto ele foi "vivo", nunca foram, cobardemente, capazes de procurar. Tristes daqueles cujas únicas vitórias são as derrotas alheias.

Anónimo disse...

Penso que quanto ao Amado, nada há de novo. Ele já pensava assim antes das eleições .

Anónimo disse...

O Amado dentro do Ps será mais afecto à sensibilidade Gamista. Um Atlantista, portanto.A meio caminho entre o PS e o Psd tendo como orientação mais o partido democrata americano.

Sofia C. disse...

Não faço a mesma interpretação das palavras de Luís Amado. Ele limita-se a constatar uma realidade e como as eleições o demostraram, uma inevitabilidade. A UE é neste momento governada pela direita, uma direita conservadora e neoliberal. Ora a maioria das decisões legislativas que afectam a nossa vida são tomadas em Conselho de ministros e no PE . O que Amado faz é uma constatação e é verdadeira e ainda por cima chama a atenção para um facto que teimosamente se ignora em Portugal (e não só): os estados-membros da UE são interdependentes. O PS a governar num mar de governos de direita é esquizofrénico e é evidente que acaba por se ver obrigado a adoptar medidas que não seriam as suas à partida. Aliás, isto acontece com qualquer governo socialista na UE de hoje. Não creio que Amado goste que seja assim, até penso que não é o caso, mas é a realidade. Daqui a uns anos, a alternância democrática mudará a cor dos governos da maioria dos países na UE e verão como mudará também a abordagem geral. No que me diz respeito, aguardo com muito interesse as próximas eleições em Itália, Alemanha, França. Os resultados terão forçosamente um grande impacto no nosso país. Até lá, tempo para o PS encontrar novo secretário-geral e para José Sócrates regressar (este último é meu wishful thinking:)

Porfirio Silva disse...

[vamos tentar escrever num teclado maluco]
Sofia,
Constatar qual a onda de momento, eh uma coisa; conceder a resignacao, eh outra. Os governos dos diferentes membros da UE nao mudam todos de uma vez. Nem deixa de fazer sentido lutar contra a corrente. Cada vez mais a "governanca" democratica se faz de multiplas camadas, a nivel nacional, supra-nacional, intra-nacional. Por isso, a democracia precisa que continuemos a procurar alternativas. Se Amado estava so a constatar, nao percebi. Pode ser que nao tenham passado tudo o que ele disse. Mas nao me parece.

Sofia C. disse...

Porfírio,

Concordo e por isso apoiei o governo de Sócrates até ao fim. No entanto, aquele era e continua a ser o contexto político na UE, é bom alguém recordá-lo. Um contexto que determina muito mais do que imagina a maioria das pessoas. Também não posso jurar que Amado estava só a constatar, é uma interpretação minha.