19/01/11

um mundo em rede


Cavaco Silva não mudou substancialmente nada desde que apareceu na política portuguesa. As pessoas é que se vão esquecendo dos pormenores. No plano político, Cavaco Silva é, fundamentalmente, o homem que, acabado de chegar à presidência do PSD, tentou travar a assinatura do tratado de adesão de Portugal à CEE, porque queria ser ele a "ficar na fotografia" de uma glória que não lhe cabia; é o primeiro-ministro que presidiu ao esbanjamento dos fundos comunitários após a adesão de Portugal à "Europa"; o político que usou o dinheiro público para comprar maiorias eleitorais concedendo (em momento "oportuno") à função pública regalias insustentadas no estado da nação; o calculista que pensa primeiro em si, depois em si, depois em si, e só em último lugar pensa nos outros se já não se lembrar de nada em que lhe convenha pensar primeiro em si - o que o faz reincidir na traição aos seus companheiros políticos, apesar de se aproveitar bem dos seus amigos de negócios. Em Portugal (e por esse mundo fora), tudo isso dá votos.
No plano pessoal, para não entrar em conversas desagradáveis - são sempre desagradáveis as conversas sobre tipos que se fazem de santos para melhor explorarem a boa vontade dos outros - basta lembrar este episódio (contado no Random Precision) para compreender quem é o verdadeiro Cavaco Silva. E a sua rede.

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