05/05/10

paladinos da liberdade


«Portugal ainda não vive no limiar da falta de liberdade de expressão e de imprensa, mas o panorama é preocupante: tais liberdades têm vindo a ser reduzidas e é visível uma complicada relação entre o poder económico, a política e os media. (...) Esta é a principal conclusão do relatório sobre o exercício da liberdade de expressão na comunicação social que levou ao Parlamento 34 pessoas para serem ouvidas durante dois meses na comissão parlamentar de Ética. O documento foi elaborado pela deputada comunista Rita Rato e será discutido e votado na próxima semana, confirmou ao PÚBLICO o presidente da comissão, Luís Marques Guedes.» (Público)

Excertos da entrevista da deputada comunista Rita Rato ao Correio da Manhã, em Outubro de 2009:

Excerto 1

CM: Concorda com o modelo que está a ser seguido na China pelo PCC?

RR: Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa. Concordo com as linhas de desenvolvimento económico e social que o PCP traça para o nosso país. Nós não nos imiscuímos na vida interna dos outros partidos.

CM: Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?

RR: Não sei que questão concreta dos direitos humanos...

CM: O facto de haver presos políticos.

RR: Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.


Excerto 2

CM: Como olha para os erros do passado cometidos por alguns partidos comunistas do Leste europeu?

RR: O PCP, depois do fim da URSS, fez um congresso extraordinário para analisar essa questão. Apesar dos erros cometidos, não se pode abafar os avanços económicos, sociais, culturais, políticos, que existiram na URSS.

CM: Houve experiências traumáticas...

RR: A avaliação que fazemos é que os erros que foram cometidos não podem apagar a grandeza do que foi feito de bom.

CM: Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?

RR: Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

CM: Mas foi bem documentado...

RR: Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

CM: Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?

RR: Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa...

Paladinos da liberdade, pois claro.

5 comentários:

Francisco Clamote disse...

Estávamos bem aviados se estes "paladinos" tomassem conta da nossas liberdades. Mas descaramento, pelos vistos, não lhes falta. Abraço.

Cassette disse...

Aguardo a todo o momento uma entrevista a um jovem dirigente do CDS-PP exclusivamente sobre a pedofilia na Igreja, a segunda bomba atómica no Japão e o papel de Israel no Médio Oriente.

MFerrer disse...

A questão é que num País minguado, semi-analfabeto, e em que os professores escrevem com erros de ortografia e se gabam de ler pouco...as probabilidades de ideias totalitárias serem aceites como boas é muito elevada.
Juntemos-lhe o cloreto do desemprego e a xenofobia galopante que a direita já entoa, e temos o caldo entornado!

Porfirio Silva disse...

A estratégia típica da palhaçada é dizer disparates para nos fazer rir no meio das coisas sérias que são tristes. A estratégia da "cassette" costumava ser um pouco diferente, não sei se isso mudou ou não.
Basta ter lido qualquer coisa de Álvaro Cunhal para perceber que as respostas de Rita Rato naquela entrevista mostram que ela nem Álvaro Cunhal leu, talvez por não estar nas suas prioridades quanto à "curiosidade de descobrir mais", para usar a expressão dela.

José Ernesto disse...

Esta é bem parecida com os revolucionáriozinhos que se diziam comunistas a seguir ao 25 e que andavam nos navios da marinha mercante.Espicaçavam os outros e depois quando havia reuniões com o comando do navio,nada sabiam dizer deixando a batata quente prós papalvos que os seguiam.Nada sabiam dizer,só criar mau ambiente