14.8.09

formas de ataque



Hillary Clinton termina na ilha do Sal périplo por África: "Sim, é possível, a boa governação em África. Olhem para Cabo Verde!"

«A secretária de Estado norte-americana terminou hoje um périplo de 11 dias por sete países africanos tecendo os mais rasgados elogios às autoridades de Cabo Verde, "modelo de democracia e progresso económico".

"O Presidente Obama e eu dizemos: sim, é possível, a boa governação em África. Olhem para Cabo Verde", disse Hillary Clinton durante uma conferência de imprensa de meia-hora dada com o primeiro-ministro José Maria Neves, num hotel da vila de Santa Maria, na ilha do Sal, onde chegara ontem à noite, vinda da Libéria.

"Em todos os países por onde passei havia aspectos positivos e outros negativos. Aqui, a lista dos positivos é maior do que a dos negativos. O que aqui ouvi é música para os meus ouvidos", afirmou a secretária de Estado, que manifestou a intenção de voltar, dessa vez mais em jeito de passeio, com o marido, o antigo Presidente Bill Clinton.»

Este é o método de realçar o que está bem feito. Muitos preferem o método de realçar o que está mal feito. Por cá, esse método negativo é usado para disfarçar o balanço.

o problema dos "vão sem mim que eu vou lá ter"



Bruno Proença, Director-Adjunto do Diário Económico, hoje no seu jornal:

«Ao fim de três trimestres em contracção, a economia registou uma subida (0,3%) entre Abril e Junho, relativamente aos primeiros três meses do ano. É a maior subida desde o final de 2007 e coloca Portugal ao lado da Alemanha e França no pelotão da frente da recuperação económica. Em termos homólogos, a contracção do PIB é ainda significativa (-3,7%) mas menos má do que no ano passado (-3,9%). Também em termos homólogos, Portugal tem dos melhores registos da zona euro.»

«(...) hoje foi um dia bom para a economia nacional. Há uma luz ao fundo do túnel que deve dar força a todos os que não desistiram e continuam a trabalhar e a lutar contra a crise. Há razões para estar moderadamente optimista. Infelizmente, muitas velhos do Restelo levantaram-se a menorizar o crescimento económico. É a parte do país que fala muito mas faz pouco. Relembro a música dos Deolinda que retrata as duas partes de Portugal. Na música, vence a moeda má. A parte do "agora não"; do "vão sem mim que eu vou lá ter". Espero que desta vez a história seja diferente.»

Na íntegra, aqui.

notícias da coligação negativa



Bloco de Esquerda, pela voz de Helena Pinto, diz que desemprego desmente o “fim da crise”.


Teixeira dos Santos hoje ao Diário Económico: «Para que a crise acabe, o crescimento deve reflectir-se no emprego.» Acrescenta o DE, na primeira página: «Fernando Teixeira dos Santos salienta que a subida do PIB de 0,3% representa o fim da recessão mas não da crise. Para isto, é preciso haver criação de emprego.»

Lembramos que Teixeira dos Santos não é do Bloco de Esquerda; é Ministro do actual governo. Para repetir as declarações avisadas dos ministros, não vale a pena o Bloco dar-se a tanta excitação. Ou a deputada Helena Pinto está, sim, a repetir António Borges? É que o truque é o mesmo: quando as coisas correm mal, é culpa do governo; qualquer boa notícia, é "culpa" dos franceses e dos alemães.

quem é quem, capítulo XXXIII

O quotidiano Público, que ainda compro à sexta-feira (por causa do Ípsilon), faz constar hoje no P2 que "a última teoria da conspiração que vem da América" pretende que Obama não pode ser presidente por não ser americano.
A caixa que acompanha o artigo é um bom resumo. Ilustra a cara de uma senhora e reza assim: «Orly Taitz [a tal senhora, aqui ao lado] refere-se a Obama como uma "combinação perigosa" de "comunismo radical", de fundamentalismo islâmico absorvido no Paquistão e na Indonésia de Sukarno" e "o ambiente mafioso de Chicago".»
Lida esta prosa, e visto o alto coturno da teoria da senhora Orly Taitz, só me esmaga uma questão: será Orly Taitz o senhor Fernandes da América?


10.8.09

os amigos de Barroso

16:16
Imagem daqui.


João Marques de Almeida escreve hoje no Diário Económico um artiguinho intitulado "Chavez contra Obama". Apresenta-se nessa circunstância como Professor Universitário, mas é pertinente neste caso saber que se trata de um membro do gabinete de José Manuel Durão Barroso, o actual presidente da Comissão Europeia.
No texto, de pura luta política, é feita uma identificação clara (uma salgalhada, mais exactamente) entre "obamaníacos", "anti-Bushistas" e "Chavistas". Um grande saco de gatos, portanto. Eu, tendo sido "anti-bushista", mas não sendo nem "obamaníaco" nem "chavista", reconheço nesta forma de falar a linguagem da cimeira dos Açores. A linguagem maniqueísta do "bem" contra o "mal", com a qual os pretensos lidadores do bem se arrogam o direito de todas as ilegalidades contra o mal. O que, vindo de quem vem, não me espanta. Andam por esses lados os que estão sempre prontos a esquecer a parte da história que não interessa aos seus objectivos políticos (mesmo que escrevam como "professores universitários", talvez para se darem ares de credibilidade). (Caberia perguntar a JMA onde se pode ler a sua condenação do golpe de estado que tentou derrubar Chavez pela força, já há uns anos - para averiguarmos de quão estremoso é o seu escrúpulo democrático.)
Contudo, para lá dessa deformação ideológica, que para um membro do gabinete de Durão Barroso deve ser propriamente uma exigida deformação profissional, o artiguinho contém uma clara desonestidade intelectual. Falar do problema das bases militares americanas na Colômbia como se elas só causassem comichão a Chavez e seus aliados - é uma pura mentira. É sabido que outros países da região, democráticos e insuspeitos de chavismo, também querem ter mais esclarecimentos acerca do significado dessa jogada. E João Marques de Almeida, sendo quem é e tendo sido quem foi, não é pessoa para ignorar isso. Portanto, se atira para debaixo do tapete elementos que conhece, e que perturbariam o simplismo do seu raciocínio, está a praticar uma desonestidade intelectual.
É por estas e por outras, por continuarem a ser estes os povoadores do território europeu de Barroso, que alguns (muitos?) acham que a esquerda europeia não devia apoiar o Zé Manel para novo mandato de presidente do executivo comunitário.