8.3.08

ouço dizer que hoje há uma manifestação de professores...

... e fico certo de que é uma manifestação a favor da rápida modernização da carreira docente. Fico certo de que é uma manifestação a favor de premiar os melhores e de dar incentivos a todos para que sejam os melhores. Uma manifestação contra a indiferenciação, contra a "progressão" pelo deixar passar o tempo. A favor de que não se perca mais tempo a avançar nesse sentido. Depois de tantos anos (dezenas de anos) em que disso se falou mas não se fez, já tardava essa manifestação. Estou certo de que os professores protestam por esperarem há tanto tempo por uma avaliação que não coloque toda a gente no mesmo patamar. Que os professores estão contra a cobardia de tantos ministérios que adiaram essa modernização por medo de governar, que é tomar as decisões necessárias ao futuro e não as que se limitam a manter o status quo ante.
Poderia lá deixar de ser isso, uma tão grande manifestação?

a CGTP não é para velhos

O Eduardo Graça, que hoje em dia se preocupa mais com os movimentos profundos da sociedade do que com a espuma dos dias, escreve no Semanário Económico e no Absorto sobre os disparates que certas organizações (que deviam ser) responsáveis fazem quando colocam a pequena política à frente das grandes questões societais. Neste caso, falamos da compreensão da sociedade que aí vem com as novas tendências demográficas e de sabermos pensar e agir com consciência disso. É de ler.

7.3.08

fascistas de serviço à blogosfera

09:17
Certas classes profissionais fazem manifestações, com os respectivos dirigentes sindicais a pedir aos manifestantes para não levarem bandeiras partidárias (para não se ver o real empenhamento partidário?). Partidos da oposição fazem manifestações para mostrar as cores: os cartões de militante, as suas palavras de ordem. Todos estão no seu direito. É também disso que vive a democracia.
Entretanto, o partido que apoia o governo anuncia um comício e surge um ramalhete de vozes a criticar o descaramento do PS em se atrever. Em se trever a mostrar publicamente as suas posições. Vários, designadamente na blogosfera, dizem que isso é comparável às manifestações de apoio ao regime do Estado Novo. Essas vozes, para quem as liberdades só valem para aqueles que partilhem as nossas ideias, só podem merecer o epíteto de vozes fascistas de serviço à blogosfera. É o fascismo tolo de quem não mede as suas palavras, ou não sabe o que elas querem dizer, mas o impulso fascista está lá. É o impulso dos que julgam que cabe aos iluminados determinar quem é povo e quem é anti-povo, e que ainda pretendem que o "povo" tem o direito de mandar calar o "anti-povo".
Será que o PS, para se manifestar publicamente, tem de fugir às regras de convocação de manifestações, fazê-lo a encoberto, clandestinamente, tipo gato escondido com o rabo de fora, como outros fazem sistematicamente para fazer alastrar o desrespeito pelas leis?
Será que o PS, para se manifestar publicamente, tem de convocar por SMSs anónimos?
Coisa que não acontece há milhões de anos, começo a suspeitar que dia 15 de Março vou a um comício. Ao do PS no Porto. E nem vou dar a desculpa de ir ver umas exposições (o que é verdade) e visitar uns amigos (o que também é verdade).

5.3.08

Avaliação (Lendo Teodora Cardoso - 6)

00:49
Teodora Cardoso, que já aqui "lemos" várias vezes, escreve no Jornal de Negócios, sob o título A Avaliação, o seguinte:
«A prestação de contas e a avaliação do desempenho são parte integrante de sistemas de organização social complexos que exigem que as parcelas que os compõem disponham de autonomia de decisão, dentro de limites definidos, e prestem contas do uso que dela fazem.» [...]
«No domínio da educação, a mudança envolve necessariamente os professores. Os mais diversos estudos internacionais mostram que o enfoque na selecção e na qualidade dos professores constitui o factor mais significativo de diferenciação entre os sistemas que apresentam os melhores resultados em matéria de capacitação dos alunos para o ambiente cultural a económico moderno. Entre os países que mais rapidamente o reconheceram contam-se alguns onde o choque da imigração foi mais forte e obrigou, conjuntamente com a abertura da economia, a uma mutação mais radical. Não consta que os professores se tenham considerado atacados pela mudança de métodos. Apenas em França vimos isso acontecer e os resultados estão à vista, tanto em matéria de emprego como de coesão social. É entre esses modelos que temos de escolher e só podemos lamentar que uma classe que precisa de ser respeitada opte pelo insulto como instrumento de “defesa”.»
Versão integral em linha aqui.

Anteriores leituras de Teodora Cardoso aqui neste blogue: um, dois, três, quatro, cinco. Verifiquem, que é útil. Especialmente aqueles que se apressam a considerar "reaccionário" quem quer que não abençoe todas as manifestações "populares" que se perfilem no horizonte, verifiquem por favor.

4.3.08

a verdadeira face dos falsos apaziguadores

Isto é o que eles parecem:


Isto é o que eles são:


Basta rodá-los um pouco.


presidente, excelência, acabemos com o esconde-esconde

08:48
Apaziguar não é igual a lavar as mãos como Pilatos.
Não pode ser, num país que precisa de fazer rupturas para se reformar. Quer dizer, precisa de mudar de vida. E para isso precisa de fazer muito melhor.
Precisamos, pois, de compreender o significado de certas palavras presidenciais, quando elas querem ser vistas como apaziguadoras.
Quando Cavaco-presidente vem colocar-se acima das partes no confronto entre Ministério da Educação e professores acerca da avaliação, cabe perguntar: o que quer Cavaco como solução para o problema será a receita que ele próprio seguiu quando era primeiro-ministro? Para quem não se lembre, foi: fazemos uma coisa a que chamamos avaliação, mas todos podem ter a nota máxima (como também acontecia na generalidade da função pública). Isto é: fazemos de conta que avaliamos, mas isso não serve para nada e não tem quaisquer consequências.
Devemos a Cavaco-PM mais essa pérola do nosso atraso, mais essa responsabilidade pela debilidade do serviço público. O que Cavaco quer é que o Estado ceda mais uma vez nessa pedra de toque, fugindo às responsabilidades, como ele próprio fez? É para isso que tanto invoca a sua qualidade de ex-governante?
Nesse ponto está sintonizado com os sindicatos e com alguns professores. Mas é nesse ponto que o governo não pode ceder ao esconde-esconde do Presidente, para não perpetuar o esconde-esconde nacional.
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Adenda: O COGIR propõe uma viagem pela blogosfera acerca de professores e avaliação. Útil para quem, interessando-se pelo tema, não é viajante costumeiro deste universo.

3.3.08

interesse geral e bem comum

11:35
Alterar o regime de propriedade das farmácias deve estar dependente da opinião dos farmacêuticos? Mudar a política de saúde deve estar dependente da opinião dos médicos? A avaliação de desempenho dos professores deve depender do acordo dos professores? Penso que não. O interesse geral e o bem comum não se avaliam assim.
Tenho lido e ouvido sobre a oposição dos professores a certas mudanças. Têm certamente muito capital de queixa em muita coisa. E certamente devia regulamentar-se menos. E certamente devia seguir-se mais a via de dar autonomia às escolas, avaliar os resultados comparados e ponderados, e premiar de forma diferenciadora o mais e o melhor trabalho.
Mas haver políticos, disfarçados ou não de comentadores, que reduzem a desejabilidade de uma política à popularidade dessa política junto dos agentes afectados, isso é pura demagogia.

tandem russo

Quem julgava que bastava apear os sovietes para mudar a Rússia, tem muito em que pensar.


(Clicar para aumentar. Cartoon de Marc S.)