22.3.07

Red soul


(Foto de Porfírio Silva. Berlim, Dezembro de 2006.)

Caligrafia



(Foto de Porfírio Silva)

Caligrafia, no Templo do Buda de Jade, em Xangai, China. Caligrafia onde a luz mostra o seu espanto, onde a luz deixa uma marca de exclamação. Que espanto mostra a luz com esse sinal? Porque exclama a luz? Talvez pela nossa incompreensão.

Na China a escrita é um ramo das artes visuais, sem equivalente em nenhuma outra cultura. Os mais antigos testemunhos da escrita chinesa datam de há cerca de 3700 anos. As formas mais antigas eram inscrições divinatórias de que o soberano se servia para consultar os Espíritos sobre as grandes decisões do Estado. Essas primeiras inscrições traduziam conceitos e não falas. Pouco a pouco os símbolos foram-se aproximando da língua falada. A escrita chinesa mudou, entretanto, muito, mas mantém influência dessas origens.
Na China há escrita por todo o lado: em lugares de honra nos palácios e nos templos, nas paredes das lojas e das casas de chá, nas mais pobres casas da mais isolada aldeia.
Segundo certas opiniões, não é preciso saber ler chinês para apreciar a caligrafia. Pode apreciar-se a caligrafia sabendo como se escreve. Uma vez que cada caracter é composto por um número preciso de pinceladas, que devem ser dadas numa ordem precisa, podemos conhecer a dinâmica gestual que esteve na base de cada texto que vemos desenhado. E essa dinâmica pode ser apreciada mesmo sem compreender o chinês. O próprio conhecedor da língua chinesa pode ser colocado nessa situação, porque há uma forma de caligrafia (“escrita de erva”), uma espécie de estenografia frenética, que resulta quase indecifrável para a generalidade dos leitores chineses – mas é apreciada visualmente.
A caligrafia como forma de arte surgiu apenas no século III da nossa era, na época Han. A partir daí tornou-se uma disciplina, com teóricos, mestres, críticos, coleccionadores – até se tornar a mais prestigiada de todas as artes.
A caligrafia é executada com tinta, sobre seda ou papel, aplicada com um pincel – o que é um difícil exercício de controlo, requerendo concentração mental, equilíbrio físico, controlo muscular. Coisa para demorar muitos anos a dominar com alguma competência! A tinta, sendo instável (subtis matizes de brilho, negrura, profundidade, espessura, fluidez, secura, …), oferece inúmeras possibilidades expressivas. O papel ou a seda, sendo imediatamente absorventes, não permitem erros, nem hesitações, nem arrependimentos. Todas as tremuras do espírito ou do corpo ficam registadas.
Escrever: uma arte dos que apreciam a durabilidade do efémero.
(Recorremos ao capítulo 4 da obra de Simon Leys, Ensaios sobre a China, de 1998, com tradução portuguesa na Livros Cotovia, 2005)

20.3.07

Lá dentro dormem sentinelas


Vistas da noite no bairro de Ginza (Tóquio).
(Foto de Porfírio Silva. 7 de Novembro de 2005.)

As muitas camadas das nossas almas


Pormenor da obra de Anselm Kiefer (n. 1945) intitulada "Lilith am Roten Meer" (Lilith no Mar Vermelho), de 1990.

Comentário do autor junto desta obra: "Esconso é o futuro. Porque tudo o que é, passa. Há um capítulo maravilhoso em Isaías que diz: a erva crescerá sobre as vossas cidades. Esta frase sempre me fascinou, já em criança. Isto diz poeticamente que vês as duas coisas ao mesmo tempo. Isaías vê a cidade e as diferentes camadas sobre ela, a relva, e depois outra cidade, a relva, e depois outra cidade ainda."

Encontrámos esta obra exposta no Museu de Arte Contemporânea que se encontra instalado na Estação de Hamburgo, isto é, no edifício da antiga estação de caminho de ferro de onde se tomava o comboio para Hamburgo. Este museus reabriu ao público em 1996.
(Berlim, Dezembro de 2006. Foto de Porfírio Silva.)

19.3.07

Pensar é uma coisa tramada


Nas ruas de Lisboa.
(Foto de Porfírio Silva)

Um livro que vos proponho


Alguém me pergunta porque não informo aqui da saída recente do meu livro A Cibernética. Onde os Reinos se Fundem. Muito bem. Então, aqui vai.
Acabou de sair nas Edições Quasi, Biblioteca Os Dragões do Éden, Série Histórias da Ciência.
Podem descarregar-se dois ficheiros com a introdução e o índice (tal como apareciam nas últimas provas).


Clicar aqui para descarregar o Índice .


Clicar aqui para descarregar a introdução.


Abaixo pode ver-se a capa.

Comprem! Comprem!