13/11/13

sinto-me impotente.



Leio (aqui) que um deputado de esquerda, uma pessoa que até acho das mais razoáveis que andam pelo parlamento, um ex-governante, usou o adjectivo "frígida" para falar da ministra das finanças num artigo de jornal.

A ministra senta-se ao lado do deputado quando vai à respectiva comissão parlamentar, porque ele preside à dita. Como já não estamos em tempo de bengaladas, o que eu gostava mesmo é que a ministra tivesse estaleca para lhe dar uma indirecta que deixasse a comissão parlamentar a rir-se na cara do deputado. E que todas as televisões passassem nos noticiários das vinte e que todos os espectadores se rissem a bom rir. E que o deputado ficasse três meses com vergonha de sair à rua, tal a risota. É que estes machos latinos só percebem pela chacota.

E digo isto, notem, de uma pessoa que considero das mais bem preparadas e das mais decentes que ali andam. É isso que me dói.

12 comentários:

frigideira de preconceitos disse...

frí·gi·do
(latim frigidus, -a, -um)
adjectivo
1. Muito frio. = ÁLGIDO, GELADO, REGELADO
2. Apático, indiferente.
3. Que não demonstra desejo sexual ou interesse por sexo

Porfirio Silva disse...

Sim, frigideira, salta para dentro de ti quando estiveres bem quente e depois vem contar-me histórias, que eu nasci ontem.
Mas não te esqueças de trazer o recibo, caso contrário não entras.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Caro Porfírio
Peço desculpa, mas discordo em absoluto. Creio, sinceramente, que a crítica é muito injusta. Desde sempre, para mim, pessoa frígida teve este significado
http://cronicasontherocks.blogspot.pt/2013/11/da-frigidez.html

Abraço

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Peço desculpa, Porfírio, mas a crítica é muito injusta. Explico aqui porquê:
http://cronicasontherocks.blogspot.pt/2013/11/da-frigidez.html

Abraço

Porfirio Silva disse...

Caro Carlos, já respondi em sua casa.

Reproduzo aqui a resposta que dei lá:

Carlos, eu também sou do Norte. E por lá toda a gente que escreve artigos de jornal sabe para que se usa a palavra frígida. E, já agora, acho que precisa de um dicionário melhor. Esse que usou parece-me estar como os Lusíadas antes do 25 de Abril, sem o episódio da ilha dos amores.
Já agora: quando falo de política não liberto bílis; liberto opiniões.
Conheço o Cabrita (há muitos anos) e aprecio-o; mas, precisamente, sou sempre mais duro com quem vale a pena. Não sou é do género de tolerar "deslizes" graves: para isso já basta o pessoal do governo a desculpar o Manchete. Perdão, o Machete.

Porfirio Silva disse...

Caro Carlos,

Continuando: eu espero do Eduardo Cabrita que ele peça desculpa pelo uso de uma expressão inadequada. É como chamar velha a MFL, atingindo as mulheres com considerações completamente a despropósito. Estou farto desta linguagem sem respeito, usando termos que não acrescentam nada à política.

Um abraço

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Lamento,meu caro Porfírio, mas não querendo polemizar, mantenho tudo o que escrevi. A citação do post é do Dicionário Informal on line mas se consultar estes: Porto Editora, Infopédia, Priberam; Dicionário On line (português) verá que tenho razão. Sorry!
Abraço

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Porfírio
Percebo que a expressão bílis não lhe terá agradado. Peço desde já desculpa se o ofendi, mas não foi essa a minha intenção.
Quanto ao EC continuo a dar-lhe o benefício da dúvida. Sorry!

Porfirio Silva disse...

Ficando apenas pelo dicionário: não percebo porque diz que tem razão nesse ponto. Nenhum desses dicionários tem a conotação sexual do termo? Errado. Dos que menciona só experimentei o Priberam e esse tem o que falta no seu post.

Em tempo de guerra perde-se algum tempo a limpar armas disse...



Excitação a mais, parece-me a mim.

O termo "frígida" não será o mais elegante, de acordo, mas retirando a opcional conotação sexual tem exatamente o mesmo valor lexical de "gélida", "glacial", ou qualquer outro sinónimo que, decerto por precipitação coloquial, não foi o escolhido.

Acaso Eduardo Cabrita já o usou por escrito?

E focar a discussão neste "parnasianismo", se tem a virtude de contribuir para a elevação formal do debate público, possui contudo o demérito de poder desviar a atenção do essencial!

Que é tão importante, cada vez mais, que justificaria bem o adiamento de certos pruridos, ainda que justificáveis...

Porfirio Silva disse...

Desculpe ? !

"retirando a opcional conotação sexual" - mas é isso mesmo que está em causa, caramba.

"precipitação coloquial" ???
Pergunta-nos: "Acaso Eduardo Cabrita já o usou por escrito?"

Oh, valha-me Deus: e que tal ler o que está lá acima? E que tal olhar para o recorte de jornal?

Em tempo de guerra pode-se e deve-se limpar pelo menos algums armas... disse...



Pois é verdade, tem toda a razão no segundo ponto.

A precipitação foi minha, que passei pelo texto demasiado a correr e, não sei porquê, presumi que seria um termo utilizado (irrefletidamente) numa entrevista e não num artigo escrito.

Assim sendo, reconheço que já não foi tão deslocada a "limpeza da arma"...