13/06/12

Sherry Turkle: "esperamos mais da tecnologia e menos uns dos outros".


Vale muito a pena investir 15 minutos a ouvir esta conferência de Sherry Turkle: "Ligados mas sós?"

 



1 comentário:

Anónimo disse...

O "barbas" já tinha dito a propósito do capitalismo:

"Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas."

No entanto ele claramente substimou a capacidade do capitalismo ir empurrando para a frente o momento de encarar com serenidade a nossa posição social e as nossas relações recíprocas.

Quando as desterritorializações do capitalismo (para usar uma expressão de Deleuze) foram empurrando fluxos cada vez maiores de pessoas para as periferias de tudo - das cidades, da vida política, das decisões empresariais - tornou-se necessário compor novas territorializações - artificiais - que não contradigam aquelas, quer dizer, que reconectem as pessoas sem contudo afectar o seu fluxo para a periferia. O que daqui resulta é que a reconexão das pessoas umas com as outras é ela mesma periférica e artificial. É disto, fundamentalmente, que a sra. se queixa, do carácter artificial da comunicação, como a comunicação, ela mesma, entre as pessoas se deslocou para a periferia de suas próprias virtualidades.

O que antes era um meio por excelência de comunicar com os distantes - a palavra escrita - é hoje um meio cada vez mais dominante de comunicar com os próximos.

Eventualmente a fala, a comunicação verbal, servirá apenas para comunicar connosco mesmos, quer dizer, falaremos essencialmente enquanto falamos sozinhos :), de resto, segue mais ou menos tudo por escrito.

Aliás, se virmos a reacção dominante às ditas assembleias populares dos movimentos de indignados percebemos uma coisa: que se aqueles debates tivessem ocorrido online não haveria grande problema já que no fundo estaria submetido ao princípio da periferia; o horror foi que quela gente tivesse não só debatido na presença viva uns dos outros como ainda no centro da cidade.

João.