17/06/12

O treinador Fernando Santos não vai ganhar as eleições gregas.


Vejo por aí que já há uma leitura bem comportada para o resultado das eleições gregas: se a Syriza não ganhar é porque os gregos foram amedrontados pelos alemães e outros maus da fita. Presumivelmente, se ganhar a Nova Democracia, os gregos serão uns cobardes que se deixam amedrontar. Que bizarra visão da democracia!

Será assim tão simples? Não haverá nada a dizer sobre o facto de que a coligação Syriza, além de ser um saco de gatos que pode ter dificuldade até em se entender internamente, na verdade não explicou nada bem o que vai fazer com o rasgar do memorando com a troika se ganhar as eleições? É que isso pode indicar que mesmo eles não sabem o que hão-de fazer se o puderem fazer...

Tenho simpatia pelos que tentam encontrar uma alternativa às actuais políticas dominantes na Europa, principalmente quando só há hipóteses de sucesso em caso de a Europa agir em conjunto. Mas não tenho simpatia nenhuma pela ideia de que é fácil fazer isso, nem pela ideia de que estar contra é o mesmo que ter alternativas viáveis.
Defendo que os gregos, como todos os outros, têm tanto direito à escolha democrática como os alemães ou os holandeses; e sou contra a tentativa de prejudicar o debate interno na Grécia; mas estou firmemente convencido de que ninguém tem a saída ideal para os gregos ou para os europeus em geral. Em qualquer caso, vai ser preciso negociar e continuar a aproximar posições depois das eleições. É por isso que estou convencido que servirá melhor a Grécia o partido que seja mais capaz de continuar a reduzir o fosso interno após as eleições, não o partido com mais ideias feitas acerca do futuro próximo: é que "conhecer o futuro" quando o futuro está em aberto, pode ser boa magia, mas é certamente má politica. Creio, aliás, que a Syriza percebe isso melhor do que muitos dos seus apoiantes lusos.

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