12/10/11

este post tem bola vermelha, depois não se queixem que não avisei.



O Eduardo Pitta mencionou ontem, no FB, um dos poemas em prosa da Adília Lopes que falam de coisas importantes da vida com palavras que se usam mais na real no que nas versões literárias. Uma f-palavra, sim.
Isso serve-me para voltar a um tema sobre o qual já me debrucei (mas sem chegar a cair) anteriormente, então a propósito de Banda Desenhada. Como sou entusiasta leitor de livros desenhados por Milo Manara, já tive ocasião de reflectir que a fronteira do pornográfico na sua obra é uma questão. Uma das vezes que escrevi sobre isso foi por causa do álbum A Metamorfose de Lúcio, inspirado em O burro de ouro, de Apuleio, mas já anteriormente tinha notado que em outros álbuns as dúvidas eram resolvidas claramente do lado de lá da raia. O que, afinal, não é de estranhar: lá mais para trás na sua carreira, Manara foi desenhador de pornografia, ponto parágrafo. Não vou aqui regressar aos argumentos sobre o mal fundado de certas distinções, mas, perante este texto de Adília Lopes (do livro Irmã Barata, Irmã Batata, 2000)

Para foder, nestes tempos que correm, parece que é preciso um escafandro. As pessoas pensam muito em foder. E sofrem muito quando não fodem. Quem não pensa em foder está fodido. Mas as pessoas fodem e não são felizes.

tenho que dizer que, por muito que use f-palavras, é um texto seriíssimo, que diz verdades como punhos, e que são relevantes para multidões de exércitos perdidos na guerra do sentido de cada dia. Esse era o texto citado por Eduardo Pitta no FB, a propósito deste acontecimento, narrado no seu blogue.

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