13/10/11

desfolhada. e mal paga.


Passos Coelho acabou de falar ao país.

Afinal, PPC já não dispensa a desculpa de que tudo isto se deve aos anteriores governantes. A sua determinação em não ser passa-culpas durou pouco. Também descobriu, entretanto, que há uma crise internacional, que o que se passa cá dentro não depende só de nós. Esqueceu-se foi de dizer que, anteriormente, fazia de conta que não sabia disso. Mas isso, no conjunto, não interessa muito.
Interessa mais que, das duas uma: ou PPC passou a última campanha eleitoral a mentir descaradamente o tempo todo, ou não fazia então ideia nenhuma da gravidade da situação. Em qualquer dos casos, a permanente revisão das previsões, a sucessiva passagem de mal a pior, era antes culpa das más políticas, porque isso convinha à sua demagogia de tomada do poder - e agora passou a ser culpa exclusiva dos outros. O mundo tem de ajustar-se ao discurso que mais lhe convém politicamente, é o que parece. Mas isso ainda não é o que realmente importa.
Importa mais que PPC tenha, em campanha eleitoral, dado como assente que tinha a lição estudada, que sabia muito o que fazer, e que os outros é que, ignaros, tinham dúvidas. Foi assim, notavelmente, na redução da Taxa Social Única, que afinal passou da evidente bondade de uma redução substancial para a actual decisão de não haver mexida nenhuma. Mas isso não é ainda o osso da questão.
Já começa a ser o osso da questão que PPC fale ao país sem uma palavra que seja acerca de como vamos estimular a economia. Para usar as próprias palavras de PPC, antes de ser PM, este é o caminho para matar o doente com a medicina. Isto já começa, de facto, a ser uma questão central.
Contudo, muito mais decisivo é que PPC faça de conta que Portugal pode safar-se à custa da sua própria austeridade, ponto final. A malta aperta o cinto até só caber um palito - e sobrevivemos. Está absolutamente errado. O que nos vai acontecer depende essencialmente do que a Europa vai fazer. Provavelmente, quem cai a seguir à Grécia nem sequer é Portugal, mas a Itália. E o que isso representa para nós não depende da meia hora de trabalho a mais por dia, nem da evaporação dos subsídios de férias e de Natal. O actual PM, que chegou ao lugar graças a um golpe do baú à boleia da crise, dizendo que a permanente revisão das previsões se devia à burrice das políticas do governo deste jardim à beira do mar plantado, que dizia que tudo se resolvia sem mais sacrifícios desde que tivéssemos juízo, afinal não tem juízo e continua a não perceber que isto não é uma ilha no meio do oceano Pacífico.

Bom, para não estragar o jantar, consolem-se com esta magnífica versão da Desfolhada. Mais não vos posso dar.




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