04/01/11

estatística


Primeiro disparar, depois perguntar. Este é o princípio dos comentadores encartados cá do burgo. Incluindo os comentadores que se fazem passar por jornalistas, mas que detestam fazer o trabalho de casa e preferem escrever antes de... se informarem, pois. Assim sendo, e por haver a estrita necessidade de acrescentar alguma cor ao que escrevemos, por mor das audiências, qualquer coisa que neste país se faça de novo começa de imediato por ser embrulhada na suspeição-padrão dos tempos que correm: presume-se ser peça de mais uma maquinação, uma malfeitoria do PM, do perfidamente incansável Sócrates.
As mudanças de método no inquérito ao emprego, que o INE publicitou agora, não escapam a esse fado: o comentarismo indígena topou logo que se destinava a cortar artificialmente os números do desemprego em ano de crise. Uma hipótese, amplamente glosada, mesmo quando embalada num pacote mais vasto de hipóteses, é que "o INE está ao serviço de uma agenda política que tem como finalidade a ocultação de dados sobre a realidade do desemprego em Portugal".
Uma parte do burburinho é puro fruto da ignorância. Aqui dão-se exemplos.
Outra parte do burburinho é incompetência social do INE, que não parece ter compreendido que este anúncio tinha de ser, desde o início, absolutamente transparente e esclarecedor ao pormenor.
Hilariantes são as caixas de comentários de alguns blogues populares, onde até se aventa que o próximo Censo também será absolutamente telefónico.
Finalmente, parece que o INE começou a pensar em esclarecer alguma coisa. Ou alguém se lembrou que talvez não fosse mau perguntar, em lugar de inventar. As explicações do INE sobre mudanças no cálculo do desemprego talvez cheguem tarde, mas pode ser que ajudem a acalmar o fervor dos que, à cautela, avançam sempre a mesma explicação conspirativa para tudo o que não conhecem nem querem conhecer.
As telenovelas são mesmo um produto popular neste jardim à beira do mar plantado, caramba.

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