18/05/10

desafio linguístico


Este desafio linguístico foi-me re-endereçado por correio electrónico por um Amigo que, nem sendo português, é um grande conhecedor da língua e da cultura portuguesas, aquém e além mar. O desafio é: o que falta neste texto? Que elemento corrente da escrita em português está ausente deste texto?

Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.
Pode-se dizer tudo, com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo. Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinónimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo desporto do intelecto, pois escrevemos o que quisermos, por exemplo, sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher.
Podemos, em estilo corrente, repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos. Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir.
Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objecto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem o nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês.
Por quê? Cultivemos o nosso polifónico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

Obrigado, Z.B. - e um grande abraço.

Respostas na caixa de comentários aqui no blogue. Confirmação da resposta dentro de dias, aqui no blogue. É claro que, querendo resolver o desafio, não é boa ideia ir primeiro à caixa de comentários...


4 comentários:

Filipa disse...

É o "A"?

T.Mike (Miguel Gomes Coelho) disse...

Vi um texto assim, era eu puto, há mais de 50 anos, numa daquelas colecções tipo Cavaleiro Andante.
Já tentei e é muito, muito difícil.
Um abraço.

António Souto disse...

Como disse Filipa, e com razão, é o grafema (letra) «a».
Interessante como se pode dizer tanto, embora não se possa dizer tudo, ou melhor, se calhar até sim, mas não o que o coração ou a razão nos ditar em cada momento!...

Porfirio Silva disse...

Sim, é o "A".