10.3.12

"Devil of Mine".



It was the darkest of nights, witching hour was upon us,
The wind was biting, my knees were bloody,
And I had ripped my dress.
The tallest oak tree was torn asunder on the blasted heath
And as I emerged into the clearing,
I heard a familiar sound underneath...

I heard a slight exhalation on the second beat,
The sound of a thousand souls slipping under,
Bass like thunder forty feet deep had my
Toe bones tapping my hip bones a-rattling.
Where the devil is that devil of mine?
Quick step roulette rotating in time.
He could have any heart he wanted but he chose mine...

An extended hand should always been shaken,
An invitation must never be declined,
An appointment should always be kept,
Four steps further into the furnace
Bathed in a hell of a sweat
Rinsed of all I could remember
The gates of hell smell of gin and regret...

I heard a slight...

He moved towards us his cravat was exquisite,
In the dark silkness is a hint of a diamond
Glittered against his milk white neck.
The way he wore his weary stare had
All the young girls all of a flutter
When his dark eyes met mine
I felt my poor weak heart melt like butter....

I heard a slight...

A certain scent on the air had me pricking up my ears,
A waft of indecision then a thought of clear precision.
Oh dear sweet Jesus what the hell is that stench?
As the sun rose it's rays exposed something that I would rather forget.
I got in a pelter,
I ran helter skelter and I made it to the top of those infernal steps.

I heard a slight...



9.3.12

o pós-Cavaco.


Agora que está claro que começou a era pós-Cavaco, está na hora de começar a contar as espingardas que José Manuel Durão Barroso tem andado a plantar nos mais diversos pousos desta magnífica capital. Serviços públicos, serviços ao serviço da Comissão Europeia a controlar os fundos comunitários, meios de comunicação social, coisas dessas e mais.
Alguma razão haverá para nenhum jornal piar sobre isto. Haverá, sim.

será mesmo marido de papéis passados?, eis a magna questão.


A ex-deputada e dirigente do PSD Ana Manso terá, enquanto directora da Unidade de Saúde Local da Guarda, nomeado o marido para auditor interno daquela unidade de saúde. Segundo o SOL, a administração remete explicações para o início da tarde. Se vier a sair um comunicado a dizer que a senhora não pode ter nomeado o marido, por nem sequer ter marido, não se esqueçam de perguntar se marido Manso e esposa Manso o são apenas informalmente. Não vão eles ter aprendido a lata da ministra da justiça, que diz que não tem cunhado por não ser casada - mas esquecendo-se de dizer que tem namorado, amante, concubino, paixão de junto viver, ou o que seja. E que, portanto, para aquilo que ao público importa, tem cunhado, sim senhora. Não que a mim me rale que tenham ou não papéis - mas rala muito que queiram fazer passar o país por tolo, com meias palavras.

(Adenda: o marido não vai ganhar nada pelas funções. Ainda bem. Mesmo assim: é tão pequeno o país e o lote dos servidores públicos, a ponto de ter alguém de se servir da prata da casa para gerir como deve ser um serviço?)


del rigor en la ciencia.


Proponho-vos Jorge Luis Borges (por sua própria voz) para pensar a ciência.



En aquel Imperio, el Arte de la Cartografía logró tal Perfección que el Mapa de una sola Provincia ocupaba toda una Ciudad, y el Mapa del Imperio, toda una Provincia. Con el tiempo, estos Mapas Desmesurados no satisficieron y los Colegios de Cartógrafos levantaron un Mapa del Imperio, que tenía el Tamaño del Imperio y coincidía puntualmente con él. Menos Adictas al Estudio de la Cartografía, las Generaciones Siguientes entendieron que ese dilatado Mapa era Inútil y no sin Impiedad lo entregaron a las Inclemencias del Sol y los Inviernos. En los Desiertos del Oeste perduran despedazadas Ruinas del Mapa, habitadas por Animales y por Mendigos; en todo el País no hay otra reliquia de las Disciplinas Geográficas.
Suárez Miranda: Viajes de varones prudentes,libro cuarto, cap. XLV, Lérida, 1658.

Texto, atribuído por Borges ao imaginário Suárez Miranda, publicado pela primeira vez em 1946, na revista Los anales de Buenos Aires. Pertenceu depois à Historia universal de la infamia, em 1954, e foi incluído por Borges e Casares na antologia Cuentos breves y extraordinarios, antes de fazer parte de El Hacedor.

a verdadeira divisão nas hostes governamentais.

14:00

O vice-presidente da bancada do PSD, Luís Menezes, acusou a empresa Estradas de Portugal de ser "um braço político armado do anterior governo socialista". Declarou ainda que o PS está a fazer uma “chafurdice política” com esta questão.

A história da chafurdice política nem merece comentário: ter que defender um governo que não cuida do dinheiro dos contribuintes e um PM que não sabe de nada acerca de uns míseros milhões de euros, obviamente estoura com os miolos de qualquer deputado para quem a politiquice vale tudo, levando-o ao insulto como arma primária.

Mais sério do que isso é o facto de um dirigente parlamentar do principal partido do governo criticar uma empresa pública por esclarecer um assunto de interesse público. Dizer a verdade, talvez por contraponto com PPC a dizer disparates e falsidades no parlamento, é, para aquele vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, ser o braço armado de alguém. Já a Lusoponte, que tem lá há meses uns milhões de euros onde nunca devia ter posto a mão, não é o braço armado de nenhum inimigo do po(l)vo, já que Joaquim Ferreira do Amaral, ex-regedor na freguesia de Cavaco Silva, toma conta da ocorrência e é um amigo de peso.

Realmente, o PSD está profundamente dividido. Entre duas alas. De um lado, a ala que adora estes escândalos com empresas públicas e dinheiros públicos, como argumento para desmantelar tudo o que seja público. De outro lado, a ala dos que querem sacar o mais possível a essas empresas e erário público, antes que seja tarde. Essa parece ser a grande divisão no actual PSD, não aquela que passa pelo alecrim e manjerona entre dois independentes, um nas finanças e outro na economia.

por falar em faltas de lealdade.




um manhoso com doutoramento.

10:20


Prefácio do Presidente da República no livro de intervenções Roteiros VI.

Se Cavaco Silva já mostrou que não é capaz de separar os interesses da sua pessoa privada do exercício da função presidencial, poderíamos dele esperar que poupasse à Presidência a estultícia de usar o cargo para tonificar os seus rancores político-pessoais, mesmo que isso implique colocar na praça pública, durante o exercício do seu mandato, conversas e actos praticados no quadro da relação discreta com outros titulares de órgãos de soberania?
Cavaco Silva está, antes de mais, preocupado consigo mesmo; a solidariedade não lhe diz nada, nem sequer na relação com os seus companheiros de partido, que sempre tratou como peças descartáveis da sua vidinha. O sentido de Estado, para ele, só vale na medida em que pensa, quase como o rei-sol, que o Estado é ele. A noção das instituições está, no seu comportamento, sempre dependente da sua obsessão pela imagem do herói que se julga. Cavaco Silva é um manhoso com doutoramento.


8.3.12

close the wage gap.

18:00


The only way to make more than men?


On average, women still earn 23% less than men. One of the main reasons this issue still exists is that too often young women make career choices led by general expectations. Equal Pay Day however wants to motivate them to think about these expectations, and not just follow them blindly. Sasha Grey wants to as well, and to help spark the debate, she's agreed to share the story about her short but demanding career in adult entertainment.

retratos de mulher, um entre muitos.


"Calçada de Carriche", poema de António Gedeão, canta Carlos Mendes, música de José Nisa, orquestração de José Calvário, sobre pintura de Paula Rego.


diz, espelho meu.



Li Wei, Liwei falls to 2007.12.27, Beijing 2007

ninharias.


Radiografia de uma marosca (excerto):
A terceira conclusão é que este governo tem duas posturas consoante lida com grandes empresas ou com os pobres. Quando se enganou em dezenas de milhares de pequenos subsídios o governo fez as contas muito depressa e mandou recuperar os tostões pagos a mais sem qualquer renegociação ou acordo adicional. Agora que está em causa uma empresa de amigos a coisa tem que ser renegociada, a empresa leva o dinheiro a que não tem direito e deixem estar, não estejam preocupados, quando negociarmos o nono acordo logo fazemos contas. Não é difícil de imaginar que quando o Ferreira do Amaral (o tal ministro que ia fazendo xixi pelas pernas abaixo durante o boicote da ponte) ligou para o secretário de Estado este até se terá levantado da cadeira e curvado a coluna como se estivesse na presença de um membro da troika.

in O Jumento.

vemos, ouvimos e lemos.

11:29

8 de março.

10:00

Maria de Lourdes Pintasilgo:
O feminismo não é a luta das mulheres contra os homens: é a luta das mulheres pela sua autodeterminação; é o processo de libertação de uma cultura subjugada; é a conquista do espaço social e político onde ser mulher tenha lugar: Luta, libertação e conquista que significam necessariamente uma maior riqueza para tudo o que é humano.

Lembrado por Ana Couto.

7.3.12

a fé da ministra Cristas e a chuva.


Aturado estudo teológico explicou o fraco rendimento da fé da ministra Cristas na produção de chuva em solo pátrio: Dona Assunção rezou em Bruxelas, durante uma deslocação a um Conselho de Ministros europeu, tendo esquecido mencionar na oração qual o território que queria ver regado. O resultado do mau endereçamento é que anda a chover a nossa chuva no norte da Europa, enquanto nós continuamos a ver navios. Moral da história: até para ter fé é preciso competência.

(Esclarecimento. Não tenho nada contra a fé da Senhora, nem de qualquer outro. Tenho contra o seu uso no argumentário político.)

por favor, não venham todos ler este blogue ao mesmo tempo, para não causarem aborrecimentos destes.


RTP sem espectadores durante 30 minutos na tarde de terça-feira.

De acordo com os dados recolhidos pela empresa de audimetria GfK do consumo ao minuto, na tarde de terça-feira, ontem, a RTP1 perdeu todos os espectadores de repente, às 17h25, quando no minuto anterior estavam 247.800 pessoas a ver o canal. Esse vazio prolongou-se até às 17h55, quando de repente o primeiro canal passou a ver visionado por 295.700 espectadores. Este apagão de espectadores na RTP1 não foi o único de ontem: o canal público também esteve a zero nos períodos das 03:56 às 04:15, das 04:39 às 04:53 e das 05:15 às 06:32.

Reitero o apelo aos telespectadores, especialmente da RTP, para não saírem todos de frente da televisão quando aparecer um novo post aqui no blogue. Isso evitaria este fenómeno do desaparecimento das audiências. Agradecido pela vossa atenção.

isto não é sempre tudo mais do mesmo.

12:29

Eu até concordo que Portugal não pode dar a ideia de que está sempre a pensar em tudo menos em cumprir o Memorando de Entendimento com a troika. É que ninguém está disposto aos sacrifícios que resultariam de prescindirmos do empréstimo que esses mauzões nos fizeram e fazem. Só que isso não implica engolir tudo sem um pio. As condições estão a mudar, sabemos mais hoje do que sabíamos ontem, temos de ir acompanhando a evolução do assunto. Em particular, ninguém pode pedir ao país que faça de conta que não se apercebe da iniquidade da situação. Como resume hoje Rui Tavares, no Público:
Se ainda tivessemos capacidade para o escandalo, isto deveria chegar. Num único dia de dezembro passado, o Banco Central Europeu disponibilizou 500 mil milhões de euros em empréstimos para os bancos europeus. Isto é mais do que foi emprestado à Grécia, à Irlanda e a Portugal em dois anos. Num único dia de março, o Banco Central Europeu decidiu reforçar a dose e os bancos europeus não se fizeram rogados: de assentada, tomaram mais de 500 mil milhões de novos empréstimos. E quem não o faria? O juro era de um por cento. Aos países pedem-se juros cinco vezes maiores, e mais. (...) O Banco Central Europeu esforça-se por deixar claro que aqueles empréstimos são sem condições, que os prazos de pagamento foram triplicados e que, para os obter, qualquer garantia serve. Um bilião de euros aos bancos, em dois simples dias, a um por cento, sem condições, com prazos alargados, com quaisquer garantias, sem nenhum sacrifício.

Perante isto (vale a pena ler o resto do artigo), e tudo o mais que se sabe (os resultados que a austeridade dá, o que os países mais ricos ganham com a situação, ...), não podemos simplesmente continuar a navegar à bolina como se nada fosse. Não pode o governo da nação, se se deixar de preconceitos ideológicos. E não pode a oposição moderada (o PS), se quiser fazer o papel que cabe a qualquer oposição leal: mostrar caminhos alternativos.


os salvadores do mundo, outra vez.

10:08

Um dos grandes hackers mundiais era afinal informador do FBI.

Já anteriormente me insurgi contra a tendência para ver os grupos de hackers que por aí andam como uma espécie de fazedores da justiça que falta neste nosso mundo. Perguntando "quem nos salva dos salvadores?", escrevi que essas multinacionais anónimas não andam muito longe da lógica das "milícias populares" que se reclamam da "justiça por suas próprias mãos", num estilo em tempos muito incentivado por Paulo Portas e quejandos. Escrevi que estava inscrita neste tipo de organização a lógica do abuso - abuso esse que, por definição, se coloca fora de qualquer tipo de controlo democrático, popular, jurisdicional, seja o que for.
Acresce, pela notícia acima mencionada, que essas redes "libertárias" são pasto para as polícias. Faltando acrescentar, claro está, que os serviços secretos lhes chamam um figo, mesmo que isso não venha nas notícias. Nada de novo: a infiltração nos que, de algum modo, pretendem representar o lado de fora do sistema, é coisa velha. É esse perigo que ampliamos quando acolhemos, com a pachorra dos indignados que tão indignados são que engolem tudo o que lhes pareça underground, quando acolhemos as pretensões justiceiras dos mascarados tecnológicos e suas invasões de tudo o que pareça discreto ou não publicado.
Nada disto me surpreende. O que ainda me consegue surpreender é a ingenuidade com que gente experimentada aplaude essas milícias info-tecno que espalham a sua coscuvilhice por todo o mundo, sem qualquer tipo de controlo democrático, vestidos de grandes anarcas e montados na ideologia anti-Estados, aureolados pela utopia da total transparência - só para criarem mais um poder oculto que, certamente, o cidadão comum nunca poderá escrutinar.

6.3.12

Pedro Nuno Santos ouvido na Grécia e arredores.


Pedro Nuno Santos fez, há tempos, o susto das boas almas de pacatos cumpridores que por cá andam, dos que pagam e não bufam, quando explicou (talvez com demasiada exuberância) que os aflitos devedores também têm armas.
Entretanto, (Grécia ameaça com default os credores que não aceitem perdão da dívida) os que, na altura, abriram tanto a boca de espanto que quase rasgavam os cantos do sorridente órgão, devem estar já a mandar telegramas de repúdio para a Grécia. Ou já perceberam que o mundo é mesmo assim?

tiro ao Álvaro.

Via Latina.





um whisky ainda de manhã.




A Ana Paula Sena Belo, que exercita a sua condição de filósofa, entre outros lugares, no blogue Catharsis, publica um texto sobre Sociedades Artificiais. O alvo do texto é o meu livro Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais (2011).
O texto da Ana Paula é uma reflexão muito pertinente. Dar-lhe-ei a resposta que é a minha, aqui, dentro de pouco tempo. Aproveitarei, então, para esclarecer um ponto das minhas ideias contidas nesse livro, um ponto que talvez esteja mal explicitado e tenha enganado mais do que um.
Deixo-vos, entretanto, com o whisky sugerido pela Ana Paula...


5.3.12

neste dia de 1871 nasceu Rosa Luxemburgo.

21:31

condomínios.

16:15


Le Pen: as salas não enchem, as sondagens não sobem, o dinheiro não entra.


A França tem uma longa história de truques procedimentais a influenciar o processo político. O exemplo que me vem mais claramente à cabeça é o do recorte dos círculos eleitorais que, em sistema maioritário (o vencedor leva tudo), teve durante muitos anos um rendilhado intencionado para prejudicar a esquerda nas legislativas.
Agora é a candidata da extrema-direita populista que corre o risco de não se conseguir apresentar às presidenciais, porque a candidatura depende da assinatura de notáveis (eleitos de vários tipos), apesar de a eleição ser universal e directa. Está bem de ver que abomino o papel político da casta Le Pen, mas isso não me impede de abominar igualmente que os sistemas políticos tenham tantos truques a proteger os que já estão sentados do lado de dentro da fronteira (ela mesma execrável, sempre que não sirva a abertura representativa do sistema) que separa o "reino do político" do "reino do social".

neste dia de 1922 nasceu Pier Paolo Pasolini.

14:15

A UM PAPA

Poucos dias antes de morreres, a morte
pousou os olhos em alguém da tua idade:
aos vinte anos, tu estudavas, ele era pedreiro,
tu, nobre, rico, ele, um rapazote plebeu:
mas os mesmos dias douraram sobre vós
a velha Roma, voltando a dar-lhe a sua juventude.
Vi os seus despojos, pobre Zucchetto.
Andava de noite, bêbado, à volta dos Mercados,
e um eléctrico que vinha de San Paolo atropelou-o
e arrastou-o por uns metros de carris no meio dos plátanos:
durante umas horas ficou ali, sob o rodado:
poucas pessoas se juntaram em redor, olhando-o,
em silêncio: já era tarde, havia pouca gente.
Um dos homens que existem para que tu existas,
um velho polícia, desbocado como todos os patifes,
gritava aos que se aproximavam mais: «Larguem-lhe os colhões!»
Depois veio uma ambulância buscá-lo:
as pessoas desapareceram, só ficaram uns grupos aqui e acolá,
e, mais à frente, a dona de um cabaré,
que o conhecia, disse a um recém-chegado
que Zucchetto tinha ficado debaixo de um eléctrico, que estava morto.
Poucos dias depois, morrias tu: Zucchetto era um
dos do teu grande rebanho romano e humano,
um pobre bêbado, sem família nem leito,
que andava de noite, vivendo ao deus-dará.
Tu ignoravas: como ignoravas
outros milhares e milhares de cristos como ele.
Talvez seja cruel ao perguntar por que razão
a gente como Zucchetto é indigna do teu amor.
Há lugares infames, onde mães e filhos
vivem na poeira antiga, na lama de outras eras.
Não muito longe de onde tu viveste,
à vista da bela cúpula de San Pietro,
fica um desses lugares, o Gelsomino...
Um monte cortado ao meio por uma pedreira, e no sopé,
entre um charco e uma fieira de prédios novos,
um montão de tugúrios miseráveis, não casas mas pocilgas.
Bastava um gesto teu, uma palavra,
para esses teus filhos terem uma casa:
nunca fizeste um gesto, nunca disseste uma palavra.
Ninguém te pedia que perdoasses Marx! Uma vaga
imensa que irrompe sobre milénios de vida
te separava dele, da sua religião:
mas não se fala, na tua religião, de piedade?
Milhares de homens sob o teu pontificado,
diante dos teus olhos, viveram em estábulos e pocilgas.
Tu sabias que pecar não é fazer o mal:
não fazer o bem, isso sim, é que é pecar.
Quanto bem podias tu ter feito! E não fizeste:
não houve quem mais pecasse do que tu.


Pier Paolo Pasolini

(tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo, Assírio & Alvim, 2005)

as consequências sociais das medidas anti-crise: marginália.

10:37

Em post anterior (publicado há minutos), deixei, a título de serviço público, uma série de relatórios sobre as consequências sociais das medidas anti-crise, elaborados a pedido do Grupo dos Representantes dos Trabalhadores no Comité Económico e Social Europeu.
Antes de, eventualmente, voltar a eles mais substantivamente, deixo desde já duas notas.
Nota 1. Logo na segunda linha do relatório sobre Portugal, em português, da autoria de um querido amigo, fala-se do "Concelho Europeu". Quando, há muitos anos, fui presidente do Conselho Pedagógico de uma escola, sempre que recebia um requerimento dirigido ao presidente do Concelho Pedagógico mandava chamar o requerente e perguntava-lhe em que distrito ficava aquele concelho.
Nota 2. A nota 1 é sobre uma calinada linguística. Noutro plano, é curioso que o autor fale no descrédito dos cidadãos relativamente aos partidos do arco da governação. O "arco da governação" inclui o Bloco de Esquerda?! Ou o autor esquece o tombo colossal do BE nas últimas eleições? A bem abrir os olhos, conhecidos os seus empenhamentos partidários, o autor deveria curar de ser menos parcial, quanto mais não seja para não descredibilizar logo de entrada o seu contributo.
Mas, enfim, continue-se lá a ler os relatórios.


as consequências sociais das medidas anti-crise.

10:05

4.3.12

especialidades.


Tal como as pessoas, as organizações, não podendo ser boas em tudo, especializam-se.
Pelos vistas há escolas privadas que se especializam em meter alunos no ensino superior. Pode é ser o caso que essa especialidade não seja a mais relevante para o país ou as gentes.
Terá, ainda assim, o seu mérito, essa especialidade. Por exemplo, atrair o carinho do ministro Crato.

«Um estudo da Universidade do Porto concluiu que a classificação de entrada não permite prever o desempenho académico individual e que, em média, os estudantes provenientes de escolas privadas revelam pior desempenho do que os das escolas públicas.» (Fonte)

ao serviço da mentira.


Este texto do Provedor do Leitor do Diário de Notícias mostra duas coisas importantes, embora medonhas. Primeiro, que há documentos internos do governo que incentivam a propaganda pró-governamental baseada em mentiras. Segundo, que há jornalistas (mesmo jornalistas "seniores") que aceitam, mesmo que seja por passividade, transformar a sua pena em caixa de ressonância das mentiras do governo. Assustador, este país.

o novo ciclo do PSD.


Eleições PSD. Passos Coelho: "Inicia-se um novo ciclo no PSD".

Conversa da treta. Os partidos que governam não estão lá para mudar ciclo nenhum: estão lá para cumprirem o ciclo em que se (nos) meteram, o melhor que forem capazes. E não me venham dizer que é uma mudança de ciclo interna: o "interno" do partido que governa é "externo", se falarmos verdade politicamente. Se assim não fosse, os partidos seriam hordas de putos reguilas, em vez de instrumentos da governação do país. Mas PPC já nos habituou a dizer tudo o que lhe vem à cabeça, pondo depois a culpa para cima dos outros (ele mente, quer dizer, faz tudo ao contrário do que prometeu, por causa da herança).
A menos que o "novo ciclo" do PSD seja começar a governar de acordo com as promessas eleitorais, com as quais ganhou as eleições... Essa é que seria uma mudança importante.