11/07/12

o estado da nação.


O estado da nação é que não somos capazes de nos entender, colectivamente, acerca de quais são as opções possíveis para o nosso futuro comum (para deitarmos fora as opções que só o são no plano da retórica), não fomos ainda capazes de ver claro como nos organizarmos de forma equitativa (para não andarem uns a comer fartamente à conta dos outros) e não somos capazes de negociar um caminho em que todos possamos beneficiar de alguma maneira. O vírus do individualismo radical é a marca civilizacional do nosso tempo: há-o para todos os gostos, desde a direita mais direita à esquerda mais esquerda, com roupagens de liberalismo ou roupagens de anarquismo. Não há verdadeiramente ideias novas acerca de como fazermos comunidades políticas participadas, sólidas desde os alicerces, onde toda a gente tenha voz, sem descurar a necessidade de uma condução organizada do todo. Numa palavra: os físicos conseguiram pôr-nos a usar instrumentos que dão alguma utilidade prática às suas descobertas, os cientistas e os filósofos da sociedade não conseguiram pôr-nos a funcionar melhor como colectivo. E o estado da nossa nação é bem um exemplo disso.

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