18/10/11

uma pergunta pelo seguro.


Quanto tempo vai a actual direcção do PS - por omissão, inépcia, distracção, ou seja lá pelo que for - continuar a ser cúmplice da táctica do actual governo, que consiste em culpar os anteriores governos socialistas pelas políticas actuais? Se António José Seguro continuar a olhar para o lado, assobiando, sendo ainda aquilo que foi nos últimos anos (um opositor mal disfarçado de Sócrates), em vez de assumir o património completo do PS, veremos a prazo um enterro compósito: Seguro arrisca-se a ser enterrado na mesma cerimónia fúnebre de PPC. Ou será que Seguro simplesmente não percebe o que está em causa e goza, impudicamente, a tentativa de PPC para debitar ao PS esta política, com base em mistificações e ideologia da dura?

O último processo eleitoral no PS teve um gravíssimo defeito: não fez o balanço do socratismo. Fazer o balanço é preencher as colunas do "conseguido" e do "falhado". E as colunas do "ainda bem que não se conseguiu, apesar de tentado" e do "pena não ter tentado". Fazer o balanço é identificar os métodos, respectiva eficiência e eficácia: houve suficiente diálogo social? houve suficiente flexibilidade negocial? houve a sabedoria de distinguir o essencial do acessório? quanto custaram as más opções nesse campo? Fazer o balanço é escrutinar as alianças e seus efeitos na correlação de forças quando a luta aquece: foi sábio desistir do diálogo da esquerda? foi boa ideia não tentar um bloco central? poderia fazer-se melhor com um presidente errante? Fazer o balanço serve para medir o passo, fazer contas com a responsabilidade, consolidar o património, abrir caminhos com melhores mapas. Nada disso se fez. Em particular, o actual SG do PS evitou imprudentemente dizer uma palavra que fosse de relevante para resolver essa questão. Agora, parece que a actual direcção do PS tem um certo gozo em deixar passar a mistificação que por aí anda. Seguro engoliu a narrativa da direita ou não a percebeu - e, por isso, engole-a na mesma? Que tenham de vir antigos ministros e secretários de estado explicar em público como as coisas se passaram, e quais são os números, como se houvesse um PS velho e um PS novo, e o PS novo lavasse as mãos, não augura nada de bom. Porque para estes tempos difíceis não serve de nada um PS de facção.

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