03/10/11

quem é o vândalo, quem é o artista?


Em Bristol, pintar por cima da arte de rua é “acto de vandalismo” .


Não me torno um artista plástico por pintar umas coisas a óleo numa tela.
Não sou um vândalo só porque pinto certas coisas em certas paredes.
Tenho todo o direito de pintar uns garatujos numa tela: em princípio a tela é minha.
Algumas pinturas em paredes são arte.
Uma pintura na parede de um prédio pode ter verdadeiro valor artístico e, contudo, vandalizar uma propriedade.
Definir o que é arte há muito que é um problema, mas não queremos que haja nenhuma autoridade para resolver esse problema.
Os proprietários de um prédio têm o direito de não serem escolhidos para suporte de uma obra de arte, que até podem nem reconhecer como arte.
O artista pode ser um vândalo, o vândalo pode ser um artista, as regras para definir "vândalo" e "artista" devem permanecer separadas? E se, sendo esse o caso, encontrarmos maneira de perseguir os artistas com outras justificações? E se, não sendo o caso, protegermos os vândalos, com outras justificações?

Nada disto é novo, nada disto é original.

Talvez seja novo que, em vez de proteger as paredes, uma população queira proteger quem pintou as paredes dos outros. Esse é o caso relatado pela notícia que anotamos. Lê-se: «Uma criança está prestes a surpreender um sniper da polícia pronto a disparar, rebentando nas suas costas um saco de papel. Esta era a imagem que se via do Hospital Pediátrico de Bristol, até recentemente a obra de Banksy ter sido pintada de preto. O artista nada diz, como é seu apanágio, mas a população local está com ele.» A imagem é a que fica lá ao alto.

Que vos parece?

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