15/09/11

uma história pouco católica.


Hoje vou fazer algo que não me dá nenhum prazer. Contar um episódio tão vergonhoso que preferia deitá-lo para trás das costas. Um episódio no qual estou pessoalmente envolvido. Escrevo porque acho que tenho esse dever. Um dever de cidadania, fazer saber que há coisas que se passam entre nós.

No passado mês de Março tomei conhecimento, por uma lista de filosofia, de um Aviso da Faculdade de Ciências Humanas (FCH), da Universidade Católica Portuguesa (UCP), segundo o qual estava aberto um procedimento para seleccionar um candidato ao preenchimento de uma vaga de leccionação na Licenciatura em Filosofia dessa instituição.

Considerada a precariedade da minha actual actividade de investigador, e depois de informar o coordenador do meu laboratório, apresentei (dentro do prazo, até 2 de Maio) a minha candidatura. O processo constava de uma fase documental, que incluía a programação de uma cadeira do curso, e, chegando lá, de uma entrevista. Fui à entrevista, no início de Junho. Parece que se apresentaram 14 candidatos, 11 dos quais foram entrevistados. Depois de um contacto informal, confirmou-se, por uma carta da FCH datada de 20 Junho, que tinha sido eu o candidato seleccionado. Apesar de prevenido de que teria de esperar o contacto da Reitoria para assinar o contrato, comecei imediatamente a preparar o primeiro semestre, incluindo tomar contacto com a plataforma de blended-learning usada na instituição. Os serviços enviaram-me, também prontamente, o calendário dos dois semestres de 2011/2012 e a distribuição do trabalho docente, onde constava já o rol de disciplinas que me caberia leccionar nesse período.

Cabe aqui acrescentar que, quando me foi comunicada verbalmente a minha contratação, fui informado de que o contrato continha uma cláusula que me obrigava a respeitar a instituição UCP e a instituição Igreja Católica, sem que isso conflituasse de algum modo com a minha liberdade de opinião.

No dia 4 de Julho, recebi um e-mail do coordenador da área de filosofia, informando-me, basicamente, “de que, tendo em conta as restrições orçamentais a que a Universidade se encontra sujeita, não haverá lugar para novas contratações para o ano lectivo 2011-2012, para lá das que resultam de contratos já celebrados com os docentes até esta data. Esta situação, que contraria as expectativas que foram criadas à Área Científica de Filosofia ainda no início deste ano civil, impede, pelo menos para já, a sua [minha] contratação”.

Reagindo imediatamente a esta novidade, usei um canal não institucional para fazer chegar directamente ao Reitor da UCP um pedido de aclaramento da situação. Passadas poucas horas, recebi a resposta: eu não iria ser contratado por ter subscrito um abaixo-assinado “contra a vinda do Papa a Portugal”. Ainda nesse dia, tendo coincidido com o Magnífico Reitor numa recepção diplomática (onde estava como acompanhante), ouvi de viva voz, por sua iniciativa, uma reiteração do motivo (com comentários suplementares que me dispenso de divulgar). Começou aí, também, a operação de justificar que não me tinham mentido anteriormente (horas antes), quando me avançaram motivos orçamentais. Noutra fase das explicações, foi-me dito que um professor da casa tinha preparado um dossiê com textos da minha autoria, dossiê esse que, entregue à Reitoria, tinha ditado o meu afastamento. Talvez não seja necessário, mas lembro que o Aviso do procedimento de selecção não continha nenhuma “cláusula ideológica”.

O que escrevi acima é da ordem da pura factualidade. Em termos de interpretação, deixo o essencial ao leitor – até porque todas as peças do meu processo estão publicadas neste blogue. Foi, aliás, um trabalho “de investigador” sobre o conteúdo deste blogue, ajudado pelo meu perfil no facebook, combinado com uns comentários anónimos aqui neste espaço, que deu à luz o dossiê do pequeno inquisidor. Mas sempre digo o que segue, para os mais recentes por aqui, que não tenham acompanhado as minhas posições em questões de religião.

Tenho criticado, sem dúvida, várias posições e acções da Igreja Católica. (Haverá debaixo do sol alguma coisa que eu não tenha criticado neste blogue?) Não confundo isso com respeito institucional. Eu respeito a universidade que me recebe todos os dias, mas nunca me passaria pela cabeça que alguém levasse ao Reitor, ou ao Director do instituto, um dossiê com escritos meus num blogue para o ajudar a decidir qualquer assunto académico. Nem sonharia que qualquer crítica minha ao governo da nação, ou ao Ministro da Ciência, fosse encarada como desrespeito pelo país, que em última instância é a quem pertence essa universidade pública. Já alguém me disse que eu, que fui um católico activo durante muitos anos, mas há muitos anos no passado, estou enganado acerca da actual Igreja Católica, que está muito mais longe do espírito do Vaticano II do que eu sou capaz de imaginar. Talvez seja isso. Pode até parecer que isto foi ingenuidade minha: se eu critico o catolicismo oficial, como poderia dar aulas na UCP? Não é assim que vejo as coisas: não me candidatei a professor no curso de Teologia, admito que poderiam achar estranho um agnóstico querer ser professor de teologia numa universidade católica. Tenho uma ideia da liberdade de pensamento que pode ser alheia a escrevinhadores de dossiês, mas da qual não abdico. (De passagem: já terão deitado o meu dossiê para o lixo, ou continuo a estar fichado nos serviços da Reitoria?)

Cabe notar que a petição que subscrevi não era contra a vinda do Papa a Portugal, mas sim contra o facto de altos magistrados do Estado português confundirem e misturarem a condição de Chefe de Estado (do Vaticano) com a condição de líder religioso. Invocar essa minha posição para tomar tal decisão equivale a isto: pessoas, actuando (acham elas) na defesa política de um Chefe de Estado estrangeiro, atacam os meus direitos e liberdades como cidadão de Portugal.

De qualquer modo, se o Vaticano, recentemente, chamou o cardeal de Lisboa para lhe puxar as orelhas, por causa de uma entrevista onde uma frase ocasional versava a ordenação de mulheres, provocando um "esclarecimento" escrito do Patriarca, onde este se verga à ortodoxia num acto de "humildade" pública, talvez fosse estultícia da minha parte julgar que poderia ter mais liberdade de pensamento como professor do que aquela de que goza o Magno Chanceler da UCP.

Talvez este episódio até dê gozo a um ou outro opinador que desengrace com a minha falta de paciência para a crítica sistemática e radical a tudo o que seja religião, igreja, Papa, etc. Pode até ser uma espécie de “vingança involuntária” para ilustres comentadores que episodicamente se irritam com a minha visão mitigada do fenómeno religioso. Espero, com franqueza, que a minha posição sobre qualquer dos tópicos da questão “religião” não mude por causa deste episódio pessoal. Sempre tentei, e quero continuar a tentar, esse mínimo de liberdade que consiste em sermos capazes de pensar no mundo sem darmos demasiada importância às nossas contingências particulares.

Julguei que era meu dever de cidadania dar pública notícia deste caso. Para que se saiba o que as coisas são. Está feito.

54 comentários:

Jaime Santos disse...

Ola Porfirio, Antes do mais, lamento a sua situacao e deixo-lhe a minha solidariedade, pelo pouco que vale. Parece que a UCP tem legitimidade para pedir respeito por si propria enquanto Instituicao e pela ICAR, enquanto Igreja que a sustenta. Nao tem, nem pode ter, a veleidade de querer calar criticas feitas de boa fe. A ICAR continua infelizmente a reclamar para si propria (como outras tantas igrejas ou instituicoes religiosas), um estatuto que a coloca a prova de criticas, o que mostra pouca seguranca relativamente a forca dos seus argumentos, ou a autoridade moral dos seus clerigos (alem de mostrar tambem uma falta assombrosa da dita humildade crista), algo que e tambem inaceitavel numa sociedade democratica, onde nenhuma pessoa ou instituicao com intervencao publica pode deixar de prestar contas por essa mesma intervencao.

Francisco Clamote disse...

Conta com toda a minha solidariedade, Porfírio, até porque o meu percurso religioso, no essencial, não difere do do meu amigo. A atitude da UCP é uma vergonha que não honra a Igreja a que já pertenci e que, tantas vezes por uma questão de pudor e de ligação sentimental, me tenho abstido de criticar.Mas o Porfírio fez muito bem em dar conta deste episódio lamentável. Esta gente não deve fazer a mínima ideia dos ensinamentos de Cristo que era Homem para já os ter corrido do templo. Abraço.

Ricardo Alves disse...

Porfírio,
posso não concordar consigo em A, B ou C. Nada disso impede que veja este caso por aquilo que é: discriminação por razões de ordem político-religiosa. E acredite que sou sincero quando digo que tem a minha total solidariedade e apoio para qualquer diligência que queira tomar. E que me sinto também muito particularmente implicado, porque na tal petição o meu nome aparece ao lado do seu...

Mesmo sem o conhecer, envio-lhe um abraço de solidariedade e estima.

Želimir disse...

Manifesto-te a minha inteira solidariedade.
A manipulação por si só é um fenómeno ominoso. Mas a manipulação eclesiástica institucional, premeditada, que abusa da necessidade de muitos de acreditar em deus/es e se serve dela para obter e alimentar o poder bem terreno, configura claramente o crime de uma associação criminosa conjunta, com fins lucrativos.
Voltaire continua a ter toda a razão.

Ana Paula Sena disse...

Pois, Porfírio.

Mas devo dizer, precisamente porque li muitas vezes o seu blogue, que seria um excelente professor em qualquer instituição credível.

Há "coisas" mesmo "feias".

(por lapso comentei o post anterior com este mesmo texto)

Luisa disse...

Lamentável, abusivo, desrespeitoso, discriminador. Revela bem os limites de pensamento que essa instituição impõe.

Jaime Santos disse...

Mais uma coisa, Porfirio. A Isabel Moreira no Aspirina B, ja fez, como provavelmente sabe, uma apreciacao da razao que lhe podera assistir a si para impugnar juridicamente a decisao da UCP. Ha um ponto que ela nao foca, e que eu lhe deveria talvez colocar a ela, mas que coloco a si, ja que podera ser a si a quem isto mais interessa. A UCP e tambem, se nao me engano, financiada por fundos publicos. Assim sendo, a minha questao e se o facto de ela ser financiada pelo erario publico nao lhe coloca obrigacoes adicionais, para alem das mencionadas pela Isabel Moreira.

Porfirio Silva disse...

Agradecendo a solidariedade de todos, aproveito o anterior comentário de Jaime Santos para esclarecer o seguinte, tal como fiz junto ao post da Isabel Moreira:
Eu não tenciono explorar uma possível vertente da situação, mencionada pela Isabel (impugnar, ou algo parecido), já que qualquer relação com a UCP ficou estragada com este episódio: não quero nada, até preferia não ter escrito este texto, fi-lo apenas por achar que tinha o dever de cidadania de não engolir uma cena destas sem tugir nem mugir, é preciso que as pessoas saibam para poderem pensar.
Além do mais, como a contratação (que não foi apenas oral, recebi uma cartinha a anunciar a escolha) é, como tudo usa ser neste país, precária (dois semestres), o máximo que a UCP teria que suportar seria esperar para me mandar embora logo a sair, talvez, quem sabe, com a desculpa que eu me tinha revelado, afinal, um chapadíssimo incompetente. Voilá!

Manuel Tiago disse...

Como é que um sujeito normal se lembra de querer ser professor da UCP e lacaio da ICAR?
Não entendo.

A.R. disse...

Não acreditava que fosse possível.

Sofia Loureiro dos Santos disse...

A minha total solidariedade. faço link.

Pedro Orleans disse...

Assim de repente, muito de repente, e peço, desde já, desculpa se a minha o sentido da minha opinião for precipitado ou incoerente, desde logo, porque nada conheço sobre a sua obra e vim aqui parar através de um link publicado no câmara corporativa, mas há uma total incoerência e ingenuidade da sua parte quando, por um lado, diz respeitar uma instituição e por outro tem ideias completamente contrárias ao âmago da sua ideologia, à sua existência e ao peso que reivindica na nossa sociedade. Também sou agnóstico e, talvez precisamente por isso, não compreendo. Se porventura janto numa sala de crentes, evito falar de religião. Se o dono da casa o for, então não toco no assunto a não ser que me peçam. Se me pagarem para defender activamente o agnosticismo na casa de um crente, ou acho que são doidos, ou tenho a certeza que não me vão pagar por muito tempo. A igreja católica é um espaço de liberdade, cum grano salis. É uma instituição fortemente hierarquizada, por natureza, pelo que à luz dos seus valores nada tem de ilegítima ou incompreensível a reprimenda ao sr. cardeal patriarca. Na igreja só lá está quem quer, felizmente não nos obrigam a assinar contratos de trabalho com essa gente. O senhor, desculpe a sinceridade, pôs-se mesmo, mesmo a jeito. Se realmente necessitava do emprego, assuma que engoliu um sapo. Fica-lhe melhor do que essa ideia ingénua e pouco crescida acerca da liberdade e a relação de confiança que sustenta uma relação de trabalho. Também me parece que confunde o conceito de realizar trabalho de investigação sobre temas que até podem ser totalmente opostos à visão da igreja e o conceito de os defender activamentem como parece ser o caso. Desculpe a franqueza, mas não estava mesmo a ver que esse "casamento" não ia acabar bem?

Filipe Tourais disse...

De pouco servirá apresentar-lhe a minha solidariedade, Porfírio, mas ela aqui fica. Também eu, nas devidas proporções, evidentemente, me sinto lesado com a sua história. A Constituição do meu país só não é letra morta quando os donos de Portugal decidem dormir. Um abraço.

filipe monteiro disse...

Mas era óbvio né? eles são o Poder ( e neste caso, tambem sao O PATRAO!) Vê-se algum licenciado ou catedrático de filosofia dar uma cadeira de dialética, ou de Marx, Althusser, ou Sartre? Onde anda o "ensino" da filosofia? Ou do saber pensar? Nem António Sérgio, o aprendiz de filósofo é estudado hoje nas Universidades! Só os cães ensinam "filosofia" ao sabor dos velhos Poderes! É o mesmo no Islão! Confunde-se Religião com Filosofia, condenando dia-a-dia os pensadores a tomarem sicuta! Mas sem assinarem abaixo-assinados contra a subserviencia do poder politico ao poder religioso dos corruptos das Iogrejas, seja a católica, a do bispo Macedo ou dos Ayatolas!!!

Želimir disse...

Desculpe-me a franqueza, sr. Pedro Orleans, mas o cerne da questão é outro e por isso Porfírio fez bem em publicar o ocorrido: a UC não é uma instituição de propaganda fide, é uma instituição pública, cuja função não é veicular conteúdos religiosos ou eclesiásticos, é uma instituição que ministra cursos universitários públicos e outorga diplomas públicos, num país secular, onde a religião e a pertença a uma ou outra comunidade religiosa são um assunto privado, e não público. No concurso não houve, nem podia haver, como uma condição, a necessidade de o candidato abdicar de nenhum direito constitucional, portanto nem do direito de ser crente ou não, ou de ser ateu ou agnóstico, como é óbvio. Nem do direito de exprimir publicamente, como cidadão livre, cujas liberdades são constitucionalmente consagradas, a sua posição a respeito de seja qual for o assunto. E é completamente inaceitável ter sido o resultado do concurso orientado pela repressão ideológica, revertendo-se num acto exemplar de anti-cidadania.

jpt disse...

Inaceitável. E que monumental tacanhez. Bem-aventurados, aqueles pobres de espírito

greentea disse...

A igreja funciona sempre assim... Galileu era amigo pessoal do papa de então e foi mandado sacrificar porque as suas posições poderiam "desviar " os cristãos .
Eram amigos e o papa concordava com as posições cientioficas de Galileu...

Nada mudou , desde então.
Há tempos , e por razões profissionais, tive de ter uma conversa com o bispo auxiliar de Lisboa de nome dom Carlos de Azevedo , e as posições são as mesmas !!

Lamento.

salvador louro disse...

Olá Senhor Porfírio. Sou católico mas acho que isso não tem nada a ver com o caso. O senhor foi alvo de um "inquisidor", como outros tantos foram alvos de "Pides" e de "KGBs". Acho que o senhor só ficou a ganhar, porque tenho a certeza que não era seu desejo ter um colega "Inquisidor". Já os tive e quem acabou por bater com a porta fui eu. Concordo em absoluto com a sua indignação, mas como o senhor Orleans disse, o senhor colocou-se no lugar do morto. Eu, pela experiência que já tenho com invejosos e afins, não faria nada. Ignorava-os. Só vai perder o seu tempo, dinheiro e saúde.

Porfirio Silva disse...

Agradeço a atenção que deram a este relato. Agradeço a solidariedade a quem a expressou. Quero, entretanto, aclarar um ou dois pontos.

Primeiro, não tenciono fazer por este caso nada mais do que já fiz: dar a saber. Não o fiz com prazer, fi-lo por achar que não devia escamotear esta informação. Acreditem que preferia ter esquecido este caso, até porque, se tivesse sido mais desconfiado (ou me tivesse informado melhor), poderia ter previsto que isto aconteceria de uma forma ou outra.

Segundo, desejo que fique claro que eu não mudei de posição relativamente à religião e às igrejas por causa deste assunto. Não me tornei um fanático anti-religioso, que nunca fui. Continuo a pensar que certas abordagens "de esquerda" à religião estão erradas, mormente por descurarem a necessidade de uma compreensão antropológica do sagrado, que não se reduz à política imediata. Continuo a discordar radicalmente de certas orientações actuais da Igreja católica, no que acompanho insignes teólogos que Roma calou, proibiu de ensinar e/ou de publicar. Continuo a aborrecer o laicismo extremista, que tenta reduzir a expressão da religião ao interior de cada um ou ao espaço privado - tal como continuo a abominar o uso político que é feito da religião. Continuo a pensar que o actual estado da Igreja católica não está inscrito na sua essência, tal como os Papas ostensivamente debochados existiram e não fazem parte da essência da Igreja - mas não aceito que me proíbam de criticar isso. Ainda penso que a questão da existência de Deus não é uma questão científica, não é uma questão que possa ser decidida de forma certa por raciocínios filosóficos - por isso não sou ateu. Continuo a pensar que, no mundo concreto em que vivemos, a tolerância religiosa (entre crentes e não crentes, entre crentes de diversas crenças) é importante para a paz e a liberdade, razão pela qual me interesso por questões como o diálogo inter-religioso. Em suma: tudo o que me parecia complexo antes deste caso, continua a parecer-me complexo; não me radicalizei por causa disto, continuo a não ter respostas para tudo - mas tenho uma ideia da história das igrejas cristãs e sei que muito do que está em causa não vem de nenhuma "alta entidade", vem apenas do entendimento que certos homens fazem do papel que lhes cabe. E não prescindo de discutir isso.

Ricardo Sardo disse...

Bom dia Porfírio.
Apesar da falta de tempo, consegui arranjar alguns minutos para escrever sobre isto. Deixo-lhe, tal como os outros, uma palavra de solidariedade.
Abraço.

Nuno Resende disse...

Lamento o sucedido, que tive conhecimento por uma lista de informação sobre História (!) e Arqueologia (!). Não conhecia o seu blogue, nem o caso em causa, mas lendo impõe que lhe diga algo importante: o que se diz publicamente deve ser assumido sem pejo. Muitas vezes as pessoas julgam que os blogues são diários, onde se desabafa e acusa, sem compreender o alcance das palavras. A UCP apesar de entidade mista, não é uma universidade pública e mesmo nestas já houve casos de saneamento, como saberá. Um deles numa universidade do Norte. Se criticou a vinda (ou o apoio político que lhe foi oferecido) do Papa a Portugal e pensa trabalhar numa instituição da Igreja Católica saberia que há coisas, como a lealdade, que devem ser tidas em conta. Eu próprio, tendo trabalhado para a Igreja, não me coíbo de criticar o que julgo estar mal, mas tenho consciência dos meus limites e das próprias limitações da instituição. Não entenda este comentário como uma acusação mas fico com a impressão que ainda por cima a sua crítica foi injusta, dado que o Estado gastou bem mais em receber outros líderes (um deles Gadafi) e ninguém promoveu abaixo-assinados por essa razão. Se entende que a posição da UCP é discriminatória, faça por fazer ouvir-se, como fez no caso da visita de SS a Portugal. Mas não transforme isto numa guerra laica. Comentários como «Como é que um sujeito normal se lembra de querer ser professor da UCP e lacaio da ICAR? Não entendo.» só pioram a ideia de que a razão está do seu lado. Cumprimentos

Paulo Godinho disse...

Caro Porfírio, o que a UCP fez contigo é simplesmente inaceitável, para não dizer intolerável, em Portugal, em pleno século XXI. Sei que o assunto em causa te é profundamente desagradável mas, pelo mesmo dever de cidadania que te levou a divulgá-lo publicamente, não deverias parar por aí. Deverias levar até às últimas consequências esta clara violação de direitos fundamentais, consagrados na Constituição da República Portuguesa. Levar o teu caso até aos tribunais não seria uma campanha contra a Igreja Católica mas seria, certamente, uma importante campanha pelo Estado de direito democrático em Portugal.

Porfirio Silva disse...

Nuno Resende,
Sem voltar a pontos que esclareci no que escrevi anteriormente (acima), acho bom que não se misture o que eu escrevi com o que outros escreveram.

Porfirio Silva disse...

Paulo Godinho,
Respeito a tua opinião, mas não tenho como projecto de vida esgotar-me neste tema. Nem tenho a visão heróica das coisas que poderia levar a pensar que o meu caso daria um avanço decisivo nos direitos de cidadania. E, por outro lado, odeio a ideia de concentrar na minha pessoa uma batalha jurídica sobre o papel das religiões na sociedade. Até porque, se vires bem, o que eu penso sobre a matéria desagrada tanto a gregos como a troianos.

ariel disse...

Estou sem palavras, Porfirio, que gente mais nojenta!A minha sentida solidariedade.

Um abraço

Anónimo disse...

Força Sr. Porfírio Silva fui informado do que se passou com o senhor num site de informação e desde logo pesquisei o seu blogue e venho aqui deixar a minha palavra de força e coragem. Eu sou ateu e um defensor da liberdade e da completa separação do Estado com a Igreja. O que aconteceu consigo só vem vincar mais a hipocrisia, arrogância e falta de respeito que o poder católico tem sobre a humanidade.
Fiquei surpreendido com o seu blogue e já o adicionei aos meus favoritos.

Abraço
Samuel

redonda disse...

Cheguei aqui pelo link do Crónicas do Rochedo. Foi na Universidade Católica que obtive a licenciatura e senti-me envergonhada com a actuação da "minha" Universidade. Esta é sem dúvida "uma história pouco católica".

Hugo Alexandre disse...

é caso para dizer... cuspiu no tacho e depois queria comer uma pratada!

jpt disse...

Deixei no nosso blog um texto que lhe é dedicado.

Porfirio Silva disse...

Hugo Alexandre: a fineza do seu comentário é auto-explicativa.
Seja feliz.

Porfirio Silva disse...

jpt,
Já fui ver. Simplesmente delicioso! Obrigado.

Carlos Azevedo disse...

O que relata, mais coisa, menos coisa, é o pão nosso de cada dia em todo o lado; mas é ainda mais grave por se passar numa instituição de ensino superior -- imaginamos como o espírito crítico dos alunos da UCP deve ser estimulado...
Aqui fica a minha solidariedade.

Aires Almeida disse...

Caro Porfírio, acho que fizeste o que devias fazer ao divulgar esta triste história, pois trata-se de algo que não diz respeito só a ti, ao contrário do alguns possam pensar.

É uma história que, acima de tudo, desprestigia a UCP.

Por isso mesmo, custa ler comentários como aqueles que dizem que te puseste a jeito ou que estavas mesmo a pedi-las. É exactamente o mesmo tipo de conversa daqueles que desculpam o violador com o argumento de que a vítima estava mesmo a pedi-las por ousar vestir mini-saia. Um abraço.

Sinhã disse...

incrível como o progresso, até o progresso, é fonte de pregresso de espírito - a patologia de que sofrem muitos que, por desamor ao próximo e à sabedoria, boicotam o que é caminhar com a verdade, com a inteligência e, acima de tudo, com a justiça.

há, ainda, a hipótese do senhor reitor ser um troikiano pura raça e ter-se visto obrigado a cortar no nove et nova para emagrecer o ensino obeso.:-)

(força: há mais oportunidades do que reitores) :-)

Helena Romão disse...

Porfírio,

Fui aluna lá há muitos anos e pareceu-me sempre que havia fichas, embora me parecesse sempre que tinham um carácter mais político que religioso. Nunca pude confirmar a existência dessas fichas, mas a sua situação é plenamente esclarecedora!

Mas olhe que o stress que iria ter ao trabalhar naquele ambiente... não sei se não será melhor ficar de fora.
De qualquer modo, muita sorte e espero que encontre outra vaga num sítio mais simpático!

Vou espalhar a notícia. Estas coisas devem saber-se e digo-lhe que admiro a sua coragem em divulgar o episódio com o nome da instituição infractora. A verdade é que vivemos no medo e continuamos a deixar muitas vezes aos infractores o direito ao anonimato, sobretudo em questões labotrais!

Anónimo disse...

Olá Porfirio

Dado que a minha opinião pouco vale deixo-lhe a minha total solidariedae acrescentando que um novo 25 de Abril é necessário.
Também por motivos profissionais este comentario é anónimo..

Maria disse...

Porfírio, obrigada por denunciar e pela sua capacidade de se indignar.

Suponho que a Opus Dei está mais forte e tenebrosa, em Portugal.

Abraço
Maria Teresa

Anónimo disse...

Pois então de que se queixa,Profírio?
Se conhece (ou pensa conhecer) "a essência da Igreja,como diz, e dada a história criminal do cristianismo (que não desconhece com certeza),de que estava à espera? Que estivessem a dormir ou que por ventura não fosse verdade serem assim? São assim e sempre assim foram,os cristãos. O comportamento dos senhores da UCL foi absolutamente típico e conforme. E é só graças aos muitos "anjinhos" como o Profírio que esse "emaranhado único de fraude e mentira" a que se chama cristianismo (Karl-Heinz Deschner dixit),essa cangalhada,se aguenta de pé,e na mó de cima,há (quase)dois mil anos.
Não tenho pena nenhuma,Profírio,é-lhe bem feita.Como dizia o Sancho "se sufre pero se aprende"! Liberte-se,enquanto é tempo. Um abraço,António Sobral

Porfirio Silva disse...

Caro António Sobral,
Algo do que diz ("São assim e sempre assim foram,os cristãos") é factualmente errado. Noutras coisas confunde opinião com factos. Noutro flanco, confundir católicos com cristãos é ignorância - comum, mas grave. Em suma, aproveitando a sua franqueza para ser também franco: o seu comentário mostra que não são só os católicos que têm o rei na barriga (isto é: certezas a mais).
Um abraço.

Joao Lin disse...

Na minha opinião, a Igreja é uma empresa como outra qualquer e como tal comporta-se exactamente como qualquer empresa que defende os seus interesses e actua sem olhar a decência ética. Se isto se tivesse passado com a EDP ou a PT ou a TAP provavelmente não nos admiraríamos nada.

Agora, se a Igreja é realmente indistinguível de uma empresa comum, porque lhe damos privilégios especiais? Porque deixamos que ditem regras de moral e comportamento? Certamente que não recebemos com honras de estado o director executivo da Deutsche Telekom ou da British Airways. Nem os deixamos dizer que o planeamento familiar é proibido!

Toda a minha solidariedade para si. Se quiser ver o meu blog em joaolin.wordpress.com, discuto lá assuntos como estes e outros.

Joao disse...

Que atitude mais miserável. A mostrar bem o tipo de visão acerca da liberdade de pensamento que reina naquela casa. E também o tipo de hierarquia que existe na ICAR.


(Suponho que depois deste comentário nunca arranjarei lá trabalho nem a limpar casa de banho.)

Anónimo disse...

Acho correctíssima e acertada a actuação da UCP.
Aliás acho, da tua parte, uma sonsa cara-de-pau, tentar entrar numa das instituições que segue princípios que tu criticas.

A tua choradeira de “mulher de César”, além de caricata, dá a conhecer o tipo de personalidade que se esconde por detrás desse ar intelectualóide de vizir, pronto a cuspir no prato donde comes. Estamos num tempo em que não falta quem substitua, com os predicados que exigimos, alguém cujo serviço dispensamos. E mais ainda, quando alguém contrata, neste caso um assalariado, tem todo o direito de escolher o seu perfil.
Desculpa-me a franqueza, mas, independentemente das tuas qualidades (e que para o caso nada interessam), estava a tentar, hipocritamente, aceder a uma instituição a que não mereces pertencer.

O único erro que aponto à UCP é o facto de não ter rejeitado a tua candidatura de imediato, e com a indicação expressa do assunto. Eu tê-lo-ia feito. Aliás, já o fiz, por razões exactamente inversas, nos tempos em que militava na esquerdalha velhaca e trapaceira. E olha que não foi um erro que cometi, pois o dito visado é hoje um político sem escrúpulos, coberto com uma pela luzidia pele dum cordeiro manso.

Eu, no teu lugar, nem chegava a cometer despautério de me candidatar a um lugar que seria paradoxal, para não dizer patético e hipócrita, querer ocupar.

Julgo muito “interessante” a forma como tu tentas desculpar a tua atitude hostil à Igreja Católica, como se a Igreja tivesse que te dar “palmadinhas nas costas” e dizer-te, meigamente: “afinal tu és bom rapaz!”
Mas, “burro que é picado e não se sente, não é filho de boa gente!”

Espero, e desejo, que todas as instituições saibam agir com a firmeza que a UCP demonstrou.

J. C. Vasconcelos

João "o discípulo amado" Silveira disse...

O ex-futuro professor queixa-se do ataque à liberdade, mas junta-se aos que queriam impedir que o Papa viesse a Portugal. O senhor quer toda a liberdade para si, e nenhuma para os outros. É a dita "tolerência" dos tempos hodiernos.

Porfirio Silva disse...

João "..." Silveira,
Quero lembrar-lhe que a sua afirmação (dirigida a mim) "junta-se aos que queriam impedir que o Papa viesse a Portugal", é um disparate pegado.
Não fui contra a visita do Papa a Portugal; fui contra a forma como dirigentes do Estado português misturaram a qualidade de líder religioso com a qualidade de chefe de Estado da Cidade do Vaticano. (O Estado da Cidade do Vaticano, que é uma entidade diferente da Santa Sé, como se lê no próprio site oficial desse Estado, é uma entidade política tão democrática como o Irão actual.)
Defendi a legitimidade da visita do líder religioso a Portugal.
Inclusivamente, polemizei neste blogue contra outros comentadores que se mostravam incomodados com a ocupação do espaço público pelos católicos.
Portanto, João "qualquer coisa" Silveira, antes de começar a salivar ódio, pense no que diz e não seja mentiroso.
(Fico sempre espantado com a capacidade de ódio que tem gente tão "católica".)

Olinda de Freitas disse...

a liberdade de expressão nada tem que ver com a discriminação em função da mesma, João. o único propósito de uma instituição de ensino será o de bem ensinar, ponto.

Porfirio Silva disse...

J. C. Vasconcelos,
Acho que o seu comentário se auto-explica muito bem, quando nele se lê que já fez exactamente o mesmo "nos tempos em que militava na esquerdalha velhaca e trapaceira". De facto, é uma atitude velhaca e trapaceira, sem tirar nem pôr. E aplaudi-la não o é menos.
Só não sei se a forma insolente como escreve se inscreve na mesma linha - mas, de qualquer modo, dá de si um auto-retrato impressivo.

João "o discípulo amado" Silveira disse...

Senhor Porfírio,

Quando digo que está a ser incoerente, automaticamente estou a “salivar ódio”. Mais uma vez mostra o seu amor à liberdade, e à opinião alheia. Para si, o Papa como chefe de Estado legítimo, que é, não pode visitar um país enquanto tal. Não deveria ter honras de Estado, porque também é um líder religioso, é isso? Mas a UCP não pode não o selecionar, porque além de professor de filosofia também é um acérrimo anti-Igreja? Pois, realmente faz sentido.

Porfirio Silva disse...

João Silveira,
"Salivar ódio" é escrever como escreve, mostrar que vê este assunto como um assunto de "legítima vingança". Isso é salivar ódio. Atitude que, aliás, acompanha bem com o facto de "argumentar" sem verificar o fundamento do que diz, continuando a repetir coisas que são mentiras, porque nem sequer se dá ao trabalho de verificar se têm algum fundamento as acusações que repete de cor. Salivar ódio também é essa atitude de "ou preto ou branco", de falar de cor por supor que quem não concorda consigo é seu inimigo. Parece-lhe que o mundo está organizado nas caixinhas que compreende (ou "nós" ou "eles") - mas isso é defeito da sua compreensão: nem todos cabemos nesse maniqueísmo.

Pedro disse...

Eu acho que há aqui pessoas a confundir as coisas. O facto da UC ser uma instituição marcadamente de inspiração e gestão católica, não implica (ou não deveria implicar) que para se estudar ou leccionar lá as pessoas tivessem de ser católicas assumidas...

A Universidade Católica sendo uma instituição privada, faz no entanto uso de fundos públicos e não são tão poucos quanto isso.

Não me parece pertinente que para se leccionar na área da Filosofia, seja obrigatório dizer que sim a todas as ideias que a Igreja defende.

Quem fica a perder com isto são os alunos que pagam pequenas fortunas para estudar lá e que ficam a saber que os professores não são escolhidos pela sua competência mas sim pela sua maior ou menor vocação cristã ou cor partidária.

Este caso demonstra bem o estado de degredo a que chegou a Igreja Católica, e assim melhor se compreenderão as razões de dia após dia os crentes serem cada vez menos, as igrejas estarem cada vez mais vazias e o os sacerdotes serem cada vez menos e cada vez mais envelhecidos.

Já era tempo da mentalidade de quem gere a igreja evoluir e adaptar-se aos tempos modernos.

Filipe do Paulo disse...

Conheço e sou amigo do Porfírio há dezenas de anos,além de pessoa muito inteligente e trabalhadora, tem outras grandes qualidade humanas, v.g. não é sectário e tem espírito ecuménico.

Afinal o regime constitucional dos Direitos, Liberdades e Garantias não se aplica a entidades privadas de interesse público, v.g. financiadas pelo Estado?
Filipe do Paulo

MFerrer disse...

Nada me surpreende nesta história excepto, talvez, uma certa ingenuidade sua, Porfírio , que lhes dá, ou atribui, a condição que não têm nem nunca tiveram: A ICAR, não brinca em serviço! e a sua influência crescente em Portugal, a todos os níveis - só não vê quem não quer,- é que não se constroi nem se mantém à custa de serem uns tipos simpáticos e compreensivos com os seus críticos e com a crítica geral a um conjunto de princípios em que assoma com relevo e importância essa mesma questão do Vaticano como Estado Soberano. A reconquista de Portugal como vassalo do papado não é nem fantasia nem uma teoria da conspiração. Esles estão de volta e agora até controlam directamente o Governo, A UCP é apenas a escadaria ideológica mais pública e mais aberta à sociedade e onde acolhem alguns dos futuros dirigentes do País. E esse tal documento de "repúdio por ideias contrárias às ali dominantes", não o fez desconfiar da "fartura"? É que é tão decalcado noutro...sobre outra ideologia que até aflige! Mas estou do seu lado e lamento o estado a que TODOS chegámos! Cumprimentos!

Fernando Moreira de Sá disse...

Só hoje vi. A minha alma está parva...

Um abraço!

Porfirio Silva disse...

Também a minha...
Abraço.

Catarina disse...

Sou lá aluna, de momento. Abstendo-me de demais comentários, devo confessar que não estou admirada. Lamento bastante.