01/07/11

cibernética à portuguesa





O que Passos Coelho anunciou ontem NÃO é um aumento de impostos.

A picada extraordinária equivalente a uma fatia do subsídio de Natal NÃO é um aumento de impostos.

A promessa eleitoral de não aumentar os impostos NÃO foi quebrada.

A prioridade à punção do lado do consumo, em vez do lado do rendimento, NÃO foi esquecida.

Dizer que "isto" é por culpa da "herança" NÃO é justificar-se com o passado, logo, por aí não se quebra uma promessa eleitoral: até porque essa promessa foi feita já depois das eleições.

Dar a ideia que as contas entretanto conhecidas eram esqueletos no armário NÃO é pretender que o FMI, o BCE e a Comissão Europeia não sabem analisar as contas de um país, nem é pretender ignorar que eles estiveram cá há meia dúzia de semanas a vasculhar tudo.

Tudo isto, bem vistas as coisas, é uma engenharia de almas. A sociedade é uma grande máquina; as almas dos cidadãos são as suas peças; se as almas se enfurecerem, os corpos produzem baforadas de gás tintadas de raiva; se a máquina for a vapor, os sopros de raiva fazem andar a máquina. É uma cibernética um bocado básica, mas é o que temos.


1 comentário:

Micael Sousa disse...

Mesmo mentindo e falhando nas promessas, o senhor nosso chefe recentemente eleito é coerente por natureza, pelo menos assim será enquanto os utra-linerais/conservadores não o criticarem... Com mentiras ou faltas de palavra, todos os outros, que não se enquadram da substantivo carregado de adjectivações ideológicas que anteriormente utilizei, seguramente que esperavam exactamente isto se andassem minimamente atentos.