19.12.08

anedotas

Uma coisa que acho deliciosa é a reciclagem de anedotas políticas antigas, que feneceram por esvaimento do objecto, transformando-as em anedotas sobre objectos políticos mais vivinhos hoje em dia. Uma reciclada seria assim:

Um alto dirigente do PS para outro:
- Oh camarada, então não foste à última reunião da Comissão Nacional ?
- Eh pá, se eu soubesse que era a última tinha ido !!!


Rodapé: esta não é para irritar aqueles que o leitor pensa... mas outros!
Rodapé 2: alguém se lembra a que objecto político esta se aplicava originalmente?

18.12.08

castanhas (II)

Como é sabido, há por aí umas teorias económico-políticas que concebem o ser humano como um oportunista voraz, mesmo que pouco sistemático. Essas cabeças entendem que o egoísmo é o motor principal do indivíduo e que a sociedade, bem como a comunidade política, deviam ser estruturadas a contar antes de mais com isso. Alguns desses pensam que, então, cada um de nós engana o próximo sempre que pode. Não vem agora aqui ao caso esmiuçar o assunto, mas ele levou-me (ao longo já de vários anos) a fazer uma experiência.
Sempre que compro castanhas assadas na rua tenho um comportamento que penso seja pouco normal (pelo menos no sentido estatístico). Como, imagino eu, a maior parte das pessoas não se dá ao cuidado de contar as castanhas que compra embrulhadinhas, e não fica sequer ao pé do vendedor a comê-las, porque não haveria o vendedor de colocar, de cada vez, menos uma no embrulhinho? Se fosse descoberto podia sempre, simpaticamente, desculpar-se com um erro. Ora eu, e isto já há vários anos, conto sempre as castanhas que compro (uma dúzia, porque sou comilão). E, este é o resultado, nunca tive menos do que as que paguei. Quando houve desvio, foi para mais. Será que os vendedores de castanhas são sérios - ou, como defendem aqueles teóricos que mencionei acima, o que são é tansos, porque "deveriam" estar a roubar uma castanhinha em cada dúzia este tempo todo?

castanhas (I)

Durante o ano que está quase a acabar houve vários episódios de um folhetim intitulado "ASAE". Uma parte dos intervenientes vinha recorrentemente à cena dizer: "mais uma maldade da ASAE, um instrumento de controlo contra a liberdade dos cidadãos". Muitas vezes fui eu também à peleja defender que, mesmo podendo haver erros ou excessos, a ASAE estava no essencial a aplicar as leis em vigor e que um país que se preza é isso mesmo que faz. Especialmente quando se trata de protecção do consumidor e quando estão em causa actividades económicas que podem fazer perigar a saúde pública se não respeitarem certos cuidados.
Uma dessas foi a "guerra dos galheteiros", por serem os restaurantes obrigados a colocar o azeite em recipientes que não pudessem ser violados para reabastecimento "pirata". Perdão, pirata mesmo, sem aspas. Diziam que isso era impossível, uma barbaridade. Afinal parece que não demorou muito a chegar ao mercado sortimento suficiente de recipientes conformes. E não me lembro, num passado já muito longínquo, de alguém ter ficado incomodado com a obrigação de as garrafas do whisky serem seladas para não nos venderem escocês de Sacavém. Entretanto, parece que as medidas sobre os galheteiros já foram mudadas outra vez, mas isso também é mania nossa nacional.
Outra dessas guerras foi a do embrulho das castanhas assadas na rua. Clamavam os do costume que tinham saudades do embrulho em papel de jornal ou folhas das Páginas Amarelas. Ora, eu, como venho todos os dias do trabalho para casa a pé, faço muitas vezes o gosto ao dedo de comer umas tantas castanhas assadas enquanto vou andando - e dei por mim satisfeito com os novos e higiénicos embrulhos. Principalmente aqueles modelos que têm um segundo "sector" para as cascas, que resolve um problema que várias vezes obrigou a minha má consciência cívica a desculpar-se com o carácter biodegradável de tais restos. E, mais uma vez, rio-me dos críticos à perda de liberdade de consumir castanhas em embrulhos emporcalhados. Hoje à tardidnha lá comi mais umas tantas. Até nem eram grande coisa (a época alta já passou), mas sempre deram... para um post.

sapatadas em Bush

O jogo "a ver quem atira mais sapatadas em Bush antes que ele se vá embora" pode ser jogado aqui.

euromilhões

melhor que um partido oportunista, só um oportunista sem partido


Ontem, o deputado socialista Manuel Alegre voltou a defender a possibilidade de candidaturas independentes às eleições legislativas, considerando que a democracia sairia "enriquecida". Questionado se continua a defender a hipótese de independentes concorrerem às eleições legislativas, Manuel Alegre recordou que sempre concordou com essa ideia.


Agora percebi a trapalhada de Alegre acerca de criar ou não criar um novo partido. Foi candidato presidencial contra o candidato apoiado pelo seu partido porque as candidaturas presidenciais são independentes. E desde então comporta-se como se não tivesse nenhuma obrigação para com a sua agremiação política, por ter tido muitos votos na eleição presidencial. Os votos para presidente justificam que ele esteja dentro quando lhe interessa e fora quando lhe convém.
Viu agora como poderia continuar esse jogo sem nenhum risco nas legislativas: a haver candidatos independentes, ele e os seus poderiam continuar dentro e fora ao mesmo tempo. Podiam candidatar-se como independentes e depois fariam o que bem entendessem, invocando terem recolhido votos populares.
Afinal, os que mais criticam os ultraliberais em economia são capazes de ser como eles em política: o indivíduo acima de tudo, nada interessa a pertença a colectivos e o compromisso mútuo dos membros desses colectivos.


17.12.08

o bloco lateral


Oposição considera insuficiente plano anti-crise apresentado pelo Governo.


Quando o PSD e o PS convergem em posições políticas, como se isso fosse estranho dada a sua história e a sua base social de apoio, logo todos clamam contra o "bloco central" que supostamente isso significaria. E que parece que tantos abominam.
Quando comunistas, demagogos de direita como Portas, esquerda da esquerda como o partido que antigamente achava que o Zé fazia falta em Lisboa, apoiantes de Santana Lopes à presidência de Lisboa, mais verdes por fora e vermelhos por dentro - quando todos esses convergem, mesmo que seja só a dizer mal de tudo e qualquer coisa que o governo faça, quando todos esses aparentemente tão diferentes dizem a mesmímissa coisa, não se deveria falar do "bloco lateral"?

teologia da oposição


PSD acusa Teixeira dos Santos de ter ameaçado banca com a bomba atómica.


«O líder parlamentar do PSD considerou hoje, durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, que "o ministro das Finanças ameaçou a banca com a bomba atómica", mostrando que "não está preocupado com a estabilidade e credibilidade do sistema financeiro". Paulo Rangel, que se referia à possibilidade de serem retiradas as garantias às instituições de crédito se não fizerem chegar o dinheiro às empresas, admitida por Teixeira dos Santos, criticou também o plano anti-crise do Governo.»

Pois, dêem lá o dinheiro aos bancos e não façam mais perguntas nenhumas, porque eles bem sabem o que hão-de fazer ao dinheiro. Aliás, o dinheiro cai do céu...

Isto é às segundas, quartas e sextas. Às terças, quintas e sábados é antes assim: andam a dar dinheiro aos bancos, isto é: aos ricos, em vez de acorrerem às pessoas, que estão aflitas, e de baixarem os impostos que não fazem falta nenhuma, até porque o dinheiro cai do céu...

Aos domingos, então, só a única e grande verdade: o dinheiro cai do céu, o dinheiro cai do céu, e essa é a nossa esperança para governar quando chegar a nossa vez.

o menino jesus vai à escola


Professores em condições de pedir a reforma até 2011 dispensados da avaliação. Dispensados também os docentes contratados em áreas profissionais, vocacionais e artísticas, não integradas em grupos de recrutamento. Estes aspectos juntam-se a outras simplificações resultantes "dos problemas encontrados na experiência prática", visando essencialmente três coisas: impedir a existência de avaliadores de áreas disciplinares diferentes dos avaliados, reduzir a burocracia dos procedimentos previstos e aligeirar a sobrecarga de trabalho que o processo original exigia.

Apoiei genericamente a avaliação de professores proposta pelo governo, defendi que ela não devia ser suspensa e devia ir sendo melhorada à medida que a sua concretização mostrava onde estavam os problemas práticos, entendi que as propostas de simplificação avançadas pela ministra eram um sinal de humildade e de boa-fé no processo, denunciei que a oposição a esta avaliação escondia em muitos casos uma oposição generalizada a qualquer avaliação com consequências, mostrei-me partidário de uma negociação global que englobasse a questão da carreira e que tomasse em conta os erros e injustiças que aí se cometeram.
Agora começo a ter uma suspeita: estão a cortar a chouriço às fatias para ele ser mais facilmente digerido. Pode ser uma táctica politicamente proveitosa. Mas, a meu ver, ter um defeito fundamental: se o povo, que somos nós e não percebemos nada disto, deixarmos de perceber qual é a lógica da posição do Ministério, é possível que deixemos de ter energia para a defender. As mantas de retalhos podem servir para tapar o corpo quando está frio e não há melhor caminho: mas dificilmente podem servir para mobilizar o apoio social de que uma reforma difícil necessita. Comprar os professores com adiamentos pode calá-los, ou até mesmo dividi-los. Mas era preciso mais do que isso: era preciso ganhá-los. Ganhá-los para a razão, claro - não para a conveniência do amuo silencioso.
Enfim, continuo como dantes (as 10 teses).

parabéns ao Parlamento Europeu


Ministros europeus chegam a acordo para prolongar semana de trabalho até às 65 horas.


Parlamento Europeu vota limitação da semana laboral a 48 horas - por uma maioria de 421 votos contra 273, e 11 abstenções.


O Parlamento Europeu poderá não ter toda a razão. Sem ir aos detalhes, não posso garantir que não estejam contra alguma flexibilidade específica que pudesse ser útil às empresas sem ser danosa para os trabalhadores. Contudo, globalmente, tenho de dar os parabéns ao Parlamento Europeu. Os Ministros, provavelmente com a cumplicidade da Comissão Europeia, estavam a abusar, dando carta branca ao excessivo laissez-faire face a certas práticas que desprezam as condições de saúde dos trabalhadores, bem como a tão propalada conciliação entre a vida profissional e a vida familiar. E, se a Europa não serve para melhorar os padrões de vida e trabalho dos seus cidadãos em questões essenciais, serve para quê?

para que conste


Ministro das Finanças admite retirar garantias se banca não fizer chegar o crédito às empresas.


Eu não quero crédito. Aliás, nem tenho nenhuma empresa. E também não tentem colocar-me em posição de receber subsídio de desemprego, porque não tenho direito a ele. E nem sequer posso comprar aqueles PPRs da Segurança Social pública, porque não tenho nenhum sistema de segurança social obrigatório. E o meu sustento vem de um sistema que não actualiza os montantes "oferecidos" há uma meia dúzia de anos. Acho que também não posso fazer greve. Mas suspeito que oficialmente não sou "precário". Descontadas todas as coisas, até estou contente. E vivo.

explicar Bush


Bush diz que renuncia aos princípios da economia de mercado para salvar o sistema de economia de mercado.


Há uma explicação simples para a quantidade de tolices que Bush pronuncia. É que Bush não sabe distinguir entre as coisas que lhe dizem com a simplicidade possível para tentar que ele fique com uma ideia dos problemas (os briefings) e as coisas que lhe dizem para ele dizer em público (os speaking points). E, trocando a papelada, acaba por usar os briefings como speaking points.

16.12.08

o "sistema"


Há vítimas portuguesas da fraude de Madoff. Grandes bancos europeus assumem perdas de muitos milhões.


«No dia em que muitos bancos europeus assumiram perdas potenciais relacionadas com a fraude piramidal de Bernard L. Madoff, em Portugal só o Banco Santander Totta admitiu que, entre os seus clientes, há 16 milhões de euros aplicados nos fundos do ex-presidente da bolsa electrónica Nasdaq e até agora um dos homens mais respeitados de Wall Street.»

Quem não fica feliz por ver a economia de mercado funcionar a plenos pulmões?
Quem não gostaria de ver as suas poupanças, parcas ou largas, ser engolidas por uma falência, directa ou indirectamente, e ficar sem um centavo de um dia para o outro?
Quem não gostaria de saber que a empresa que o emprega faliu por arrastamento da falência de um banco?
Quem não gostaria de viver numa montanha russa?

Os que falam tão ideologicamente contra os apoios à banca - sem prejuízo do castigo aos que cometeram crimes - devem ter grandes colchões. E muita falta de consideração pelas outras pessoas concretas que vivem neste sistema - capitalista, já se sabe, mas não nos pediram para escolher. E muita lata. Ou estão à espera que a revolução seja o fruto maduro do descalabro? Espanta-me tão liberal que é, afinal, certa esquerda da esquerda da esquerda: o que eles queriam mesmo era que o Estado ficasse quieto a ver, sem fazer nada, não era? Mas não é isso que querem os liberais-liberais-liberais?

medir as indecências


15.12.08

marketing

as noites brancas de Louçã

Louçã elogiou discurso de Manuel Alegre mas desvaloriza hipótese de um novo partido.

Alegre pede "coragem" à esquerda e quer ir a votos com as ideias que saíram do fórum.


Estou em condições de informar que Louçã passou a noite em claro a pensar como há-de desmobilizar Alegre de formar um novo partido.
É que Louçã sempre quis apenas que Alegre jogasse de novo o papel de tonto útil, para esboroar um pouco o PS e aumentar a penetrabilidade do Bloco - e está agora francamente assustado com a hipótese de Alegre querer tentar criar um instrumento de disputa da possibilidade de governar.
Até porque Louçã não quer nada que se pareça com governar: isso seria o seu fim. Ou pelo completo descrédito, tornando-se evidente a falta de aplicabilidade das suas propostas. Ou pela completa conversão: se, chegado lá, aceitasse deitar fora a retórica e tentar fazer qualquer coisa de útil.
Que o Bloco foge das responsabilidades de governar como o diabo foge da cruz, vê-se pela Câmara de Lisboa. Incompreensível, portanto, que Alegre queira fazer um partido para tentar a possibilidade de levar a esquerda da esquerda da esquerda ao governo: isso seria o fim da ilusão. E a morte do grande líder trotskista reconvertido.

14.12.08

grandes investimentos em publicidade (X)


Alegre pede "coragem" à esquerda e quer ir a votos com as ideias que saíram do fórum.

Desde há muitos anos que a esquerda que pior faz à esquerda é aquela que não liga pevide à governabilidade. A esquerda que se esgota na cultura de oposição. Falar é fácil. Ter as décadas que Alegre tem de político profissional sem nunca ter tido uma função governativa relevante - mostra bem quem é Alegre. Mas essa esquerda está a dar. (Também, convenhamos, por culpa da direcção do PS e do governo. Mas sobre isso falaremos noutra altura.) E, claro, lá estava o Dr. Marcelo a fingir-se radiante com a janela de oportunidade que Alegre oferece a Ferreira Leite. Nunca ouviram falar na história dos aliados objectivos?

e o perú de plástico?

ele há doidos para tudo


Num post aqui abaixo chamei a atenção para o nível da linguagem com que certos "professores" se exprimem na caixa de comentários do blogue A Educação do meu umbigo, onde aparentemente se sentem à vontade para libertar os dedos. Um frequentador desse blogue acusa outro dos frequentadores desse fórum, um tal "Trabalhador da Silva", que baralha as cabecinhas simples que por lá eventualmente aterrem, de ser um "agente provocador". Está neste comentário. Provocador - para provocar certas reacções. Esse frequentador, que deve ter tirado um curso de "inteligência" na CIA (Secção de Moimenta), "prova" a sua "suspeita" (ou será acusação?) apontando para o meu citado post. Ele está a acautelar os companheiros para terem tento na língua, por causa dos espiões! É de partir o coco a rir. Suspeito que o tal "agente da inteligência" pensa que eu sou o "Trabalhador da Silva"! Viva, viva: já entrei numa teoria da conspiração como provocador! Que promoção! Excitante!

um chuveirinho de esquerdas


Fórum das Esquerdas: debate sobre educação centrou-se na avaliação dos professores.


Lê-se ainda no Público:
«António Avelãs fez a defesa da avaliação dos professores e de uma diferenciação entre eles, admitindo que muitos são bons, outros “acima da média” e outros ainda “abaixo da média”. “Há quem pense que os professores não podem ser avaliados, mas isso é um suicídio político”, afirmou o dirigente da Fenprof António Avelãs.»
Afinal, parece que alguém do lado dos sindicatos compreende o problema. É claro que o mesmo dirigente sindical acrescentou que «A distinção deve ser feita, mas “não através desta forma idiota, entre professores titulares e outros”» - mas não sublinho muito isso, porque é claro que só um suicida iria para ali dizer que a distinção entre titulares e não titulares é uma forma possível de concretizar a sua própria ideia de diferenciação. Simplesmente, quem quiser ouvir que ouça.

Pelo seu lado «Jorge Martins, um professor do Porto, “militante do PS”», «contestou os argumentos do Governo do partido em que votou para contestar a ideia, “falsa”, de que “não existe avaliação” dos professores – “não estava era regulamentada”». Conheço e estimo Jorge Martins, mas lamento que continue a dizer que "já existia avaliação" - porque aquilo que não tem consequências relevantes, nem impacte no sistema, de facto não existe. Terá uma existência metafísica. Faz de conta que existe, mas não existe. E fugir a isso é tentar tapar o Sol com a peneira. Jorge, larga a peneira, camarada...

jóias naturais (III)


Parece que um grupo de professores fez um manifesto a favor do modelo de avaliação que o governo está a aplicar à classe. Ainda não o consegui ler, logo não tenho opinião sobre o mesmo. (E até acho estranho que ele esteja tão longe de vários meios de informação - ou será "comunicação", já que não informam?)
Entretanto, vale a pena ler as apreciações que alguns militantes anti-esta-avaliação-que-diz-que-seriam-a-favor-de-outra-desde-que-a-outra-tão-pouco-existisse fazem aqui. Não me refiro tanto ao post, mas mais aos comentários. É que a sensação de impunidade que parece inerente a escrever na caixa de comentários de um blogue se revela poderosa e capaz de soltar as línguas. E os dedos. E exibir as almas. Quero crer (mas não sei se consigo) que não são realmente professores, mas apenas provocadores que fazem passar-se por professores para denegrir a classe.

Ride Me (ou "Natal é quando um homem quiser" ?)


Berlim, Dezembro de 2006, montra de Natal num "grande armazém" da Friedrichstrasse.
(Foto de Porfírio Silva).

o que é Nacional é bom (I)


Ministério da Justiça disponibiliza 17,5 milhões de euros para pagar defesas oficiosas.


Quando vou aqui à mercearia da D. Lurdes comprar clementinas, apesar de ela não saber ler, nem escrever, e quase nem contar, só vendendo quilos inteiros das coisas para ser capaz de pedir o preço adequado, quando vou aqui a essas pequenas compras pago na hora. Dinheiro na mão. Não que a senhora não fiasse, que até fiava. Mas pago na hora. O Estado, entretanto, também paga na hora - só não se sabe a que hora. E, assim sendo, faz notícia quando se aproxima a hora. Com direito a anúncio e tudo: os atrasos têm diminuído.
Países normais.

estou azedo neste domingo (se calhar porque dormi pouco)


Grandes fortunas devem ser taxadas para apoio aos pobres, defende Manuela Silva, Presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz, organismo católico.


Concordo. E não me venham dizer que é radicalismo político (ainda para mais, vindo de Manuela Silva). É que há capitalismos e capitalismos. E os últimos vinte anos têm transformado efectivamente o capitalismo numa máquina produtora de mais desigualdade: os mais ricos a ficarem mais ricos, os mais pobres a ficarem mais pobres, o fosso relativo a aumentar. E achar isso imoral não tem em si nada de revolucionário. Ser capaz do juízo moral de que a desigualdade extrema e sem propósito é intolerável, ser capaz de pensar nesses termos, é um sinal de civilização. Ser capaz de agir em conformidade é política. E nem todos os políticos que falam nisso mostram estar em primeira mão preocupados com isso. Claro, há sempre quem pense que só o mecanismo económico interessa. Para esses o juízo moral é de palha. A esses deviam dar só palha. Que ainda seria mais do que muitos podem comer.