12.12.08

intervalo para prolongamento


Avaliação: tutela fecha negociações para este ano lectivo .


Os sindicatos, afinal, não quiseram aproveitar a oportunidade de contribuir para melhorar o modelo. Não contribuíram para as comissões que concordaram criar, que eram para resolver dificuldades concretas. Julgaram poder impor como ganho mínimo que nada mudasse em termos de avaliação com consequências. Gostaram da solução administrativa de Alberto João. Assim sendo, que fazer?
Negociar deve ser uma forma de chegar à melhor decisão acerca de como fazer. Negociar não pode ser uma forma de bloquear a acção. Contudo, espero que o governo saiba criar as melhores condições para "limar as arestas". Porque as há.

grandes investimentos em publicidade (IX)


Sócrates convoca Conselho de Ministros extraordinário para amanhã para aprovar plano português de resposta à crise
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Conselhos de Ministros ao fim de semana têm outro sabor. E servem o propósito de deixar toda a semana livre aos partidos de oposição para criticarem. E para reafirmarem pela enésima vez que a culpa da crise internacional é de José Sócrates. O governo tem boas razões para proceder assim: é que cada vez que um partido vem a público fazer essa atribuição de culpa, enterra-se ainda mais. Principalmente no caso do partido que aspira a ser alternativa de governo. Sócrates joga bem, pois, quando lhes dá mais tempo para repetirem a mensagem.

grandes investimentos em publicidade (VIII)


Comissão Parlamentar de Economia adiada por falta de quórum.


O povo, que não pode faltar ao emprego para não ter dissabores, pensa que as faltas dos deputados são motivo para processo disciplinar e eventual despedimento. Esquece, apenas, que a função parlamentar não é um emprego. E que, por vezes, uma falta é ela mesma um acto político (veja-se o exemplo de Zita Seabra que veio dizer que tinha faltado à votação da suspensão da avaliação dos professores por ter opinião diferente da do seu partido). E que mesmo várias faltas concertadas podem ser uma manobra política (vide a acusação de que o PS provocou intencionalmente esta falta de quórum). Mas os que sofrem com a obrigação de ir ao emprego sentem algum consolo na perspectiva de poderem atirar para o "desemprego" os faltosos. Esquecem, porventura, que muitos dos deputados "faltosos" trabalham muito mais horas por semana do que os esforçados trabalhadores que os tratam como "malandros" (em vários sentidos). Mas, claro, não é politicamente correcto dizer nada disto. Paciência.

a barbárie interior


Relatório do Senado dos EUA acusa Donald Rumsfeld de cumplicidade nas agressões a prisioneiros.


Alguns dizem que isto demonstra que os EUA não são um país bárbaro, porque tem os mecanismos para detectar e corrigir os seus erros. Eu acho que isto demonstra que a barbárie espreita em todo o lado. Nunca estamos a salvo dela. E devemos julgar acções concretas, e as políticas que as instigam ou permitem, e não julgar nações ou povos por inteiro.

levem o Sócrates


Líderes da UE de acordo sobre plano de 200 mil milhões de euros para relançamento da economia.


Mas então a crise não é toda da culpa do Sócrates? Nesse caso deviam remover Sócrates do lugar de PM, porque essa parece ser a causa de todos os males do planeta. E, para facilitar, deviam ainda levar Sócrates para presidente da Comissão Europeia. É que esse lugar, como se vê, é irrelevante: nesse posto só se soma o que os Estados Membros gastam e fazem para, juntando tudo na mesma coluna, chamar-lhe "um plano contra a crise". Resolviam-se assim vários problemas desta parte do mundo.

e que tal a autogestão?


General Motors, Chrysler e Ford em risco. Senado recusa plano de ajuda aos construtores automóveis americanos.


Este ano a estação louca chegou mais perto do Inverno do que do Verão. Face à crise, velhas soluções abanam o cadáver e pulam para cima da mesa. A esquerda volta a mostrar que não fez os trabalhos de casa. E mesmo este regurgitar de antigas glórias, sem remendos nem nada, mostra que os velhos debates à esquerda, pelo menos na esquerda menos acomodada, estão todos por resolver. Para aqueles que ainda se lembram dessas coisas, pergunto: porque será que tantos se excitam com as nacionalizações (Estado resolve) mas a ninguém passa pela cabeça a autogestão (os trabalhadores que resolvam)? Porque será?

quemtemmedodaavaliacao


É um blogue. Quem tem medo da avaliação? Trata de coisas que me interessam, com uma minúcia que agora não me posso permitir. Vou andar a ler esse blogue, então.
Para começar, um pequeno historial das declarações sindicais acerca do que pretendem nessa matéria: Uma grande cambalhota.

11.12.08

jóias naturais (II)


Ministra diz que sindicatos não apresentaram "proposta verdadeiramente alternativa" para a avaliação dos professores.


Escreve ainda o Público:«De acordo com a ministra, a proposta apresentada esta tarde pela Plataforma Sindical “cabe, basicamente, numa folha A4” e contempla sobretudo a auto-avaliação pelos docentes, sem observação de aulas e sem envolvimento da direcção da escola, nem qualquer possibilidade de distinção do mérito...» Se é assim, a Ministra fez muito bem em não aceitar tais propostas.

Mais se lê no Público:«A Plataforma Sindical já avisou que a revisão do estatuto [da carreira docente] terá de passar pela eliminação da actual divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular).» Se é assim, a Ministra não poderá aceitar tais pretensões.

Pode ser que, desta vez, fique mais claro quem propõe o quê; que se veja qual é a "avaliação" que alguns querem; que se perceba quem quer uma "tropa" em que podem ser todos "generais".

grandes investimentos em publicidade (VII)


PSD apresenta projecto para suspender avaliação dos professores, como forma de reparar "falha" de sexta-feira.


Deve o Parlamento servir para os partidos jogarem aos seus jogos de cabra-cega? Apresentam-se projectos para resolver o problema A ou o problema B do país que somos - ou apresentam-se projectos para resolver minudências intrapartidárias? Para salvar a face? Ou o PSD vê a hipótese de uma grande coligação que inclua os deputados do PS que se julgam mais professores do que deputados?
Lindo país. Para férias.

jóias naturais (I)

AQUI ENTRA TEXTO LINKADO.
Um blogue escreveu assim, a abrir uma posta no dia 3 de Dezembro, dia da greve dos professores: «Hoje os porcos chafurdam na merda que têm vindo a fazer e que hão de ter de comer. Os que pactuam com eles, e cobarde e asinamente, hoje furaram a greve pertencem ao estrume da classe, sobre a qual eles cagam e espezinham, esfregando-se nela.»(*)

Antigamente, tínhamos medo de ir às manifestações. Agora, alguns querem que tenhamos medo de não ir às manifestações. Antes, tínhamos medo de fazer greve. Agora, alguns querem que tenhamos medo de não fazer greve.

(*) (Isto é realmente uma citação, como se vê pelos erros de pontuação. Não dou a referência, porque este blogue não tem bola vermelha e, assim, não pode fazer publicidade a certas coisas. Mas, como tenho frequentado certos locais onde algumas pessoas se sentem livres para mostrar o que lhes vai na alma, se calhar qualquer dia trago mais jóias naturais aqui.)

Cheguei a esta jóia natural pel' A Ritinha.

10.12.08

rotos e remendos da autonomia



Secretária da Educação dos Açores altera grelha de avaliação dos professores.


A Madeira terá um sistema de avaliação docente, os Açores o seu, o Continente outro ainda. Que mal há nisso?
O curioso é que esta situação, mais do que a bizarria administrativa que alguns vêem sempre em tudo o que seja diferença entre regiões, é que ele coloca o próprio problema da autonomia - não das regiões, mas das escolas.
Porque é que cada região não há-de ter o seu sistema de avaliação? Porque é que cada escola não há-de ter o seu sistema de avaliação? Porque é preciso que haja carreiras nacionais de professores na escola pública e essas carreiras, para serem transparentes, têm de assentar em alguns critérios e mecanismos de comparabilidade. Garantindo, por exemplo, alguma justiça no acesso à mobilidade. Cada escola não pode ser uma ilha rodeada de silêncio e escuridão por todo o lado.
E isto, precisamente, sendo necessária muito mais autonomia para as escolas. Mas enfrentando estes "pequenos" problemas. Que vão sendo atabalhoados na vozearia da negociação ao estilo "todos contra todos".


grandes investimentos em publicidade (VI)



Educação, avaliação e coisa e tal. Mário Nogueira: "O primeiro-ministro está sempre em desacordo com as soluções apresentadas pelos sindicatos para a Educação".


Nogueira acusa o PM de estar sempre em desacordo com as propostas dos sindicatos. Os sindicatos, pelo contrário, têm dados imensas mostras de abertura às reformas que o governo da nação pretende levar a efeito, não é? O PM discorda, oh! o malandro! Mas não faz mal, porque como os sindicatos, que são bonzinhos, concordam habitualmente, a coisa faz-se. Com o acordo dos sindicatos, porque Nogueira não quer que os acusem de estarem sempre em desacordo, não é assim?!

trabalhos de casa



Ajuda aos fabricantes de automóveis dos EUA transforma Estado em accionista das empresas.


Antigamente, a Direita governava e a Esquerda sonhava. Entre outras coisas, sonhava com as nacionalizações e outras simplicidades acerca do papel do Estado na comunidade política.
"Antigamente" é coisa para querer dizer "antes de Mitterrand chegar à Presidência em França". A Esquerda juntava-se nisso mesmo: em sonhar. Enquanto se dividia no facto de a "esquerda democrática" não tolerar as ditaduras comunistas e os comunistas as acharem "democracias reais" (ou socialismo real, que supostamente era o mesmo que ditadura do proletariado). O fosso entre as várias esquerdas foi-se agravando, nomeadamente quando comunistas se viraram contra comunistas, quando (por exemplo na Hungria e na Checoslováquia) alguns comunistas quiseram democracia real e outros acharam isso uma ingenuidade. Mas continuavam todos a sonhar.
Até que um dia - suponhamos que foi um ano depois da primeira eleição de Mitterrand - alguma esquerda se apercebeu de que sonhar não bastava. O que era justo. Porque era preciso ser mais concreto quando se chegava ao governo. Mas não valia a pena ter exagerado e ter acreditado que valia a pena deixar de sonhar - de todo. Mas esse foi o primeiro passo para o pensamento único: vamos devagar e vamos fazer tudo com as ferramentas que os neoliberais nos recomendam. É assim uma espécie de querer comer a sopa com o garfo de sobremesa: é assim, mais coisa menos coisa, a "esquerda moderna".
Entretanto, e por falta de trabalho de casa, ninguém pensou muito em fazer qualquer coisa pelas velhas ferramentas. Os "modernos" nem queriam ouvir falar delas. E os "antigos" (tipo Jerónimo e Louçã) continuaram a pensar tudo mais ou menos nos mesmos moldes. E foi assim que, chegados à crise, constatamos que em vinte e tal anos não fizemos grande coisa para actualizar a caixa de ferramentas da esquerda. Ou será que a política da esquerda é, agora, o que a General Motors pede que se faça?!

9.12.08

porreiro, pá... ou, quem tramou o tratado de lisboa?


Depois da carne de porco: Bovinos irlandeses também estão contaminados com dioxinas, alerta Comissão Europeia.

Quem tramou o Tratado de Lisboa, já se sabia, foram os Irlandeses. Mas quais? Os suínos? Os bovinos? Ou nem uns nem outros?
Afinal, Barroso sempre encontrou uma solução para "o problema irlandês". Maoísta uma vez, maoísta para toda a vida: e ninguém dobra a espinha a um maoísta.(*)

(*) Tal como ninguém molha um copo de água.

microscópios embaciados


Edward Steichen, The Flatiron, 1904

Alunos "maiores de 23" não estão nos cursos do ensino superior que garantem mais e melhores empregos.

Este é um dos temas de capa do Público de hoje. A linha geral é simples: aumentou muito o número de inscritos no ensino superior pela "via da segunda oportunidade" mas a maioria desses alunos não têm grande sucesso (não estão a transitar em grandes percentagens) e escolhem cursos sem interesse.
A miopia face à realidade, por razões ideológicas, é há muito tempo uma constante deste jornal.
As razões ideológicas, neste caso, são a desconfiança de tudo o que seja criar oportunidades para as pessoas fazerem da sua vida algo que não conseguiram "à primeira". Quem teve berço, ou sageza, para arrancar na linha certa, aproveitou. Quem não teve esse berço ou essa sageza, paciência, que se aguente e que não tenha agora "ideias".
A miopia, neste caso, nota-se pela completa ausência de análise das condições que diferenciam um estudante da "via mais de 23 anos" da maioria dos outros estudantes: são trabalhadores e têm condicionamentos horários para participar na escola? têm família? a escola têm horários compatíveis para quem não é estudante a tempo inteiro? um estudante "regressado" necessita ou não de tempo para voltar a ter o necessário ritmo de trabalho?
É mais fácil escrever que estes estudantes "quase não se encontram nas faculdades que, segundo o Ministério do Ensino Superior, garantem melhor empregabilidade". Escolhem, portanto, cursos tortos. E os outros, o que escolhem? E ainda: foi estudado qual o tipo de progressão que esses cursos podem garantir a quem os escolhe, no concreto?
Reconheço que o meu percurso pessoal me torna particularmente irritável por este tipo de abordagens. Comecei a trabalhar a tempo inteiro antes de entrar para a universidade. E nunca mais deixei de o fazer. E isso reflectiu-se no meu percurso académico. Levei mais anos a fazer o curso do que teria necessitado se fosse um aluno "certinho". Isso não me impediu de ter feito o que entretanto fiz em termos académicos. Se a análise do Público me tivesse apanhado há uns anos atrás, certamente daria a previsão de que eu nunca faria o doutoramento e nunca teria oportunidade de fazer o tipo de investigação que actualmente faço. E certamente daria também a previsão de que o curso que escolhi, Filosofia, não passava de um remendo para a impossibilidade de escolher um "bom curso", com empregabilidade.
Mas essas coisas escapam aos microscópios embaciados dos ideólogos de serviço.

8.12.08

grandes investimentos em publicidade (V)


- Se não tivesse visto, não acreditaria!
(Clicar para aumentar. Cartoon de Marc S.)


Estranho,o ET?! De modo nenhum! Estranhos são os outros!

(Este é um cumprimento, um tanto ou quanto zangado, a todos aqueles que frequentam a caixa de comentários deste blogue, não para atacar o rigor factual das informações aqui expostas ou a lógica dos argumentos - mas para se espantarem, ou até se escandalizarem, por eu - pasme-se! - não estar alinhado com as suas impecáveis visões do mundo.)