11/11/13

o PS entrou na tropa do Comendador Henrique Monteiro ?


Está em desenvolvimento - na vida real, sempre muito mais rica que a ficção - o enredo do próximo filme de Manoel de Oliveira: a fusão à la Frankenstein‎ entre o Comendador Marques de Correia e o jornalista Henrique Monteiro. A novela até já mete o recurso às novas tecnologias em formatos tão conhecidos de alguns alunos do secundário (a "tecnologia" de citar sem mencionar a fonte).

Por estranho que pareça, ainda algo me consegue surpreender nisto tudo: o mar onde o Comendador Henrique Monteiro vai pescar aliados na grande guerra filosófica contra Sócrates, o Parisiense. Vejam, na imagem abaixo, o Secretário Nacional do PS, velho companheiro de estrada do SG, o camarada Álvaro Beleza a "bater palmas" ao esforço heróico do Comendador contra o diabólico socratismo (ao qual nem sequer falta o vade retro contra o "blogue governamental" Câmara Corporativa). (Para os que não praticam o Facebook, esclareço: estou a falar do "gosto" que o camarada Beleza apôs ao textinho de Henrique Monteiro.)

Ou será que piratearam a conta do camarada secretário nacional do PS no Facebook e, parafraseando Bocage, alguém virá declarar: "o 'gosto' que aquele camarada deu, não foi o Álvaro que o deu, fui eu" ?


8 comentários:

Anónimo disse...

Ninguém quer saber dos problemas propriamente Kantianos (inclusive no C. Corporativa) portanto estamos no grau abaixo-de-cão da filosofia.

Porque a pergunta pode ser: que valor tem dizer a verdade se ela é ao mesmo tempo acompanhada de interesse próprio, de motivações patológicas? Que valor moral tem dizer a verdade se eu com isso entrego alguém a um assassino esperando recolher algum benefício dele? Não é isto utilizar outros seres racionais como meios (o homem que eu entrego com a verdade na expectativa de recolher benefícios do assassino) em vez de sempre e a todo o momento como fins?

E não diz Kant na Crítica da Razão prática que há uma diferença inultrapassável entre as exigências da lei moral e a capacidade da vontade empírica, digamos assim, a realmente existente, de tal modo que a relação da segunda para a primeira é apenas de aproximação e nunca de coincidência?

João.

Anónimo disse...

Um bocado para o deplorável. Citando um outro grande pensador, mas contemporâneo, não havia nexessidade.

António

Jaime Santos disse...

Porfírio, deixe lá isso... É claro que há no PS quem não gosta de Sócrates ('ali sentam-se os nossos Adversários, os nossos Inimigos sentam-se conosco na nossa bancada'). Monteiro quis ir buscar lã e veio todo tosquiadinho e anda a ver se justifica à posteriori os disparates que disse, procurando promover uma discussão séria sobre a filosofia de Kant (agora!). Não se gasta cera com ruins defuntos. E olhe que se continuamos nisto, ainda passamos por perigosos socráticos (e o Porfírio por controleiro ao estilo de Zita Seabra). Nunca mais arranjamos emprego ;-) !

Porfirio Silva disse...

Não vejo isto como uma conversa sobre a moral kantiana.
Vejo isto como mais uma pouca-vergonha de certos pregadores que por aí andam.
Não tenho tanto medo dos extremistas como tenho medo dos cínicos - isto é o que me move.

Anónimo disse...

Eis pois, no seu comentário, a forma correcta de colocar toda esta confusão: "uma pouca-vergonha de certos pregadores que por aí andam."
Há muitos e é nestes deslizes que se revelam e mostram o carácter. Usar uma coluna, sob pseudónimo, num suposto grande jornal, para sob a capa e o pretexto de um grande tema (filosofia) escrever um texto cuja única motivação era atacar e destilar ódio sobre alguém ...é muito revelador e elucidativo!! Vir depois tentar emendar a mão (num estilo: pior a emenda do que o soneto) e simultaneamente fazer-se de vitima é a suprema hipocrisia. Algo do género: posso usar a ironia para atacar, mas, se a coisa afinal correu mal, não aceitarei que os outros sejam irónicos. Se o forem, invoco o corporativismo.

Flávio disse...

Boa tarde.
Não sei se o HM reparou, mas ao escrever o que escreveu contradisse a sua 1ª teoria: de que Kant não tinha encontrado uma solução para o dilema. Isto porque HM diz que Kant dizia que havia situações em que se tinha de mentir ao assassino, em cirsunstâncias como a de mentir «à Gestapo para lhe salvar o couro». Ou seja, primeiro disse que Kant foi peremptório, mas depois já diz que não tinha encontrado uma solução para o dilema. Falando mesmo em «intérpretes apressados».

Flávio disse...

No seu facebook escreveu mais tarde: «Henrique Silveira Sabe que eu não tenho pretensão nenhuma em ser especialista e menos ainda de Kant.» Mas escreveu na sua 1ª crónica: «a mim quem me toca em Kant é como tocar-me num órgão vital». Não assume.

Porfirio Silva disse...

Flávio, não vamos gastar muito tempo a discutir Kant com HM, não lhe parece melhor ?!