26/03/12

episódios das guerras das ciências.



Robert Trivers, então um nome importante da sociobiologia, declarou à Times em 1 de Agosto de 1977: “Mais tarde ou mais cedo, as ciências políticas, o direito, a economia, a psicologia, a psiquiatria e a antropologia serão todas ramos da sociobiologia”.
A sociobiologia como uma tentativa de retirar legitimidade epistemológica às ciências sociais. Em nome de mais "cientificidade".
Afinal, apenas mais uma forma das tentativas de suprimir os cruzamentos pluralistas de disciplinas científicas, desta vez em nome de uma interpretação particular dos conhecimentos da biologia. Arrogância científica. Não foi a primeira, não será a última.

3 comentários:

Anónimo disse...

"Afinal, apenas mais uma forma das tentativas de suprimir os cruzamentos pluralistas de disciplinas científicas, desta vez em nome de uma interpretação particular dos conhecimentos da biologia."

Julgo que é mais do que isto. É que finalmente damos uma volta completa em que a ciência tendo começado, talvez na renascença, em parte como uma reação à metafísica, começa ela agora, pelo menos por porta-vozes como o que cita, a querer tomar o assento da metafísica, ou seja, de tudo poder reduzir a princípios que devem ser evidentes por si mesmo e cujo labor do pensamento é apenas conseguir chegar a apontá-los.

Parece-me pelo seu post que a ideia derradeira dessa posição pertence ainda a uma filosofia da substância - uma filosofia portanto pré-crítica, pré-kantiana e mais ainda, a meu ver, pré-hegeliana.

Cumprimentos,
João.

Porfirio Silva disse...

Não concordo que a ciência da renascença tenha começado como reacção à metafísica. Tratou-se antes, julgo eu, de uma mudança de metafísica. (Uma leitura interessante para essa coisa das mudanças de metafísica é o Koyré, nos estudos galilaicos, por exemplo.)
Concordo com os que pensam que não há ciência nenhuma sem metafísica. Nesse ponto concordo, p.ex. com Popper (embora discorde em muitos outros pontos).

Anónimo disse...

"Não concordo que a ciência da renascença tenha começado como reacção à metafísica. Tratou-se antes, julgo eu, de uma mudança de metafísica."

Sim acho que está certo. É preciso esperar mais tempo para que na ciência haja uma crítica mais evidente à metafísica - em todo o caso Galileu já começou por recusar a ideia de uma ciência puramente teórica e nesse sentido, julgo, a colocação em evidência do método experimental já é uma forma prática, em-si, digamos, de recusar a redução do saber ao racionalismo metafísico medieval.

Por metafísica grosso modo entendo o pensamento que defende a autosubsistência de primeiros princípios - quer dizer, fudamentalmente independentes do pensamento que os pensa e que são para o próprio pensamento hegemónicos.

Esta é uma definição que já não inclui por exemplo alguns contemporâneos como Alain Badiou cuja posição ainda não consegui distinguir bem.

Cumprimentos,

João