23/12/11

privatizações.


O Estado português vendeu a sua parte na EDP ao Estado chinês. Até é melhor entrar em negócios com quem tem dinheiro e vontade de o fazer render - e a China tem - do que fazer negócios com pobretanas que andam a contar os tostões e querem vender os móveis na primeira oportunidade. Até é melhor entrar em negócios com quem não vai aproveitar a sua participação na empresa para proteger os seus outros negócios, em prejuízo da EDP, o que poderia ser o caso dos alemães, por exemplo - mas não é o caso dos chineses, que não têm interesses conflituais com a EDP. Contudo, isto não é uma privatização: é uma venda Estado a Estado. Nada que pareça preocupar muito os ideólogos liberais, que inventam maravilhosas teorias acerca das vantagens de largar as empresas aos mercados.
Mas, claro, os mercados não nascem na natureza, tudo nele são criações institucionais. Como se vê neste caso: o principal interesse dos chineses na EDP estará, provavelmente, nas renováveis - e a grandeza da EDP nas renováveis é largamente um produto das políticas "voluntaristas" e "irresponsáveis" de governantes que sonharam colocar-nos entre os melhores a nível mundial nas indústrias do futuro. Foi isso que deu o "preço simpático" a que se referia a senhora secretária de estado, não foi o espontâneo moinho dos mercados.

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