20/09/11

enquanto não passamos à independência.


Ok, estamos todos indignados com a Madeira de Jardim, o abuso de poder e as manigâncias com o nosso dinheiro, mais ainda com as cumplicidades de "cubanos" que lhe aparam o jogo e têm padrões moralistas variáveis consoante as conveniências. Certíssimo. Não obstante, convém não reduzir tudo a isso.
O nosso problema com a Madeira, enquanto comunidade política, é mais profundo: é que consentimos em criar ferrolhos institucionais que nos tolhem. Os jogos políticos, ao longo de muitos anos, foram atirando as regiões autónomas quase para fora do perímetro legal geral da República. Que a comunidade política dos portugueses, no seu todo, só possa agir por iniciativa das regiões autónomas, o que acontece em matérias decisivas, equivale, em casos de crise, a só poder perseguir o criminoso se ele pedir por favor que o prendam. Nos Açores temos tido a sorte de ter presidentes dos governos regionais que são pessoas decentes, como foi João Bosco e como é agora Carlos César. Mas nada garante que seja sempre esse o caso no futuro. A vertigem autonomista criou ilhas políticas onde antes havia arquipélagos geográficos, redundando em mais uma fraqueza do Estado e da democracia.
Cabe dizer, em abono da verdade, e sem perdoar os indesculpáveis silêncios de Cavaco Silva, que o actual PR nem sempre esteve do lado errado da questão autonómica, tendo ele alertado, a certa altura, para os perigos de ficar todo o país nas mãos da iniciativa do interessados em causa própria. É certo que Cavaco peca, frequentemente, por ser mais lesto a dizer as coisas que interessam aos seus companheiros políticos do que a procurar o equilíbrio das soluções: isso tirou-lhe autoridade quando quis fazer voz grossa para os Açores, ao mesmo tempo que comia e calava aos desmandos do Jardim madeirense. De qualquer modo, para termos uma noção mais geral do significado dos últimos episódios da Madeira, convém não apontar os dedos todos só para alguns actores. Convém assumir esta novela como uma falha política da nossa democracia, falha essa que pode alastrar.

1 comentário:

Jaime Santos disse...

Eu calho de achar que se alguem nao quiser ser Portugues tem o direito a que lhe facam a vontade e nao me digam que com isto vamos abrir uma caixa de Pandora. Afinal, onde em tempos se disse que Portugal jamais abandonaria os seus territorios ultramarinos, temos hoje nacoes independentes, sem que Portugal tenha sofrido muito com isso. Quanto ao eventual mau governo dessas nacoes, ele nao e problema nosso, perdoem-me o 'isolacionismo'. O que eu nao aceito e viver numa comunidade politica onde uma regiao autonoma tem destratado sistematicamente os responsaveis politicos da Republica (enquanto desbarata recursos que sao de todos), e ja agora todos os outros cidadaos da mesma Republica, que calharam de eleger esses mesmos responsaveis, porque os eleitos politicos regionais acenam periodicamente e de forma sibilina com o fantasma do separatismo. Nao ha ca Portugueses de primeira e de segunda. A Madeira e os Acores sao regioes ultra-perifericas com necessidades especiais, mas a Lei e igual para todos.