25/06/10

curso de verão, precisa-se


Portagens nas Scut avançam apesar do chumbo no Parlamento.

Para evitar títulos "lindos", alguém pode explicar ao jornalista que o Parlamento ontem não aprovou nada? Que a votação de um diploma, na generalidade, carece (em geral) de uma apreciação na especialidade (em sede de comissão), durante a qual muita coisa pode ser negociada e modificada? E que só depois disso o diploma, às vezes muito diferente do projecto original, será de novo votado e eventualmente aprovado? E que, como neste caso se tratava de revogar legislação em vigor, continua por enquanto tudo na mesma - até que o processo conclua?
Claro, falta negociar como se podem e devem fazer as coisas. Infelizmente para o jornalismo apressado, legislar não é a mesma coisa que abrir uma lata de cerveja: não é só puxar pelo penduricalho e já está.

5 comentários:

Tiago Tibúrcio disse...

Bravo Porfírio. Parece tão simples (quer dizer, é tão simples). E isto é tanto mais impressionante quando é tão frequente esta confusão. São precisos cursos de verão, de outono, inverno e primavera.

Tiago Tibúrcio disse...

Acrescentaria apenas uma precisão (que, a bem dizer, era desnecessária). Todas as iniciativas legislativas têm uma fase de discussão e votação na especialidade. Normalmente esta fase é feita em comissão. Há, porém, algumas que a constituição obriga que sejam feitas no plenário da AR. Mas todas têm, por exigência constitucional, esta fase.

Porfirio Silva disse...

Tiago, obrigado pela precisão. Didacticamente, não se pode dizer tudo no primeiro curso: o tipo lá do jornal nem sequer foi à primeira lição!

Tiago Tibúrcio disse...

eheh. Mas a verdade é que não deixa de ser procupante que, num domínio que até tem jornalistas especializados (não sei se é o caso dos jornalistas que assinam a peça), seja tão gritante o nível de iliteracia sobre o sistema político (não sou tão benévolo quanto tu, quando dizes que é jornalismo apressado)e que contamina tudo. É o mesmo jornalismo que acha que uma petição apresentada por milhares de cidadãos obriga a AR a decidir num determinado sentido. Ou uma iniciativa de referendo popular. Que, como dizes, lida mal com as minudências dos processos e com as tensões que fazem parte do equilíbrio do sistema. Devíamos dar isto (a organização do poder político) na escola. Bolas, começou a segunda parte do jogo. Abraço.

Porfirio Silva disse...

Concordo. Vamos lá ver o jogo...