5.7.10

candidato a pro-cônsul para a Lusitânia

12:10

Paulo Rangel considera "inconcebível" que primeiro ministro afirme que CE tem "posições ideológicas ultraliberais".

Não deve estar a falar como deputado português ao Parlamento Europeu (isso serve para representar os portugueses, não "aquele" português em especial que se senta "naquela" cadeira especial).
Não deve estar a falar como candidato a presidente do PSD (isso já passou, espera-se que ele tenha dado conta).
Estará a engrossar currículo para uma posterior nomeação como pro-cônsul para a Lusitânia?

(Agradeço ao José Magalhães pela notícia.)

a culpa é do Zé Manel?!

10:21

Sócrates contra Barroso: Comissão tem "preconceito" contra o Estado.
«"A postura da Comissão Europeia contra o estado português", sublinhou [José Sócrates] ao jornal espanhol [El País], "reflecte um preconceito contra a posição dos estados como accionistas. Não se trata de economia, mas de uma ideologia ultraliberal".»

Não sei, não.
É possível que haja uma linha de defesa jurídica para o modo como o Estado está a enfrentar esta questão. Espero, politicamente, que sim: acho que isso seria bom para o interesse nacional.
Contudo, cabe a pergunta: foi a Comissão Europeia que obrigou os Estados-Membros a privatizar os seus interesses estratégicos? Não me parece.
Se calhar, mais valia assumir que se seguiram políticas erradas, subordinadas a preconceitos ultraliberais, na governação do nosso próprio país. E não estou sequer a falar dos últimos quatro ou cinco anos. Estou a falar de um ciclo mais longo. E estou a falar do futuro, das privatizações previstas.
Para mais tarde recordar - ou para mais tarde chorar sobre o leite derramado?

alternativas a Sócrates dentro do PS


Cansados de esperar pelo fim do ciclo (sim, todos os ciclos acabam, mas o quando e o como são contingentes), alguns, em vários quadrantes políticos, procuram alternativas a José Sócrates dentro do PS. Alguns, discretamente, apenas dizem coisas vagas para ir mantendo o pulmão a respirar. Outros, mais apressados, lançam fogo para o ar. São pontos de viragem onde, por vezes, se perde a noção da substância e se encarreira mais pela táctica da guerrilha (pouco) urbana, num cenário de vale tudo.
Guerrilha urbana? Ah, essa pode ser uma via. Vejam bem, que talvez seja exemplar, este deputado municipal do PS a ensaiar uma aproximação à abordagem insurreccional de Rui Rio: Deputado municipal de Aveiro propõe destruição dos pórticos da portagem. Informa a católica rádio: «Raul Martins, deputado municipal do PS, avança a proposta para uma acção directa: “O senhor Presidente devia propor que todos os membros desta assembleia se levantassem, fossem lá e arrancassem os pórticos. Eu até tenho a motosserra no carro, aquilo é num instante. E não tenha problemas, porque há aqui meia dúzia de advogados para nos defender”.»

O calor é tramado, não é?

(Isto é só para se convencerem de que a meteorologia não afecta apenas a "oposição".)

4.7.10

o BE e as agruras da democracia burguesa


Citamos o Convenção Extraordinária:
«Foi ontem entregue a subscrição para a realização da Convenção Extraordinária subscrita por 316 camaradas (dos 318 que a subscreveram dois camaradas saíram, entretanto, do Bloco). O documento que entregámos foi o seguinte...» (continua)

Citamos o Estações e Caminhos:
«... Os camaradas sabem que a discussão deveria ter sido feita e que os militantes a queriam ter feito. Os camaradas sabem que os militantes do Bloco não querem ter o mesmo candidato que Sócrates e que os eleitores do Bloco não votam Bloco para fazerem campanha ao lado do PS dos PECs que já vieram e dos PECs que hão-de vir.» Mais no género.


3.7.10

a metafísica do mercado e a virgindade interesseira

10:20

Tenho de deixar aqui registados alguns excertos da coluna de Nicolau Santos no suplemento Economia da edição de hoje do Expresso.

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«(...) se há país que mais tem utilizado o poder do Estado para impedir a compra das suas empresas por estrangeiros tem sido precisamente (adivinhem!) Espanha. Os exemplos abundam no sector energético, no sector financeiro, no mercado de combustí veis. Em Itália, Berlusconi impediu que a mesma Telefónica tomasse o controlo da Telecom Itália. E o que fez a Telefónica? Meteu o rabo entre as pernas e veio tentar comer um osso que julgava mais fácil.»
Um aspecto dessa "facilidade": os que, em Portugal, estão sempre de braços abertos a tudo o que "venha de fora".

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« As virgens ofendidas do mercado têm muitos países onde ir morrer longe, inclusive em Inglaterra onde ainda existem golden shares!»
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« A PT sem a Vivo deixa a Liga de Campeões das telecomunicações e passa a jogar nos campeonatos distritais. Mas Portugal também fica muito pior. Até agora, com a Vivo, a PT é um dos maiores empregadores nacionais., sobretudo ao nível dos jovens engenheiros e gestores formados nas escolas portuguesas; uma das empresas que mais atrai o talento nacional; uma das empresas que mais investe no país, em particular na área da inovação; uma das empresas que mais impostos paga; uma das empresas com mais atividade nas áreas de responsabilidade social. Sem a Vivo, tudo será diferente para a PT e para Portugal. A escala será muito mais reduzida, quase paroquial. É isto que o veto do Estado português ao negócio quer impedir. Por isso, foi muito bem utilizado.»
Mas isso, para os fantasistas do mercado-entidade-metafísica, não conta nada.

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« E [o Estado] muito menos contava com a "traição" de BES, Ongoing (...) e Visabeira (...). Decidiram vender tudo - e também a honra. O Estado viu-se assim obrigado a utilizar a golden share no final da assembleia e não antes. Honra, sim, à Controlinvest de Joaquim Oliveira que votou contra a proposta. Mas faço o meu mea culpa: nunca mais defendo a existência de núcleos duros nacionais para controlar empresas estratégicas. Só há uma maneira de elas não serem adquiridas por estrangeiros: através do controlo, directo ou indirecto do Estado. O resto não existe. »
É que o interesse público existe. Mas o mercado-como-entidade-metafísica não sabe disso.

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« O caso PT/Telefónica coloca em cima da mesa a questão central do papel do Estado na economia, que muitos querem reduzir à função assistencialista dos pobres e desvalidos do progresso. Viu-se na recente crise que, se não fosse o Estado (i.e., o dinheiro dos contribuintes), inúmeros bancos privados se teriam afundado sem remissão. Que depois disso os mercados façam pagar a esses mesmos Estados (i.e., aos cidadãos), com língua de palmo,os apoios à banca e à economia, é de uma revoltante hipocrisia. Como ficou provadíssimo, os mercados são muito imperfeitos e as empresas estão muito longe de se autorregular. O Estado deve, por isso, ser um regulador forte e impiedoso e, ao mesmo tempo, controlar sem medo nem hesitações algumas empresas e áreas de atividade que consideram estratégicas para o país. De outro modo, será o poder do dinheiro e dos mais fortes a mandar em tudo e todos. Ora, esse poder só tem um interesse: o seu. E uma divisa: privatizar lucros, socializar prejuízos. E isso é intolerável.»
Mas não faltam os que querem usar o Estado para dar ainda mais corda a esses interesses de alguns contra todos.