1.3.25

Acordai !


Deixo aqui, para registo, o meu editorial de ontem (28/02/2025) no Acção Socialista, que assino na responsabilidade de diretor dessa publicação. 

 

***


A Declaração de Princípios do PS afirma-nos como um partido cosmopolita. Não é linear fixar concretamente o sentido exato desse cosmopolitismo, até porque não creio que ele se confunda com uma adesão acrítica à globalização, que teve benefícios, mas também perdedores.

Acredito que esse cosmopolitismo aponta para a nossa identificação com um universalismo onde cabem todos os seres humanos, na sua diversidade, titulares dos mesmos direitos fundamentais. Se do marxismo-leninismo nasceu uma espécie de “internacionalismo” onde todos os aderentes à causa, em qualquer parte do mundo, deviam servir os interesses do “socialismo num só país” (a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), o socialismo democrático está vinculado a um outro internacionalismo, onde sofremos pelas dores de todos, vibramos com as lutas de todos, nos regozijamos com todas as vitórias da emancipação e da vida boa, em qualquer canto do mundo – e reconhecemos com reciprocidade os direitos fundamentais de todos os seres humanos. Essa identificação como partido cosmopolita traduz o nosso interesse permanente pelo estado do mundo.

Esse cosmopolitismo, que aqui enuncio na coloração (mais tradicional) de internacionalismo, deve manter-nos alerta na hora grave que vivemos no mundo. Com todas as suas imperfeições (incluindo as falhas na concretização de uma prosperidade partilhada), a Europa (e, especificamente, a União Europeia) é um dos espaços onde os ideais da liberdade protegida nas instituições democráticas tem resistido mais aos ataques dos seus inimigos, os autocratas e os inimigos da universalidade dos direitos humanos fundamentais. Esse nosso espaço de liberdade está a ser ameaçado. Ameaçado pela corrosão interna de democracias com quem estamos envolvidos no plano da ordem internacional, reforçando o inimigo interno das nossas democracias. E, agora, ameaçado pelo adensar das ameaças de uso da força para configurar uma cena internacional mais favorável aos autocratas. Nenhuma democracia europeia estará a salvo se não forem decisivamente derrotadas quaisquer tentativas para expandir a mancha dos Estados vassalos neste canto do mundo.

A guerra é o limite existencial. A guerra é a negação de tudo o que é genuinamente humano. (Além do mais, para a esquerda, a guerra sempre foi ocasião de divisões dolorosas.) Contudo, a guerra não se evita com o falso pacifismo dos que se dispõem a trocar a liberdade pela vida, aceitando a servidão como escapatória. Ser genuinamente pacifista é trabalhar para que seja contraproducente, para qualquer potência, iniciar uma guerra. Esse pacifismo genuíno deve ser prosseguido com negociações, claro, porque é com os adversários e inimigos que é mais difícil, mas também mais necessário, negociar para evitar a desgraça mútua. Mas deve, também, esse pacifismo genuíno ser prosseguido com a determinação de nos opormos aos que usam a força das armas como alavanca dos seus interesses. Essa capacidade para nos opormos à servidão requer meios, capazes de travar os que só entendem a linguagem das armas. Nós, os europeus, esperámos tempo demais para tomar nas nossas próprias mãos a responsabilidade de proteger a nossa liberdade dos seus inimigos. De todos os seus inimigos, onde quer que eles estejam. Não estamos perante um jogo. Estamos perante uma encruzilhada existencial: temos o direito de esperar que a política democrática não se distraia da gravidade da hora atual. Nem escamoteie o debate público dos desafios do momento presente.


(Publicação original: Acordai!)



Porfírio Silva, 1 de Março de 2025
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22.2.25

A Ucrânia, Putin, Trump e os servos




O regresso a um imperialismo americano bárbaro, com Trump e Putin, vem acompanhado de um odor nauseabundo à mentalidade dos servos: alguns dos servos falando como se fossem de esquerda.



Embora já se esperasse que a segunda vitória presidencial de Donald Trump nos EUA traria uma fragilização da posição da Ucrânia na guerra com a Rússia, creio que ninguém esperava exatamente o que se está a passar. Trump e Musk, ao mesmo tempo que tratam de destruir as instituições dos EUA - um processo que vem sendo preparado ao longo dos anos, designadamente minando o aparelho judicial, um alerta para aqueles que pensam que estão protegidos contra a emergência de ditaduras -, lançaram-se desenfreadamente em campanha aberta a favor de tudo o que seja extrema-direita, especialmente na Europa Ocidental; ameaçaram o uso da força contra várias nações independentes, incluindo países europeus; adotam, crescentemente, a narrativa de Putin acerca da invasão russa da Urânia e, cereja no topo do bolo, Trump e Musk querem colonizar a Ucrânia - isto é, querem apoderar-se das suas riquezas naturais, como pagamento do apoio que os EUA deram no passado ao esforço de guerra ucraniano. Quer dizer: Trump quer vingar-se do apoio (interessado) que Biden deu à Ucrânia.

No meio de tudo isto, a União Europeia paga o preço do acumular das suas cegueiras estratégicas.

A UE não viu que precisávamos de um sistema de segurança comum na Europa, que fosse confortável para o “Ocidente” e, também, para a Rússia - porque é estultícia esquecer que a questão da paz não é uma questão entre amigos, a questão da paz é uma questão entre adversários ou inimigos. São os adversários ou inimigos que precisam de tratar da paz entre si, não é inteligente pensar que só nos interessa a paz entre amigos. Querer ter paz na Europa desprezando os interesses de segurança da Rússia é uma arrogância que se paga caro, como se vê.

Do mesmo modo, a UE não viu que a aliança de segurança com os EUA estava minada por uma previsível divergência de interesses estratégicos com os EUA, que se tornaria notável a qualquer momento quando os EUA mostrassem mais claramente a sua faceta imperialista mais bárbara. Como está a acontecer agora. E os fracos líderes que pululam na UE preferiram manter a ilusão da “paz perpétua” sob o “guarda-chuva americano” e fazer de conta que não era preciso pensar na nossa própria segurança, com as consequências que estão à vista.

Talvez, para mim, mais inesperadamente, os dias mais recentes produziram um micro-fenómeno curioso: gente que se pinta como muito de esquerda anda radiante com as novas bençãos que Trump e Musk dão a Putin e com os renovados ataques que o “eixo do mal” de cabeça dupla na Sala Oval desferem contra o governo da Ucrânia. A narrativa de desculpabilização do infrator volta a circular - com gente tão de esquerda por cá a aproximar-se da, agora, tese de Trump segundo a qual a iniciativa da guerra foi da Ucrânia. Renasce a conversa de que mais valia termos sido simpáticos com Putin. Numa palavra: opinadores com mentalidades de servos brilham, agora, de novo, à luz do dia, iluminados pela estrela dupla Trump-Musk!

Queria, com o resto deste apontamento, fazer duas coisas, neste momento grave do nosso mundo: reafirmar um certo número de posições que são as minhas; mostrar que essa é a linha que sigo desde o primeiro dia desta guerra.

 Quanto ao primeiro ponto, reafirmar posições que têm sido as minhas desde a invasão russa da Ucrânia:

  • é inaceitável a iniciativa de atacar outro país pela força, a Rússia tem de perceber que isso tem consequências - mesmo que tenhamos, nós, europeus, um preço a pagar por essa afirmação da liberdade;
  • a responsabilidade russa pela agressão não desculpa “o Ocidente” (incluindo a UE) das suas próprias responsabilidades por não ter procurado um modus vivendi com a Rússia após a queda da União Soviética: a fraqueza russa após o colapso da URSS foi aproveitada para tentar humilhar a Rússia, desprezando os seus interesses de segurança, o que, para cúmulo dos escândalos, foi sendo combinado com os interesses de alguns em se fazerem a guarda avançada dos interesses russos na economia de alguns países europeus;
  • não é aceitável confundir Putin com o povo russo, mesmo que a maioria dos russos aprovem as ambições do seu Presidente - quanto mais não seja por respeito por aqueles que também sofrem, internamente, os efeitos da ditadura putinista;
  • estando em guerra, é preciso procurar a paz: o apoio à resistência ucraniana nunca deveria ter excluído a procura de caminhos de negociação, para tentar acabar a guerra o mais depressa possível, atendendo até aos pesados custos que os povos europeus foram pagando por esse conflito, mas atendendo, também, às dificuldades causadas a muitos outros países por esta guerra na Europa (é incrível como os dirigentes europeus ignoraram, ou desprezaram, o peso desta situação para muitos países amigos, por exemplo em África); a arrogância com que os países ocidentais descartaram todos os países que tentaram posicionar-se como eventuais pontes… só demonstra uma arrogância irresponsável;
  • não saímos daqui sem largarmos a ideia de que o mundo pode ser seguro se for seguro só para nós: precisamos de uma sistema de segurança comum que não faça de conta que todos os países são amigos uns dos outros e que seja capaz de lidar com as rivalidades realmente existentes no nosso mundo;
  • é impossível a UE ganhar a batalha pelo respeito pelo direito internacional se tiver duplo padrão de adesão ao direito internacional: a pretensa firmeza na Ucrânia e a patente desresponsabilização no Médio Oriente, quando metidas no mesmo saco produzem uma incoerência que será, a prazo, fatal;
  • não é aceitável meter no mesmo saco a competição económica e os conflitos armados - e, por isso, não devemos apoiar as pretensões de nenhuma potência para ameaçar outros países pela força quando o que está em causa são motivos económicos e não legítimos interesses de segurança.
Quanto ao segundo ponto - mostrar que há uma linha que sigo desde o início desta guerra -, ele é relativamente facilitado por ter tido acesso regular à expressão dos meus pontos de vista no espaço público. Assim, passo a transcrever aspetos das minhas declarações, escritas ou orais, em diferentes meios, indicando sempre o link onde uma leitura/audição mais abrangente do contexto pode ser verificado.

24 de fevereiro de 2022, Facebook:

A ouvir o PCP no Parlamento tenho a impressão de que percebi mal as notícias desta madrugada: afinal, foi a Ucrânia que invadiu a Rússia?!

(Clicar aqui para verificar o original.)

14 de maio de 2022, Facebook:

Leio por aí um certo número de escritos que parecem dizer muitas coisas acerca da guerra provocada pela invasão russa da Ucrânia, sendo, afinal, apenas variações de uma única ideia: deixem a Rússia fazer, porque a Rússia é enorme e pode fazer-nos mal, não obstaculizem Putin porque ele é forte. É o tipo de ideia que só pode ser produzida por gente com mentalidade de servo. O salazarismo viveu muitos anos à conta de massas com essa mentalidade. E, não, ser de esquerda é incompatível com ter mentalidade de servo.

(Clicar aqui para verificar o original.)

24 de maio de 2022, Facebook:

O jornal Público publicava uma notícia intitulada «Kissinger apela ao Ocidente para não infligir derrota pesada a Moscovo e pede “sensatez” à Ucrânia». Republiquei, com o seguinte comentário:

Não se pode dizer que Kissinger tenha as mãos imaculadas. Mas talvez faça entender duas ideias importantes: a primeira, que uma segurança comum é a segurança para todas as partes, não apenas para uma das partes; a segunda, que uma guerra mal resolvida trará no seu bojo, não a paz, mas guerras futuras.

(Clicar aqui para verificar o original.)

24 de junho de 2022, “Ucrânia e UE: os variados prémios à Rússia e o engodo dos momentos históricos”, in Machina Speculatrix:

Se a Rússia, com a invasão e a guerra, conseguir desorientar a UE, se conseguir afetar a coesão interna da UE, se conseguir que dentro da UE se relativizem valores, que se esqueçam princípios, que os procedimentos ad hoc se sobreponham a métodos de decisão apurados ao longo de décadas, se conseguir abanar as instituições da UE, então a Rússia terá obtido um enorme prémio pela sua agressão à Ucrânia. A Rússia quer uma UE fraca, por isso apoia as extremas-direitas que cá dentro trabalham contra as nossas democracias. Se conseguir, por esta via, enfraquecer a UE, a Rússia terá um prémio que o invasor não devia obter. A benevolência com que hoje se olha para Estados-Membros que não respeitam o Estado de direito, como a Polónia e a Hungria (a par da simpatia com que, na NATO, se lida com as pretensões da autocracia turca) é um sinal perigoso desse risco de erosão da União Europeia (o risco de voltarmos ao estilo da guerra fria, onde todo o julgamento político se resume a "está por nós ou está contra nós?" face ao "outro lado").

(Clicar aqui para verificar o original.)

30 de julho de 2022, Facebook:

(…) ser contra a invasão, e querer que os ucranianos a possam repelir, não é equivalente a esquecer que o Ocidente tem responsabilidades na gestão do caminho que nos trouxe até aqui. Ser contra a invasão não é equivalente a aprovar todos os métodos das autoridades ucranianas. Ser contra a invasão é estar do lado dos que sofrem com a guerra, sem dúvida, mas não é confundir os russos com Putin. Ser contra a invasão não nos pode obrigar a engolir todas as manobras para aproveitar politicamente a situação (desde logo, os que querem mudar a relação de forças dentro da UE à custa da guerra da Ucrânia).

(Clicar aqui para verificar o original.)

11 de agosto de 2022, Facebook:

(…) a PM da Estónia defende a proibição do turismo de cidadãos russos para a Europa. Parece que a PM da Finlândia defende o mesmo. Parece-me um posicionamento absolutamente absurdo. Condeno Putin, um ditador, e condeno a invasão da Ucrânia. Mas, seja dito com toda a clareza, este tipo de posições confunde Putin com os russos. E isso é inadmissível. É, além do mais, uma profunda falta de respeito pelos cidadãos russos que se opõem à ditadura de Putin. Insistir no ressuscitar do espírito da guerra fria é politicamente criminoso.

(Clicar aqui para verificar o original.)

23 de novembro de 2022, Casa Comum, Rádio Renascença:

Neste dia, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução no sentido de que a Rússia seja declarada um Estado patrocinador do terrorismo. Nesse mesmo dia, no programa de debate semanal onde era, na altura, comentador residente, disse:

Desde o primeiro minuto que condenei claramente a invasão da Ucrânia pela Rússia e tenho aqui dito várias vezes que a Rússia não pode ter um prémio por essa agressão. Dito isto, eu considero que é um erro monumental do Parlamento Europeu ter aprovado a resolução, hoje, em que declara a Rússia como um Estado promotor ou patrocinador do terrorismo.

O plano dos conceitos políticos e o plano da batalha política não pode prejudicar a eficácia e eficiência do plano jurídico e da capacidade para as instâncias penais internacionais perseguirem e condenarem os responsáveis por atos inaceitáveis, mesmo durante uma guerra, porque a guerra não é o vale-tudo, a guerra também tem regras. (…)

(…) estar a meter um conceito que é um conceito que juridicamente significa uma coisa deste lado do Atlântico, que significa outra coisa nos Estados Unidos, que tem implicações jurídicas pouco conhecidas, um conceito vago, meter este conceito numa luta que é política e tem que ser política, e é a luta pelo direito da Ucrânia à independência e à autodeterminação, acho que é incorreto.

(Clicar aqui para verificar o original.)

22 de março de 2023, Casa Comum, Rádio Renascença:

A propósito da visita de Xi Jinping à Rússia e do plano de paz para a Ucrânia apresentado pela China:

Eu tenho sempre insistido que o invasor não pode ter um prémio e que nenhum plano de paz pode ser manipulado para dar à Rússia aquilo que ela quis com a invasão Mas também tenho insistido que é preciso encontrar caminhos para acabar com o sofrimento do povo ucraniano e também com o sofrimento de todos aqueles que nos outros países são atingidos pelas consequências desta guerra.

Eu não seria tão radical como os Estados Unidos na reação ao plano apresentado pela China. Eu acho que é preciso olhar com atenção para as propostas da China e ver se elas não podem permitir começar à procura de um caminho. Os Estados Unidos desconfiam tudo o que vem da China. Nós sabemos disso. Mas o nosso interesse nessa matéria não é necessariamente coincidente em todos os pontos com o interesse dos Estados Unidos.

(Clicar aqui para verificar o original.)

5 de abril de 2023, Casa Comum, Rádio Renascença:

Por ocasião da adesão da Finlândia, um país tradicionalmente neutral, à NATO:

(…) esta adesão foi forçada pela invasão russa da Ucrânia. Antes da invasão russa da Ucrânia não havia nenhum sinal de um debate sobre a adesão à NATO na Finlândia, não havia em nenhum país da NATO nenhuma perspectiva ninguém, tinha pensado na adesão da Finlândia à NATO e, portanto, isto é uma resposta a um ato de agressão cometido pela Rússia e não podemos perder isso de vista.

E, acrescentava:

Toda esta situação mostra o fracasso do conjunto da comunidade internacional em criar um sistema de segurança coletiva. Isto é, um sistema de segurança para todos, mesmo para aqueles que não são amigos. Mesmo para aqueles que são adversários. E, portanto, a incapacidade de criar um sistema que inviabilize o recurso à guerra como meio para resolver divergências. O mundo precisa de uma ordem internacional onde ninguém se sinta autorizado a tomar uma ação de força só com base no seu próprio juízo e precise de respeitar a ordem internacional, a lei internacional. Nós temos que ter consciência que, por um lado, a Rússia tem desafiado sucessivamente a ordem internacional. Lembremos, por exemplo, da intervenção na Geórgia em 2008, ou a anexação da Crimeia em 2014.

Mas temos de ter também consciência que os países ocidentais também deram, em alguns momentos, sinais errados acerca do respeito por essa ordem internacional. A invasão ilegal do Iraque em 2003, por exemplo: claramente, não apenas erradamente motivada, porque os argumentos invocados afinal eram falsos, mas, ainda, em claro desrespeito pela a ordem internacional. E não podemos, também, esquecer, por exemplo, toda a problemática que diz respeito aos bombardeamentos da Nato sobre a Sérvia e o Montenegro no fim da década de 90, que também foram feitos sem cobertura do Conselho de Segurança.

Isto põe uma questão essencial: nós olhamos para uma ordem internacional que não tem os meios, não tem as instituições adequadas para garantir a segurança de todos.

(Clicar aqui para verificar o original.)

19 de novembro de 2024, Facebook:

Eu não gostaria de uma paz que fosse um prémio ao invasor, porque isso alimentaria a voracidade do agressor. Contudo, não se constrói - nem se procura - a paz falando apenas com um dos lados. A histeria dos que atacam todos os que procuram preservar a possibilidade de mediação (por exemplo, a histeria dos que atacam o SG da ONU sempre que procura manter o respeito institucional por todas as partes que deveriam entender-se) é desprezo cru pelo sofrimento que a guerra espalha.

Temos de estar preparados para a guerra, é certo neste mundo real em que vivemos - mas isso será pura desumanidade se não estiver acompanhado de um esforço real e concreto para fazer a paz.

Claro que o duplo padrão exibido por muitos países ocidentais quando toca à questão da Palestina, onde o respeito pelo direito internacional já parece muito relativo, mostrando a face hipócrita de alguns supostos "valores elevados", só torna tudo isto mais repelente. Tão repelente como os que arranjam desculpas para a Rússia agressora e depois nos querem dar lições na condenação de Israel.

(Clicar aqui para verificar o original.)

29 de novembro de 2024, “O que esperar de António Costa”, in O Jornal Económico:

“(…) nem toda a propaganda é suficiente para nos fazer ignorar questões simples: o que fez a UE para evitar que se chegasse à invasão russa da Ucrânia, atuando na compreensão de que só a segurança comum é segurança de todos? O que fez a UE para evitar que se chegasse à situação atual no Médio Oriente? O que faz a UE para evitar a proliferação de abordagens claramente incoerentes aos dois casos, onde aqui se apela ao direito internacional e ali se esquecem as suas exigências?

Devemos ter a esperança que um António Costa que, na sua juventude, mostrou que lhe fazia sentido a mensagem “deem uma oportunidade à paz”, e que entendia essa mensagem para lá das fronteiras partidárias, seja capaz de levar as lideranças europeias a compreender que, se temos de estar preparados para a guerra neste mundo real em que vivemos (e não adormecermos todos os dias acomodados à nossa dependência do “amigo americano”), também temos de ser capazes de esforços reais e concretos para fazer a paz (e é entre inimigos que é preciso fazer a paz), onde não confundamos conferências de paz com iniciativas onde só são bem recebidos os aliados de um dos lados. Ignorar a questão limite, que é a questão da guerra e da paz, seria, afinal, suicidário.”

(Clicar aqui para verificar o original.)

Nunca o futuro da nossa rua esteve tão dependente do futuro do mundo. Quem não estiver ciente disso, está na lua.



(Publicado primeiro aqui: Somos Filhos da Madrugada.)

Porfírio Silva, 22 de Fevereiro de 2025
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6.2.25

Pensamentos de um social-democrata acerca do estado do mundo ao dia de hoje





Serei eu o único a pensar que, face à corrente recauchutagem do imperialismo americano, regressando às formas mais cruas e brutais que teve no passado, a União Europeia está a cada hora que passa a perder a oportunidade de mostrar que a sua adesão ao primado do direito internacional não é um mero expediente de oportunidade? Só se invoca o respeito pelo direito internacional quando dá jeito?!

Aqueles que clamam que a União Europeia será um anão político enquanto não tiver força (incluindo força armada) para fazer respeitar os seus valores quando atacados na cena internacional, têm um ponto válido - mas perdem toda a razão se não perceberem que os silêncios de conveniência, os silêncios coniventes, são a outra face do anão político.

E basta ser um anão moral para ser um anão político.


Porfírio Silva, 6 de Fevereiro de 2025
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20.12.24

Ontem fomos todos encostados à parede no Martim Moniz


Deixo aqui, para registo, o meu editorial de hoje no Acção Socialista, que assino na responsabilidade de diretor dessa publicação. 


***

Ontem fomos todos encostados à parede no Martim Moniz

Ontem, numa rua de um bairro de Lisboa, pessoas, muitas pessoas, foram indiscriminadamente mandadas encostar à parede e sujeitas a revista policial, no quadro de um aparato mandado montar para mostrar essa humilhação coletiva a determinados grupos étnicos ou raciais (embora, cientificamente, não existam raças humanas, mas apenas a raça humana). Uma operação desta natureza não podia acontecer sem motivos fortes – e desses motivos, suficientemente concretos, a opinião pública devia ser adequadamente esclarecida. Ora, segundo se sabe, desse espetáculo lamentável resultou a apreensão de uma arma branca e de canábis. A desproporção entre os meios e os resultados, mais as declarações do primeiro-ministro, denunciam o fito puramente propagandístico da operação. As forças policiais estão a ser usadas para fins político-partidários, isto é, para tentar obter uma transferência de votos entre partidos da direita portuguesa, à custa do respeito que devemos a todas as pessoas que vivem na nossa comunidade.


Não por acaso, a zona escolhida para aquela humilhação coletiva e seletiva é conhecida pela forte presença de imigrantes. O governo não se atreveria a produzir este espetáculo numa rua de Cascais ou do Estoril, porque, aí, as perceções preconceituosas que alimentam estas manobras não funcionariam no sentido desejado pelos instigadores. Seguindo uma estratégia de cavar divisões, o governo está, repetidamente, a criar as condições para uma fratura social que julgávamos impossível na nossa sociedade. Não se trata de pretender que não havia racismo entre nós, porque havia. Trata-se de que, até há pouco, não havia nenhuma pessoa decente e com responsabilidades públicas que enveredasse pelo caminho de explorar o racismo existente, latente, subliminar, para espicaçar perceções distorcidas, erradas e contrárias aos dados existentes, apenas como parte de um jogo de pequena política. Hoje, essa espécie, que devia ser rara, tem um espécime na chefia do governo.


Efetivamente, pelo que diz, o primeiro-ministro parece ter sido o mandante desta ação. Não deu nenhuma justificação, nenhuma explicação, nem apresentou nenhum resultado que, pelo menos remotamente, indiciasse qualquer lógica assente na legalidade democrática que estivesse subjacente ao teatro público montado para humilhar pessoas que vivem entre nós e que contribuem para a nossa humanidade comum. A sua explicação é vergonhosa, quando assume que labora na manipulação de perceções.


O primeiro-ministro foi capturado pela extrema-direita. Não somos capazes de precisar se o primeiro-ministro sabe de história o suficiente para compreender que encontramos antecedentes destas práticas de humilhação de grupo para fins políticos na estratégia do partido nazi na Alemanha da primeira metade do século passado ou se é levianamente que o primeiro-ministro entra pelo caminho infernal do acirrar divisões de grupo na sociedade do Portugal onde vivemos.


O que sabemos é que todos os portugueses de paz, respeitadores da Constituição e da legalidade, aderentes aos princípios fundadores dos direitos humanos, foram ontem colhidos por aquela ação numa rua de Lisboa. O que sabemos é que somos todos ameaçados com ações, como aquela, que pretendem acirrar a desconfiança, e até o despeito e a raiva, entre pessoas que são, desta forma, acantonadas em identidades grupais que alguns pretendem transformar em antagónicas. O que sabemos é que todos perdemos com esta ameaça, politicamente inspirada, à concórdia entre membros da comunidade dos humanos que vivem no nosso país. Por isso, ontem fomos todos encostados à parede no Martim Moniz, e isso foi obra de quem nos governa e trai, por truque político, os seus deveres e responsabilidades. 


(Publicação original aqui: Ontem fomos todos encostados à parede no Martim Moniz .)


Porfírio Silva, 20 de Dezembro de 2024
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15.12.24

A JS no início dos anos 1980, um testemunho

20:55




Por ocasião do XXIV Congresso Nacional da Juventude Socialista, o Jovem Socialista, pela mão do seu Diretor Diogo Vintém, fez publicar um número especial dedicado a esse momento de passagem de testemunho na organização, como é sempre um Congresso onde muda a liderança (saiu, agora, da função de secretário-geral, o Miguel Costa Matos). Para além dos textos "obrigatórios" num número dessa natureza, este número do Jovem Socialista inclui dois textos sobre a história da JS. São dois textos de propostas e de candidatos, a seu tempo, derrotados em congressos da organização. Um desses textos é da minha responsabilidade e reproduzo-o aqui, para registo. No final, darei a ligação para poderem ler na íntegra este número do órgão central da JS.


***

Aproveito o texto que me pediu o diretor do Jovem Socialista, camarada Diogo Vintém, por ocasião do XXIV Congresso Nacional da JS, o primeiro congresso em muitos anos que ultrapassa aquilo que considero a insuficiência democrática da candidatura única sistemática, para um exercício de estímulo a mais informação e mais reflexão sobre a história da JS. A história da JS é uma história política, não é uma mera cronologia de líderes, e não deve ser caricaturada. Deve, pelo contrário, saradas as feridas dos confrontos passados, ser assumida, debatida e pensada como parte do processo de crescimento do coletivo, grande, livre e plural, que é este partido a que pertencemos. Então…


O momento em que assumi maiores responsabilidades no debate político na JS foi o V Congresso Nacional, em fevereiro de 1984. Fui candidato à liderança, com uma moção intitulada “Com as nossas mãos o futuro, com os militantes a esperança”. Os autores do livro “Juventude Socialista: 30 anos de estórias de Portugal e do Mundo” (2004), escrevem que ocorreu aí a primeira rutura com a continuidade diretiva da JS desde a sua fundação, saindo derrota a lista alinhada com a anterior direção, liderada por Porfírio Silva. Vale a pena contar aqui um pouco do contexto desse Congresso, que são os começos dos já longínquos anos 1980.


O IV Congresso (1981) elegera como secretária-coordenadora a primeira mulher a liderar, em Portugal, uma organização político-partidária com autonomia: Margarida Marques. Ainda não tinham passado 7 anos sobre o 25 de Abril e os socialistas estavam na oposição ao governo da primeira AD. A crise interna do PS, por ocasião da reeleição de Eanes para a Presidência, estava a causar muitas feridas.


Foi durante esse mandato que entrei para o Secretariado Nacional. Pela primeira vez, 5 membros desse órgão eram obrigatoriamente camaradas residentes fora de Lisboa, os 5 Secretários Nacionais de Coordenação Regional, cobrindo todo o território. (Eu entrei para o SN com a coordenação de Aveiro, Coimbra e Viseu). Sistematizou-se, ainda, a prática das reuniões do SN com as Federações.


Foram anos de atividade política intensa, da qual podemos destacar alguns aspetos, em vários planos. A JS elaborou, em colaboração com camaradas do Partido, um projeto de lei de Bases do Sistema Nacional de Educação (antes de qualquer outra iniciativa para aprovar essa lei). Apresentou no parlamento dois projetos-lei para legalização das associações de estudantes (um sobre ensino secundário, outro sobre ensino superior) e um projeto-lei sobre o estatuto dos objetores de consciência ao serviço militar (em tempos de serviço militar obrigatório, a objeção de consciência estava na Constituição, mas não na lei).


Reformulou-se o apoio à participação de socialistas nas associações de estudantes, tendo passado de 5 para 40 as associações do secundário onde estávamos presentes. No superior, as vitórias mais importantes foram na Associação Académica de Coimbra, em Direito (Lisboa) e na Universidade dos Açores.


Tema candente na altura, a JS entrou na luta contra o nuclear (campanhas “Não a Sayago” e “Armamento Nuclear Não, Obrigado”). Em outubro de 1983, a JS realizou uma grande Conferência sobre a Paz e o Desarmamento, com participação de várias organizações socialistas estrangeiras e muitos oradores nacionais de referência, marcando a posição da esquerda democrática, que, querendo travar a corrida aos armamentos, seguia a análise de François Mitterrand, numa Europa ainda dividida pelo Muro de Berlim: vemos que os mísseis estão a Leste e que os pacifistas estão a Oeste. Fui um dos principais responsáveis pela conceção e realização desta conferência, que tinha como objetivo político contrariar a tentativa dos comunistas para instrumentalizar a luta pela paz.


De destacar, do trabalho feito neste período, a criação do Conselho Nacional de Juventude. Por iniciativa da Juventude Socialista, em maio de 1982, sentaram-se à mesa e chegaram a acordo para criar o CNJ, subscrevendo as suas Bases Gerais, 20 organizações de juventude, as mais representativas no espectro partidário e fora dele. Fui um dos subscritores desse documento. Ficou de fora a JSD, que só aderiu mais tarde. É um sinal (triste) das tentativas de reescrever a história que, posteriormente, alguns tenham feito tudo para apagar da história os iniciadores do CNJ, alimentando a ficção de que começou apenas no momento da sua escritura formal de constituição.


Entretanto, a conflitualidade interna, quer no PS quer na JS, era muito elevada neste período. No PS, o IV Congresso (maio de 1981) registara a divisão interna mais virulenta de toda a nossa história. O V Congresso (do PS) baixara um pouco a tensão, mas, principalmente, à custa de uma situação política completamente diferente: o PS estava de novo no governo, formalmente aliado ao PSD. Nas eleições legislativas, a minoria partidária tinha quase completamente desaparecido das listas de candidatos a deputados e do grupo parlamentar. Muitos dirigentes da JS eram (ou eram considerados) próximos da minoria partidária. No governo do Bloco Central, o Ministro da Educação era do PSD – e, vistas as suas políticas, passado algum tempo a JS pediu a sua demissão. (O PSD fazia oposição todos os dias ao governo PS-PSD, mas não era esse o caso do PS…). No cruzamento de todas estas questões, uma parte do aparelho do PS considera que a JS era “oposição” e que era preciso encontrar uma direção mais “tranquila” para os jovens. A minoria da JS aproveitou esse balanço (e o apoio no terreno de muitos funcionários do partido, que foram incentivados a apoiar uma das candidaturas). Com a revolução e o 25 de Abril a deixar de ser tema dominante na vida dos jovens, avançava a passos largos o processo designado como “despolitização” e a direção da JS (e eu próprio, como candidato) era tido como “demasiado ideológico” para os tempos.


Havia, de facto, na altura, clivagens dentro da JS acerca do entendimento que devia ser dado à autonomia da organização e à especificidade da nossa missão junto da juventude portuguesa. Dou um exemplo que está muito vivo na minha memória. Quando o Secretário-Geral do PS entrou no pavilhão onde se realizava o V Congresso, em Tróia – Mário Soares era, nessa altura, Primeiro-Ministro do governo PS-PSD – eu levantei o congresso com uma palavra de ordem que visava a demissão do ministro da educação, do PSD (creio que seria “Seabra para a rua”), na sequência do pedido de demissão que já tínhamos feito publicamente. O meu camarada José Apolinário, o candidato que saiu vencedor desse congresso, alinhou na onda e juntou-se ao pavilhão, que já estava em uníssono a seguir aquela reivindicação. Mas, depois de ganhar o congresso, esqueceu isso e explicava-nos que o partido não gostaria dessa reivindicação… Hoje, quando alguns se queixam de que a JS não faz “o seu trabalho” junto da juventude, lá fora das nossas portas, vale a pena refletir sobre se, realmente, é mais importante que a JS seja a voz do PS junto da juventude ou que a JS seja a voz da juventude junto do PS…


Retrospetivamente, há quem, mais jovem ou menos jovem, tenha alguma dificuldade em entender o que era Portugal no princípio da década de 80 do século passado. Li, há algum tempo, numa das publicações da JS sobre os 50 anos da organização (dirigida pelo camarada Diogo Vintém, diretor do Jovem Socialista), que alguém teria escrito: “1984 marcou a necessária rutura com um passado necessariamente romântico. Em Congresso Nacional, a JS altera a sua linha política, agora coerente com as posições económico-sociais que o PS vinha defendendo. Do socialismo autogestionário à defesa de uma economia de mercado regulada pelo papel do Estado foi o passo de gigante que a Juventude Socialista deu nos duros anos 80”. É difícil imaginar um retrato mais distorcido do que se passava na JS (e no PS) (e no país) naqueles anos. Passado pouco tempo, o PS registaria o pior resultado eleitoral legislativo da sua história e 10 anos de Cavaco Silva estavam prestes a começar. A esquerda estava em dificuldade – e os socialistas, a principal força da esquerda, também. O tempo da despolitização jogava, principalmente, contra a esquerda moderada. E, mais do que tudo, entre a juventude. Pensar nisso seria pensar nas condições de ação política naquele tempo. Isso seria mais útil, para os tempos de hoje, do que qualquer tipo de mistificação (as mistificações são sempre favorecidas pela falta de conhecimento histórico: onde é que alguém pode ver, nas moções apresentadas ao congresso de 1984, o tal socialismo autogestionário?!)


Uma das tarefas mais continuadas que me ocuparam durante o tempo em que fui dirigente nacional da JS a nível executivo, além de ter sido responsável pela Formação, foi a publicação do Jovem Socialista. Exerci essa responsabilidade como chefe de redação, porque a Comissão Nacional sofreu durante largos meses de falta de quórum (provocado, como parte da querela interna), impossibilitando a eleição do diretor. Assim, assumindo a secretária-coordenadora o papel de diretora-interina, foi como chefe de redação que fiz publicar 11 números do órgão central da organização, entre novembro de 1982 e janeiro de 1984. Desses, os 9 números regulares saíram em formato de revista e os 2 últimos (o nº 76, com os materiais do V Congresso; o nº 77, com uma retrospetiva do Jovem do IV ao V Congresso) saíram em formato de jornal. Fazendo um pouco de arqueologia, deixo-vos uma lista exemplificativa dos textos publicados no Jovem Socialista entre o IV e o V congressos da JS. Vejam (e depois da lista faço ao leitor uma pergunta simples):


The Clash, o rock contra o racismo, Não ao armamento nuclear, Os jovens, o 25 de Abril e a Música, Masculino/Feminino: factos e imagens, Campismo é cultura, Movimento de escritores novos, Camões e a sua obra, Defender o meio ambiente, Estatuto do Objetor de Consciência, Dossier Turismo Juvenil, Natal: um produto para consumo? Os mistérios de Milton Nascimento, Discocrítica, Planeamento familiar, Entrevista com Mário Soares,  Os Jovens e o serviço militar, Bob Marley ao Jovem Socialista, Entrevista com Filipovic, Nuclear: dizemos por que não, JS recebe resistentes salvadorenhos, O jovem consumidor e o desporto escolar, Objeção de Consciência, Vida Sexual da Juventude (inquérito e entrevista com Maria Belo), JS em Beirute, durante a invasão israelita, Entrevista com Rosa Mota, Desporto associativo em Aveiro, Campanha para as autarquias: entrevista com Eduardo Pereira, Entrevista com um objetor da consciência francês,  O negócio das armas, RTP, para quê?, Entrevista com Soares Louro sobre Comunicação Social, Comer, perigo de morte?, Reportagem: «Eu abortei!», Perspetivas do movimento ecológico internacional, Os comunistas e o nuclear, A revolução na Nicarágua, Livros proibidos no regime fascista, The Wall (Pink Floyd), O movimento dos Cineclubes,  Lançamento do Prémio Literário Jovem Socialista, Estudantes Socialistas em Encontro Nacional, Cultura em debate (depoimentos de António Reis, Margarida Projecto, Fátima Murta e Fernando Alçada), Entrevista com dois artesãos de Idanha-a-Nova, Sobre a Lei da Defesa Nacional, Defesa do Consumidor, Defesa do Património Natural e Cultural, A civilização do «Macho», A Imprensa de juventude no estrangeiro, Plano de Emprego de Jovens, O Ambiente na Constituição, O Rock dos nossos tempos, Banda Desenhada, Edição Especial: Política de Juventude da JS, Movimento Ecológico Internacional, Desarmamento nuclear, Repúblicas coimbrãs, Dia do Estudante; entrevista com Jorge Sampaio, dirigente associativo em 1962, O que é a regionalização, A loucura militar, Serviço cívico: inquérito de rua, Mapa por um mundo solidário, Entrevista com Aquino de Bragança, intelectual moçambicano, Relatividade estrita: apontamento científico, Beatle John, Que fomento desportivo em tempo de crise,  Poesia britânica, Grande inquérito «E agora, socialistas?»,  O erotismo de andar de bicicleta, Marx, quem és tu?, Objeção de consciência no Parlamento Europeu,  Fala-nos um palestino, Entrevista com Soeiro Pereira Gomes, As dimensões do Universo, Humor e política, História do Xadrez, Declaração sobre a Paz, Os homens ou as armas?, Entrevista com Manuel Alegre (sobre o seu livro “Babilónia”), O roteiro dos ecologistas, Alimentação em férias, Pratique desporto, A mulher em Os Lusíadas, A arte das aranhas, Mulher... em chinês, Número especial sobre desarmamento, Entrevista com dirigente da JS espanhola, Oposição filipina ao Jovem Socialista, A Juventude Socialista e o Governo: inquérito de rua, A educação sexual, Reivindicações estudantis, Existirão outros sistemas solares?, Cuidado com o Pato Donald, Como vamos de música.


Lendo esta lista de assuntos tratados no Jovem Socialista, no início dos anos 1980 (tinha, na altura, uma tiragem de 5000 exemplares e era distribuído gratuitamente por todas as estruturas, uma das poucas despesas que o Partido não nos regateava), parece-vos que denota uma organização paleolítica?


(O número do Jovem Socialista onde este texto foi editado pode ser lido na íntegra ou descarregado aqui: Jovem Socialista nº 537, dezembro 2024)



Porfírio Silva, 15 de Dezembro de 2024)
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