13.4.13

Alberto João vai pintar 200 obras para substituir Paula Rego.




Duas centenas de obras de Paula Rego deixam Portugal.

Lê-se ou vê-se (em vários órgãos de comunicação social) e não se acredita: com a extinção da Fundação Paula Rego, a artista pediu a devolução de todas as pinturas, desenhos e aguarelas que tinha em Portugal como empréstimo à Casa das Histórias.

A extinção da Fundação Paula Rego foi mais uma consequência dos foguetes que este governo lança para fazer de conta que faz alguma coisa para lá de nos apertar o gasganete e roubar a esperança. Claro que ninguém tocou, por exemplo, na Fundação Social Democrata da Madeira: Jardim pode começar a pintar, a ver se consegue substituir as obras de Paula Rego.


os homens de Barroso andam por aí.

12:11

Notícias há que dão os "barrosistas" a querer preservar Miguel Relvas e a pretender que ele continue a ter um lugar de destaque no PSD. Se calhar, esse manter-se em jogo no tabuleiro nacional tem uma explicação: José Manuel ainda não estará certo de que consiga o lugar internacional pelo qual luta (talvez com mais afinco e método do que luta pela Europa, o que também não é difícil) e, assim sendo, ainda não desguarneceu completamente a frente portuguesa (porque ser candidato a PR pode ser uma alternativa, se todos os outros cenários correrem mal).

Tal como tem usado a sua posição na Comissão Europeia para espalhar pelo mundo, como embaixadores, amigos que, em pontos vitais da cena internacional, puxam o lustro à ambição barrosista de ser secretário-geral das Nações Unidas, o mesmo homem tem usado a mesma posição para espalhar amigos em Portugal. Não vou agora falar dos que se espalham pelos gabinetes ministeriais onde "ser da troika" ou "ser do governo" são condições difíceis de distinguir. Indo, de momento, por outro lado, vale a pena ler a notícia abaixo, publicada hoje no Expresso. Ela relata algo que nos deveria escandalizar acerca do chefe da representação da Comissão Europeia em Portugal.

Aliás, sobre o referido representante da Comissão Europeia em Lisboa, valeria a pena investigar como chegou ele a esse posto (aliás, valeria mesmo a pena investigar como chegou à própria representação da Comissão em Lisboa), que concursos passou (ou não passou) para ascender a essa posição - e, se chegou lá sem ter passado por nenhum concurso que o habilitasse a tal, como é que isso se explica. Indo mais longe em direcção ao passado, até se poderia ir investigar se, na sua qualidade de funcionário do "executivo comunitário", não terá cometido nenhuma falha grave nesse estatuto, especialmente à luz da sua ocupação como membro de uma espécie de "representação diplomática" no nosso país - a saber, figurar num órgão da candidatura presidencial do actual inquilino de Belém sendo funcionário no activo daquela instituição comunitária.

Enfim, histórias da rede do barrosismo - que não ficarão eternamente por contar.


(clicar na imagem amplia)

11.4.13

não havia necessidade.

17:02

A Junta de Freguesia do Troviscal, Oliveira do Bairro, anunciou ter uma oferta de trabalho para Miguel Relvas, mediante ordenado mínimo e contrato a termo, já que a freguesia é extinta no final do ano.

Isto informa o Diário de Notícias. E mais informa que "O 'anúncio' foi colocado na última edição do Jornal da Bairrada pelo presidente da Junta, Adelino Cruz, independente eleito pelo CDS". E mais: "A criação da 'vaga de emprego' para Miguel Relvas, que mereceu parecer favorável dos restantes elementos da junta, é para desempenhar tarefas como operador de máquinas, à experiência e mediante contrato a termo certo, até outubro, porque no final do ano está determinada a extinção da freguesia."

Pois bem, é sabido, no círculo restrito dos que me lêem (e, eventualmente, ouvem) que não tenho grande apreço por Miguel Relvas. Nem grande nem nenhum, ponto. Mas, francamente, não acho de todo graça à graçola do presidente de junta. De um modo ou de outro, um órgão político deste Estado que é de todos decidiu usar essa qualidade para achincalhar um político, no caso, um ministro parece que demissionário ou a pensar ser demissionário. Uma junta, que é uma parte do Estado, poderia aprovar moções, protestos e sei lá mais o quê para dar voz à indignação das populações que representa, fosse essa indignação justa ou injusta. Mas divulgar um falso anúncio de emprego, usando - acho eu, indevidamente - o nome da junta, parece-me simplesmente uma palhaçada. Tenho, aliás, dúvidas - mas não sou jurista - de que a brincadeira seja legal.

Já agora, tinha piada se Miguel Relvas se apresentasse a aceitar o lugar. Era uma cena que eu gostaria de fazer, se estivesse no lugar dele. Mas não estou certo de que ele se leve tão na desportiva como eu tento levar-me a mim.

Mas o que interessa não é isso. O que interessa é que há muita gente espalhada por esses capilares do Estado que pode ser muito esforçada e muito útil às populações, mas sem chegar a perceber que os órgãos de poder não devem ser brinquedos que cada um usa como bem entende. Porque as pequenas palhaçadas legitimam as grandes. E as grandes e as pequenas, todas juntas, poluem muito este ar que escasseia.

logo à noite.

10.4.13

o provável próximo discurso de PPC (escrito por RAP).


Excertos:
Portugueses:
O Governo, preocupado com o aumento do desemprego, criou legislação que permitiria reduzir a taxa de desemprego em cerca de 50 por cento. Era uma medida corajosa que consistia no seguinte: executar, com um tiro na nuca, 500 mil desempregados. Mais uma vez, o tribunal rejeitou a medida por violar aquilo a que os juízes chamam, naquele jargão jurídico impenetrável, a "lei".
(...)
O sonho de Francisco Sá Carneiro era: um Governo, uma maioria, um Presidente. Eu (...) sonho um pouco mais alto: só me satisfaço se puder governar com um Governo, uma maioria, um Presidente e a Constituição de 1933. Com a que temos neste momento, que vigora há mais de 30 anos e foi aprovada com os votos do partido a que presido, descobri agora que é impossível.
O ainda primeiro-ministro,
Pedro Passos Coelho

Ricardo Araújo Pereira na Visão de amanhã.


Visita ao estúdio de Francis Bacon.


(Republico aqui um texto que saiu antes na página da plataforma MILPLANALTOS.)

Perry Ogden, Photographs of Francis Bacon’s Studio at 7, Reece Mews. 1998


Visitei o estúdio do falecido Francis Bacon. Acho justificada a minha curiosidade de visitar o estúdio de um morto, desde o momento que se saiba que Francis Bacon nasceu no mesmo ano que eu. Não pelo seu nascimento original, mas pela sua última morada inabitual e último local de trabalho até à morte física confirmada desse animal que pintava. Foi o seu último nascimento, a última vez que o pintor da Irlanda em Londres mudou de ovo permanentemente.

Cada quadro teu produz, além do espanto que parte e reparte sem que ninguém fique com a melhor parte, uma legião relativamente desordenada de novos habitantes do mundo: manchas de tinta nas portas do estúdio, que fazem um índice das cores que rodeiam as cores do quadro; as fotografias que justificam as tuas ideias como pintor, que os críticos astutos colocam entre os materiais da tua invenção, que tu, cúmplice, rasgas ou amarfanhas para parecer que estavam lá antes da pintura, porque queres deixar uma pista enganadora sobre a viagem das coisas entre a causa e o efeito, como se os objectos criados pela tua pintura estivessem lá antes, em vez de nascerem como superabundância que escorre do que tu pintas.

As pessoas vêem que tu não pintavas só com pincéis, que deitavas mão a rolos, claro, mas isso, se te aproximava de um pintor de paredes, não chegava ainda a merecer menção; pintavas também com meias velhas, com pedaços de guardanapos (quem sabe de que banquetes) e com veludos; com pedaços de carne talvez não, a análise dos pigmentos nunca deu essa pista, a carne animal estava só na representação. Esse, mais um, ingrediente do caos, não ajuda a perceber a confusão que se instalou nos intérpretes acerca da ordem em que as coisas vêm ao mundo. As sinistras fotografias de cadáveres que restaram da violência naquela prisão americana que bem sabes, também essas fotografias criadas pelas tuas pinturas, que alguém disfarçou de material preparatório, perturbam-me, porque me perturba sempre a tentativa de forçar a seta do tempo a andar na direcção errada. Neste caso, ao contrário das fotos dos teus amantes, que acho magnífico que tenhas criado pintando, é quase criminoso que tenhas transformado essas ideias de cadáveres violentados em papel fotográfico, em imagens que até têm outro autor, conhecido e de nomeada, para aprimorar o distúrbio ontológico, e esse quase crime está num ponto simples que a tua voragem criadora não acautelou: é impossível saber se essas imagens, além de como fotos escorrerem da tua pintura, não prosseguiram o delírio do Ser ao ponto de terem criado aqueles cadáveres, aquela prisão, aquela chacina, até aquele Truman Capote que testemunhou tudo, dando ao teu acto de criação do mundo uma testemunha mundana.

Desorienta-me que se conte a história do mundo ao contrário da seta do tempo.

Francis Bacon tinha no estúdio uma fotografia de um homem que escreve enquanto a parte inferior do seu corpo se encontra entre as mandíbulas de um crocodilo morto.

Bruno Latour, esse teórico da sociedade como associação sempre em curso, como redes de forças, diria que não há crocodilos mortos, que um morto (crocodilo ou não) não empurra nada nem ninguém para fazer seja o que for e que qualquer coisa que não faz força alguma para que alguma outra coisa tenha uma acção segundo o seu impulso, essa coisa praticamente não existe. Vemos pouco as coisas paradas, fomos evolutivamente desenhados para dar atenção ao que se move, porque pode ser uma presa ou um predador, já as coisas paradas somem-se da vista, como se entrassem no nevoeiro da imaginação poética que nada faz ao mundo. Se não há crocodilos mortos, como pode estar um homem a escrever com a parte inferior do seu corpo entre as mandíbulas de um crocodilo morto? Isso seria uma coisa existente, praticamente existente, um homem que escreve, mesmo que faça pouco ao mundo, entre as mandíbulas de uma coisa inexistente, um crocodilo morto.

É certo que nos sentimos inúmeras vezes entre as mandíbulas de coisas inexistentes.

Contudo, a monarquia britânica não cessa de existir quando todos os membros da família real dormem e nenhuma cerimónia própria da instituição está em curso, porque as prerrogativas e os poderes permanecem, mesmo que não estejam a ser exercidos pelas quatro da manhã de uma qualquer terça-feira. Que a rainha durma, que durma o príncipe herdeiro na cama da sua mulher ou da sua amante, que durmam, por hipótese, todos os vivos na linha da sucessão, ainda assim a monarquia existe de forma contínua. Afinal, que diferença há entre uma casa real que dorme e um crocodilo morto, se ambos podem abrigar a parte de baixo do corpo de um homem que escreve. E, contudo, Latour insistiria, acho eu, que não há crocodilos mortos.

Com a tua pintura criaste um mundo que se passeia entre nós para além do alcance da tua mão e agora não te preocupas, decerto, em saber como se trata do animal e das suas manhas: nem imaginas o preço de lhe dar de comer, já para não falar das dificuldades de explicar a coisa quando o nosso filho pergunta porque é que o animal pendurado no talho parece um cardeal e está ali na parede à nossa vista.

Das tuas pinturas saíram como filhas (esta é uma história em episódios inumeráveis) as fotografias de Muybridge, que ficaram conhecidas como uma enciclopédia de imagens do corpo humano em actividades diversas; da superfície enganadoramente quieta dos teus quadros nasceram as infinitas sucessões de imagens, quase fílmicas, de toda a espécie de torsões e convulsões que os corpos humanos fazem, nascendo a carne em movimento de ideias que não encontram repouso e que tu pintavas em cima da ginástica da alma humana enquanto alma animal enquanto alma capaz do pior das almas dos deuses.

A tua biblioteca de páginas arrancadas a livros e revistas, centenas de folhas deslocadas da sua casa, metade de cada folha inutilizada, porque só uma página de cada folha te interessava para essa biblioteca nómada dentro do caos do estúdio, porque só uma página de cada folha podia servir-te de espelho pregada nas paredes da cozinha com banheira (não sei se alguma vez tentante separar as duas páginas de uma folha), a tua biblioteca de páginas arrancadas como pedras atiradas à água que ficam a levitar dois dedos de tensão acima da superfície, é um monstro colorido criado pelos teus quadros para nos enganar com o erro classificatório habitual: materiais de trabalho. Como se existissem antes do que as criou. É como perguntar onde dormem as libelinhas, quando toda a gente sabe que as libelinhas não dormem, que quando dormem parecem aviões comerciais num aeroporto, não libelinhas.

Não sei se alguma vez mediste o alcance da tua responsabilidade. Criar mundos com tintas pode ser repugnantemente irresponsável. A forma que os críticos encontram para te ilibar, um pouco infantilmente, é falar das doenças de pele documentadas em livros médicos que tu possuíste como se os livros médicos tivessem aparecido e sido lidos e observados por ti antes de pintares os teus monstros. Falam, como crianças que não reconhecem a gravidade dos seus jogos, como quem não se apercebe da diferença entre um livro médico, por um lado, e, por outro lado, um livro de desporto ou de política. É possível afastar-te das tuas responsabilidades com teorias correntes sobre o mundo de todos os dias? Sabemos que não é assim. Pintaste esses livros, com os teus quadros, com as doenças da pele que eles documentam: criaste todas as doenças da pele que há no mundo.

O teu contributo para a fábrica da filosofia, ou para a disciplina que alguns tanto acarinham, a ontologia, o estudo do que há, são os teus quadros inacabados. Já sabemos que andaste a criar mundos que nunca mais verdadeiramente voltaram ao redil. O que não sabemos é se estes pedaços de mundo só resultavam das tuas pinturas terminadas ou se, diversamente, começavam logo a destilar dos quadros ainda em construção. Olhando para as tuas obras inacabadas, que não distingo das abandonadas ou esquecidas, não consigo determinar-me sobre esse ponto: suponho que as colecções das obras interrompidas sirvam à ciência para estudar o estatuto ontológico da possibilidade em construção. Há quem acredite que a construção, além de tipicamente encerrar o enigma da pouca diferença (essa terrível semente de mostarda) entre o possível e o impossível, encerra ainda a principal ameaça do tempo: quando paramos deixamos de correr, em qualquer sentido que seja, do passado para o futuro; quando paramos cabe ao tempo escolher o sentido da jornada por vir. Ao parar, nunca sabemos se o próximo arranque será em frente ou às arrecuas.

Naturalmente, deixaste por morte um auto-retrato inacabado. Teria de ser forçosamente inacabado: um auto-retrato completo produziria um outro pintor como tu, Tu, e a simples ausência de um último auto-retrato inacabado deixaria os anteriores auto-retratos activos, a produzir-te pelos séculos dos séculos de novo, Tu entre nós, um regresso herético. Só um retrato incompleto, interrompido, poderia interromper a tua eterna produção de ti pela força dos teus pincéis e outros meios de fazer mundos através das telas.

Bebemos aos cardeais pendurados no açougue. Eles deixam em nós a mesma marca transviada da visão que te marcou cedo: a cara maculada de sangue da enfermeira do couraçado Potemkine, que nunca teve sangue nenhum em vida, mas teve-o todo no Couraçado Potemkine. E isso é que conta, porque assim se fazem os mundos. Pelas mesmas razões que diria que um crocodilo morto não existe, Latour, decerto, falaria de Francis Bacon como um pintor vivo. Mas isso há que perguntá-lo a Francis Bacon.

9.4.13

retrato de Gaspar.



(foto de Chema Madoz)

o único país que Passos e Gaspar sabem gerir...

19:17

Podemos aprender alguma coisa com Thatcher ?

13:14

Podemos.
A dama de ferro foi uma ideóloga da direita radical, da classe dos que só vêem indivíduos-individuais à sua volta, dos que não percebem que só somos humanos em sociedade. Ela negava o próprio nível ontológico do social, quando, na verdade, isso implica ignorar que os nossos comportamentos agregados não são nunca o resultado linear do conjunto dos comportamentos individuais. Por isso há problemas dos colectivos. Thatcher, ideologicamente, ignorava isso. Mas, além disso, essa sua ignorância era violenta. Ela usou o Estado para fazer violência às pessoas - claro, em nome das pessoas. "Tanto amor, tanto ódio", como titula o Público, resulta de um certo tipo de estratégia política. Quem prefere as políticas do ódio, do confronto, quem prefere rasgar, quem prefere ferir e faz disso a sua via, terá grandes títulos. Será amado e será odiado. Podemos encontrar políticos desses tanto à direita como à esquerda. A meu ver, temos de aprender a negar o pão a esses políticos. É isso que podemos aprender com a senhora. Se soubermos recusar essa aura de heroicidade que às vezes concedemos aos violentos.

(retratos)

8.4.13

grandes serviços no Público.

Thatcher.


Poupado, roubo ao Nuno Oliveira:

Da série Grandes argumentos:

Paulo Rangel "Thatcher: um exemplo e uma referência para todos os que acreditam que a política é convicção."

Também o Mao, pá, também o Mao.


No FB.


eleições já?

10:42

Bem sei: estamos já todos fartos deste governo. Uma gente que chegou lá a cavalo num ramalhete de mentiras, que governa arrogante e incompetentemente em pastas-chave, que nunca tem culpa de nada do que corre mal, que julga ter a missão de nos castigar por vivermos. Um governo que usa a crise como biombo da sua cartilha ideológica. Um governo que está a dar cabo das nossas vidas por anos e anos que nunca nos serão devolvidos - embora muitos não percebam isso enquanto a sorte dos outros não lhes bater à porta.

Quer isto dizer que temos de estar entusiasmados com a recente excitação do PS que aproveita o pequeno-almoço, o almoço, o lanche e o jantar para exigir eleições?

Eu não estou entusiasmado com essa exigência de eleições já. Eleições antecipadas valem a pena para sufragar uma alternativa que traga no bojo uma saída desejável para os impasses que amargamos. Para ser alternativa, uma outra política tem de ter conteúdo reconhecível, tem de ser exequível - e tem de estar escorada num bloco político e social capaz de suportar a sua execução. Só vale a pena ir para eleições antecipadas quando essa alternativa existe, é reconhecida pela generalidade das pessoas como tal e se torna urgente adequar a representação ao representado.

Infelizmente, se já todos percebemos o pântano em que estamos, ainda ninguém percebeu muito bem o que vai Seguro e o PS fazer de diferente. Não é o que tenciona fazer de diferente: é o que vai (poder) fazer de diferente. Nem com que forças conta para fazer o que quer que seja.

Nestas condições, o tempo para o PS seria de falar claro e concreto (berrar mais alto não explica alternativa nenhuma: na hora de falar a sério, fala-se mais baixo e mais pausadamente, não se grita mais nem mais depressa). O tempo para o PS seria de apresentar-se activo no debate sobre a reforma do Estado - não para aceitar a sua destruição, mas para lhe opor alternativas, em vez de se refugiar em desculpas procedimentais para não comparecer. O tempo para o PS seria de dar os passos ousados necessários para juntar forças de uma alternativa política e social viável.

Repetir a cada hora a reivindicação de eleições não faz prova suficiente de se ter feito o trabalho de casa - e arrisca ser interpretado como um jogo político com o sofrimento dos portugueses. Ou, então, mera ambição sem ponta de patriotismo - ou, vá lá, sem ponta de bom senso. De passagem, um governo Seguro que desiludisse o país nesta hora grave seria uma desgraça para os socialistas e uma festa para os maximalistas sem quartel de todos os quadrantes.

7.4.13

Coelho ao domingo.

18:54

No meio de muita repetição da conversa do costume, o essencial é que Passos Coelho transforma o acórdão do Constitucional no álibi para o corte permanente de 4 mil milhões de euros, que, como se sabe, já tinha em mente e em preparação há muito tempo.

O único aspecto interessante dessa estratégia é que vai obrigar a oposição a entrar concretamente no debate da reforma do Estado. Acho isso bom, na medida em que desde o início critiquei que a esquerda, em particular o PS, usasse desculpas procedimentais para evitar descoser-se nessa matéria.

LiSBOA EM Si



(Isto é divulgação. Achei que quem por aqui passa gostaria de saber disto a tempo e horas.)

Lisboa em Si tem como objectivo explorar as possibilidades musicais de uma cidade à beira rio. O desenho e toponímia de Lisboa servem como anfiteatro natural para uma paleta de sons e texturas que a caracterizam de forma única e sedutora.

O resultado será uma composição musical de sete minutos, recorrendo aos apitos de embarcações, viaturas de bombeiros, comboios, sinos de igrejas e campainhas de eléctricos. Cerca de cem músicos irão interpretar uma peça original em directo, coordenados entre eles via rádio e espalhados pela zona ribeirinha da cidade.

O evento irá decorrer em toda a zona ribeirinha da cidade de Lisboa, delineado a este pela igreja de St. Estêvão, a oeste pela igreja de St. Catarina e a norte pelo Miradouro de S. Pedro de Alcântara.

Na concepção da obra foram identificados 7 pontos de escuta, que serviram de referências espaciais para um melhor entendimento da dinâmica dos sons neste palco improvisado – Miradouro de ST. Catarina, Praça Camões, Miradouro de S. Pedro de Alcântara, Miradouro da Graça, Castelo de S. Jorge, Miradouro de St. Luzia e Praça do Comércio. A música foi, no entanto, composta para ser usufruída em qualquer lugar, dentro da área já referida, com as variações inerentes às fontes sonoras vizinhas.



Para actulizar a contagem decrescente - e mais informação sobre o projecto - clicar na imagem.

canções anti-racistas.


Billie Holiday - Strange Fruit





Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black bodies swinging in the southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.

Pastoral scene of the gallant south,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolias, sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh.

Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.

(letra de Abel Meeropol, cantada pela primeira vez por Billie Holiday)