15.10.09

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A(O) candidata(o) seleccionada(o) irá trabalhar em simulações e em experiências reais com populações de células e colectivos robóticos. Será dada preferência a candidatas(os) com preparação multidisciplinar, mas é também incentivada a submissão de candidaturas cuja competência se encontre principalmente em uma das áreas mencionadas. Os candidatos serão classificados de acordo com i) adequação ao tema deste edital; ii) curriculum vitae; iii) cartas de referência. As candidaturas estão abertas a cidadãos nacionais e estrangeiros.


The successful candidate will work on simulations and real experiments with cell populations and robot collectives. Multi-disciplinary backgrounds will be preferred, but candidates whose expertise lies mainly in one of the above areas are encouraged to submit their application as well. The applicants will be ranked based on i)adequacy to the call topics; ii) curriculum vitae; iii) letters of reference. The call is open to national and foreign citizens.

totalitarismo para tótós



"Não há condições para qualquer forma de coligação", disse Bloco a Sócrates.

Louçã recusa ajustar linha política do BE e rever relações políticas com o PS.


O essencial do espírito do totalitarismo reside no tudo-ou-nada. Nós contra o mundo, se necessário for, porque o mundo não pode ter razão contra nós. Esse é intrinsecamente o cancro anti-democrático dos radicalismos de fachada, que são os que não sabem nada da raiz das questões. E por isso confundem ser radical com ser extremista. Parece que Louçã não sentiu o vento. E, com isso, Fazenda sobe sobe sobe balão sobe.

esguicho

traição

sociologia política em postas de pescada



Dos bons romances não se lêem resumos. É preciso subir a encosta a pulso, tropeçando em cada pedra, arranhando as mãos, ferindo os joelhos. Só assim se pode saborear a paisagem que se vislumbra lá do alto - quer dizer, o prazer que se aprecia quando o fim vem no momento certo.
A mesma coisa com as boas trapalhadas. Não se resumem para não lhes perder o sumo. Assim com a lama da "blogosfera política". Mesmo quando se trata do blogue do Dr. Pedro Santana Lopes. Vale a pena - vale um estudo de sociologia política - ler os comentários a este post. Mais do que o próprio post, a sequência de comentários. O ponto que mais me inebria é a determinação que alguns comentadores mostram em não ligar nenhuma à informação disponibilizada, continuando o seu "raciocínio" imperturbavelmente.
Começo a dedicar-me mais sistematicamente a analisar caixas de comentários...

[A "reportagem" da "traição de Pacheco Pereira" no "blogue oficial dos socialistas" está aqui.]

[Que não acabes nunca de me esquecer]

08:55


Que não acabes nunca de me esquecer
(A memória como um dente-de-leão
Que resiste a todos os sopros,
Um lume de partículas suspensas
Pairando como luz num dia de Verão,
Enxames crepusculares sobre um curso de água).
Que indelével seja qualquer coisa,
Um cristal de noite, o resto de um riso,
Uma cintilação na nebulosa de instantes
Em que acordámos juntos
E percebemos, num misto de alívio e alegria,
Que o amor não tinha acabado ainda,
Que ainda não nos deitáramos a perder.



Nuno Rocha Morais, Últimos Poemas, Quasi, 2009




a gripe



(Cartoon de Marc S.)


história de portugal: gente que anda para aí esquecida



Lima? Fernando Lima?! Não. Não conheço. Nunca ouvi falar, sequer.



Se calhar nunca existiu.

Nem ele nem o sr. Fernandes.

Isso são invenções do Sócrates.

14.10.09

grafitos vivos





europeus pacóvios





(Recebido por correio electrónico)

tratado de lisboa: a difícil ratificação...



... pelo presidente checo.


(Cartoon de Marc S.)

visões da cidade / lisboa




[Para além do Pont Adolphe]

10:58


Para além do Pont Adolphe, a vida é outra,
A noite é de carne.
Para além do Pont Adolphe, fica o bairro das putas,
As ruas dos cabarés, a minha casa.
Para além do Pont Adolphe,
Há tantas putas como anjos, que saem das igrejas;
As putas esvoaçam em torno dos pináculos,
Os anjos arrastam-se e tropeçam nas asas.
Para além do Pont Adolphe, eu casei contigo,
E não terás de voltar para ninguém a certa hora.
Para além do Pont Adolphe, a tristeza
Já não será sargaço nos teus olhos,
A alma já não é uma casamata,
Nenhuma dor inventou as lágrimas
E a implosão delas, o engolir delas.
Para além do Pont Adolphe, já não precisas de esconder
Os livros que te dou, as páginas não precisam de arder,
O meu nome despiu-se de toda a peçonha.
Mas nunca atravessaremos o Pont Adolphe.



Nuno Rocha Morais, Últimos Poemas, Quasi, 2009


13.10.09

suspender



Sindicato dos Magistrados do Ministério Público apela à suspensão dos sistemas informáticos da Justiça.

Lê-se no Público: «A suspensão imediata de todos os sistemas informáticos do Ministério da Justiça foi, hoje, defendida pelos dirigentes do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), na sequência da denúncia de um ataque aos sistemas informáticos de alguns organismos do Estado Português. O Ministério da Justiça desmente e garante a segurança do sistema. (...) O SMMP solicita à Assembleia da República que exerça os seus poderes de fiscalização, de forma a pôr fim ao clima de insegurança e desconfiança no campo da Justiça.»

Primeiro. Não é só Cavaco Silva que pensa que há sistemas informáticos completamente seguros.

Segundo. Começou o ensaio da peça "suspender". É, talvez, a nova forma que tomará a coligação negativa.

pelas ruas de lisboa



(08/10/09. Lisboa. Foto de Porfírio Silva)

[Com um punhal, de noite]

10:14



Cracóvia, 1914



Com um punhal, de noite,
Com um punhal, alguém bate,
Sem cessar, no umbral.
A terra é uma língua verde,
A infância, um veado azul.
Com um punhal, de noite,
Com um punhal, alguém bate,
Sem cessar, nas paredes dos quartos.
O inferno é o rosto da tua mãe,
O inferno é o rosto da tua irmã,
Pedra e anjo e bosque.
O relógio de sol marca sempre meia-noite,
A tua alma foi com a música
Colher bagas, que esmaga no corpo -
Azuis, vermelhas, violetas.
A cidade é toda vielas
Entre as mandíbulas das muralhas
E os caninos das torres;
A única luz é de archotes plangentes
E jamais se cansam os cortejos fúnebres,
Coros de passos em ranger de gravilha.
Com um punhal, de noite,
Com um punhal, alguém bate,
Sem cessar, à tua cabeceira.



Nuno Rocha Morais, Últimos Poemas, Quasi, 2009



12.10.09

eleições e cidadania

08:45

As eleições autárquicas de ontem trouxeram-me algumas alegrias daquelas que habitualmente se esperam neste tipo de actos. A vitória de António Costa em Lisboa é o primeiro exemplo dessa categoria (até por termos sido "blogue apoiante" dessa candidatura).
Contudo, como não tenho o hábito de me alongar em comprazimentos com vitórias eleitorais, não vou entrar em detalhes dessas contas. Provavelmente, até passaria aqui por alto estas eleições, não fora o querer aqui registar um exemplo de cidadania que acho saudável assinalar.
A foto junta (de má qualidade técnica, do que me desculpo com a circunstância de ter sido feita com telemóvel) testemunha uma das muitas mesas de voto que mobilizaram cidadãos ao serviço da democracia e do país. E, neste caso em particular, testemunha a humildade democrática de Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, que também se apresentou a dar o exemplo desse serviço público, lado a lado com anónimos como nós. Foi ontem na 4ª Secção de voto da Freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa. Gestos que mostram a grandeza da pessoa e, do mesmo passo, engrandecem a nossa democracia. Pese embora o facto de, tendo seguido atentamente o percurso público de Jorge Sampaio, esta elevação democrática não nos surpreender, apraz-nos registá-la para ilustração da república.