07/03/12

os salvadores do mundo, outra vez.


Um dos grandes hackers mundiais era afinal informador do FBI.

Já anteriormente me insurgi contra a tendência para ver os grupos de hackers que por aí andam como uma espécie de fazedores da justiça que falta neste nosso mundo. Perguntando "quem nos salva dos salvadores?", escrevi que essas multinacionais anónimas não andam muito longe da lógica das "milícias populares" que se reclamam da "justiça por suas próprias mãos", num estilo em tempos muito incentivado por Paulo Portas e quejandos. Escrevi que estava inscrita neste tipo de organização a lógica do abuso - abuso esse que, por definição, se coloca fora de qualquer tipo de controlo democrático, popular, jurisdicional, seja o que for.
Acresce, pela notícia acima mencionada, que essas redes "libertárias" são pasto para as polícias. Faltando acrescentar, claro está, que os serviços secretos lhes chamam um figo, mesmo que isso não venha nas notícias. Nada de novo: a infiltração nos que, de algum modo, pretendem representar o lado de fora do sistema, é coisa velha. É esse perigo que ampliamos quando acolhemos, com a pachorra dos indignados que tão indignados são que engolem tudo o que lhes pareça underground, quando acolhemos as pretensões justiceiras dos mascarados tecnológicos e suas invasões de tudo o que pareça discreto ou não publicado.
Nada disto me surpreende. O que ainda me consegue surpreender é a ingenuidade com que gente experimentada aplaude essas milícias info-tecno que espalham a sua coscuvilhice por todo o mundo, sem qualquer tipo de controlo democrático, vestidos de grandes anarcas e montados na ideologia anti-Estados, aureolados pela utopia da total transparência - só para criarem mais um poder oculto que, certamente, o cidadão comum nunca poderá escrutinar.

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