04/09/11

acho que não contaram a história toda ao PM.


Uma pessoa, para viver com saúde mental no seu país, tem de acreditar minimamente nos seus líderes. (Bom, líderes, líderes, é exigir de mais. Nos governantes de turno, vá.) Para isso, tem de admitir que o "chefe do executivo" não é um aldrabão de feira, que o homem não andou em campanha a prometer coisas que não fazia ideia nenhuma se podia fazer, que não andou a dizer mal dos outros e a convencer-nos que sabia muito bem como fazer melhor - quando não fazia ideia nenhuma do que andava a dizer e estava apenas a querer "ir ao pote". Uma pessoa tem de guardar uma réstia, pelo menos uma dúvida, antes de ir pela narrativa pior. Nas actuais circunstâncias, isso só é possível se acreditarmos piamente que Passos Coelho foi embarretado, que lhe deram os números gatados, dossiers técnicos preparados pela santa da Ladeira, que não lhe contaram da missa a metade.
Se calhar disseram-lhe que tinha direito a estátua e tudo - e agora descobre que tem de subir ao pedestal pelos seus próprios meios. O que está a dar um espectáculo deprimente.

Philippe Ramette, The Instalation (Inner Public Square), 2011
(Fotografado no Centro Pompidou, Agosto 2011.)


1 comentário:

Jaime Santos disse...

Nada que nao se tivesse igualmente passado com Socrates e com os outros antes dele, deve dizer-se. Mas ha alguma justica poetica no facto de a crise mundial (essa coisa irrelevante antes das eleicoes) estar a transformar o Principe Passos em Sapo Coelho enquanto o diabo esfrega um olho... Agora, resta saber ate que ponto o eleitorado ja se apercebeu disso. E que a falta de capacidade dos partidos do arco de governacao em resolverem os problemas do Pais, alguns de longa data, nao pressagia nada de bom para a nossa Democracia, e nao e seguramente com refundacoes constitucionais a la Barreto que la vamos...