23/06/10

dificuldades na coligação negativa


Parece que o PS e o PSD estão a negociar o que fazer com as portagens nas Scut. Apesar do desgosto que isso causa a alguns dirigentes do PSD, e de outros terem uma vaga esperança insurreccional no assunto, o que é natural é que os dois partidos que acordaram uma certa via de ataque à crise não falem apenas de teses gerais, mas negoceiem também como elas se hão-de concretizar. Concorde-se ou não com esse acordo, essa negociação é exigível.
Vejo agora nas televisões que há dirigentes da "esquerda da esquerda" que dizem que essa negociação é uma "troca de favores". Chamar "troca de favores" a uma negociação entre forças políticas, negociação essa conduzida no seio do parlamento e no quadro de um processo legislativo, é um gesto indigno. É uma tentativa de cuspir no melhor que há na democracia: a capacidade de compromisso. Chamar "troca de favores" a uma negociação é mostrar que se prefere a destruição das instituições ao seu funcionamento. Criticar o conteúdo de uma negociação é legítimo; apontar outras soluções e defendê-las, é desejável. Falar de "troca de favores" é sintoma de arrogância: mesmo na oposição, há quem se ache detentor do exclusivo da verdade. Lamentável.

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