7.2.13

Os desastres da guerra, a caminhada do medo.


Desde 31 de Janeiro até 14 de Abril está patente, na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, a exposição "Os Desastres da Guerra", pintura e desenho de Graça Morais.
Uma das séries incluídas nesta exposição tem por título "A Caminhada do Medo". Deixamos abaixo duas peças dessa série. Encontram mais informação no blogue da própria artista.

Como imaginam, Graça Morais entra pelos nossos dias dentro com estas suas obras mais recentes. Aconselho vivamente a visita.

Graça Morais, A Caminhada do Medo III, 2011, Carvão e pastel sobre papel, 111 x 150 cm (recorte)

Graça Morais, A Caminhada do Medo VII, 2011, Pastel e carvão sobre papel, 102 x 152 cm


6.2.13

cousas sérias.

18:26




A Mutilação Genital Feminina continua a ser uma prática em muitos países do mundo. A 6 de fevereiro declaramos Tolerância Zero a esta "tradição".
(Amnistia Internacional, Portugal.)

forma de vida.

Franquelim Alves está a ser linchado?

11:57

Álvaro Santos Pereira critica a “tentativa de linchamento público” de que o ex-gestor da SLN está a ser alvo.

Pode ser que Franquelim Alves não tenha feito nada de errado quando andou perto do esturro do polvo BPN. Pode ser que Franquelim Alves apenas tenha tido o azar de cair num antro de malfeitores e não tenha visto tudo o que havia a ver a tempo e horas. É perfeitamente admissível que Franquelim Alves seja honestíssimo e tenha sido tão diligente como se podia ter sido naquele caso: não tenho a pretensão de o julgar, contrariamente aos que julgam sempre que seriam mais clarividentes, mais expeditos, mais honestos se estivessem na mesma situação. Frequentemente, quem acha que veria melhor do que o outro em tais situações é, apenas, por não fazer ideia nenhuma do que são essas situações. Está cheio dessa presunção generalizada este país.
Mas a questão não é essa. Ser governante não é mais um passo na carreira profissional. Não é um direito deste ou daquele. Deve ser, isso sim, um serviço ao país. Prestado apenas em função do critério do interesse nacional. E serve mal ao país que se leve para o governo alguém que arrasta consigo a convivência com malfeitores, ainda por cima com malfeitores que andam por aí e que por sua vez convivem alegremente com o poder, sem que haja indícios, perceptíveis pela opinião pública, de que a justiça esteja a chegar a algum lado quanto a perceber e explicar o que se passou. Pagará o inocente Franquelim por causa desta justiça que não ata nem desata? Pois, talvez; mas governar não é um emprego a que alguém tenha direito. Governar não se pode tornar indiferente às circunstâncias que sugiram ao povo que estão a meter a raposa no galinheiro. Ou pelo menos quem tenha pouco faro para detectar raposas no galinheiro.
Quem optou por esconder, no currículo inicialmente divulgado de nóvel secretário de estado, a alínea que o ligava ao BPN, estava consciente disto. Evitam agora de se fazerem de novas e gritarem aqui d'El Rei que estão a linchar o homem. O que está a linchar o homem é o sentimento de que esta classe dirigente é demasiado tolerante ao intolerável.

1.2.13

Tenho uma triste notícia para dois jornalistas da Visão.




A edição de ontem da Visão publica um artigo sobre as últimas movimentações no PS. Intitula-se “Qual é a pressa… dos banqueiros?”. Esse artigo, que me dispenso de comentar em geral, tem um último parágrafo que parece servir para convencer o leitor de que houve investigação histórica naquele trabalho. Passo a citar:
Zanga com 30 anos. António Costa e Seguro só convergem no nome próprio e na filiação partidária. Tudo o resto os separa desde que, em 1984, tiveram uma zanga, na JS. António Costa tinha apoiado o ex-Secretariado, um grupo de dirigentes que se opunha ao então líder Mário Soares. Nessa altura, o velho fundador do PS lançou-lhe uma fatwa: “Trocaste uma carreira política por uma assinatura.” E vetou a sua ascensão à liderança da JS, para substituir Margarida Marques. O soarista António Campos, o homem do aparelho, rapidamente “inventou” um então obscuro líder de uma associação de estudantes, José Apolinário, para a “jota”. Inesperadamente, Seguro virou as costas… a Costa. E alinhou com o poder interno, vindo, logo a seguir, a assumir o apetecido cargo de presidente do CNJ (Conselho Nacional de Juventude). António Costa nunca lhe perdoou. O ajuste de contas pode estar por meses.

Pois, tenho uma triste notícia para os dois autores deste texto, Sara Rodrigues e Filipe Luís. A notícia é esta: se pensavam que nos convenciam que tinham feito investigação histórica para escrever aquele parágrafo… pois, não; não propriamente. Aquele parágrafo tem muitos dados certos: datas certas, pessoas com nomes correctamente escritos, nomeadamente. Mas, quanto ao conhecimento do que realmente se passou naquela época, a lógica política geral daqueles anos, quem deu a mão a quem para fazer o quê, quem traiu quem e buscando que recompensa: falta claramente uma compreensão de tudo isso. Foi assim como se tivessem pegado numa grande e complicada família, tivessem assassinado (sem método) metade dos homens e metade das mulheres, tendo depois casado os tios com os tios e as primas com as primas, outra vez ao calhas, e tivessem apresentado o resultado como um retrato a sépia da infausta história da tribo. A história, manifestamente, foi soprada por alguém (um ou mais) a quem interessa que se saibam algumas coisas mas se ignorem outras. Estou perfeitamente à vontade a escrever isto, porque, da história realmente acontecida, que eu vivi de muito perto, o que se ficou menos a rir fui eu (politicamente falando, apenas, na medida em que continuei sempre a rir-me com gosto). Eu, para não falar demais, resumiria assim: aquele parágrafo dá uma ideia bastante aproximada da noção que AJS tem da lealdade - mas dizer só isso é parcial.

Claro, como a ninguém interessa muito por que é que Seguro não ama Costa e Costa não ama Seguro (porque realmente não é essa a questão), ninguém se vai aborrecer muito com a trapalhada que vossas mercês escreveram. Ficam muito contentes por terem cumprido o vosso ponto, a saber, chover ainda outra vez no molhado de que “isto é tudo guerras de jotas”. Eu, pelo meu lado, que sou suficientemente velho para saber que o vosso “parágrafo histórico” é um conto da carochinha misturada com o lobo mau e o gato das botas, vou passar a olhar para qualquer texto vosso com um grão de cepticismo. Digamos, com um tanto mais de confiança da que depositaria em fascículos antigos de Corín Tellado se me quisessem convencer que se tratava de tomos da história da Venezuela.