2.1.26

40 anos de adesão e um governo de falsificadores da história


O ministério de Paulo Rangel, a que oficialmente se chama Ministério dos Negócios Estrangeiros, reincide.
A canhestra manobra já foi ensaiada há uns meses: falsificando a história, tentam fazer crer aos incautos (ou aos ignorantes) que a adesão de Portugal à União Europeia (então, Comunidade Económica Europeia) foi obra do PSD ou, mesmo, de Cavaco Silva. É essa mistificação que fica ilustrada pela publicação cuja imagem parcial ilustra este apontamento. Mas não foi isso que aconteceu. A adesão europeia foi obra do PS, foi obra da visão de Mário Soares - e também da sua determinação. Claro, abrangendo muitos outros europeístas, também do PSD, mas com uma clara liderança de Mário Soares.
Cavaco Silva, nesse processo, teve dois papéis: o papel mesquinho de tentar adiar a assinatura do ato de adesão, depois de estar marcado para Lisboa palco da Europa, o que deixaria Portugal atrás da Espanha, apenas por puro interesse pessoal (nem sequer partidário, porque o PSD estava no governo, mas um governo que ele tinha decidido derrubar); o papel de beneficiar da torrente de fundos europeus para facilitar a sua futura governação, apesar de nada ter feito para os obter (como a actual AD quer fazer com o PRR, mas, ainda assim, com muito mais incompetência do que Cavaco ao tempo).
Alguns meses atrás andou Paulo Rangel nesta campanha. Tive, na altura, ensejo de lhe sair ao caminho, com um artigo no Público, motivado por ter assistido pessoalmente à sua oratória mistificadora. Nessas ocasião, dezenas de pessoas que conheciam, até por dever profissional, o que se tinha passado, ficaram boquiabertas com a desfaçatez do ministro Rangel nessa sessão. Agora, reincide. Não é, pois, que esteja momentaneamente a tresler: está numa campanha de falsificação da história.
É triste que Portugal tenha chegado ao ponto de ter um governinho de falsificadores da história.
Deixo imagem do meu artigo no Público (17/06/2025), que também pode ser lido clicando aqui: Mário Soares, a adesão europeia e os revisionistas.




Porfírio Silva, 2 de Janeiro de 2026
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