14.6.13

à atenção do senhor cuja política é a mentira.


"É curioso que o programa eleitoral que nós apresentámos no ano passado e aquilo que é o nosso Programa do Governo não têm uma dissintonia muito grande com aquilo que veio a ser o memorando de entendimento celebrado entre Portugal, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional", disse Passos Coelho.
Segundo o presidente do PSD, por esse motivo, "executar esse programa de entendimento não resulta assim de uma espécie de obrigação pesada que se cumpre apenas para se ter a noção de dever cumprido".
"Por isso, não fazemos a concretização daquele programa obrigados, como quem carrega uma cruz às costas. Nós cumprimos aquele programa porque acreditamos que, no essencial, o que ele prescreve é necessário fazer em Portugal para vencermos a crise em que estamos mergulhados", reforçou.

Que não vos falte água: fonte + fonte + fonte + fonte + fonte + fonte.

13.6.13

Tem chovido muito este ano…

11:11

(Deixo aqui uma transcrição da minha coluna de opinião no último número - de Maio - da "Eiffel", Revista da Cooptécnica Gustave Eiffel, para a qual escrevo a cada "fornada" há alguns anos.)



É daqueles temas de conversa que fazem o seu aparecimento em qualquer lugar ou circunstância: “nunca mais acaba o inverno”, “não há maneira de chegar a Primavera”, “li no jornal que há não sei quantas décadas que não chovia tanto por cá”… Mais ou menos incómoda, essa situação tem uma característica boa: sabemos que a chuva não é culpa nossa.

Convém lembrar que nem sempre foi assim. Lembremo-nos do terremoto, seguido de maremoto, de Lisboa, em 1755. Esses acontecimentos não abalaram apenas a cidade, nem o abalo foi apenas físico. Abalaram também o pensamento: desencadearam uma crise tremenda no pensamento teológico e filosófico da época. Foi um assunto discutido por essa Europa fora, por grandes figuras da intelectualidade de então. A questão estava na dificuldade de compreender como pode acontecer o mal num mundo bem ordenado criado por Deus. Como pode um Deus bom deixar que aconteçam coisas más? Como pode Deus, ainda por cima, deixar que sejam vítimas dessas coisas más aqueles que são bons, tais como as criancinhas e demais inocentes? Se Deus é benevolente, se Deus é todo-poderoso, como poder haver todo este mal no mundo? Claro que hoje, independentemente das nossas posições sobre o papel de Deus no mundo, percebemos mais facilmente uma diferença fundamental: uma coisa pode ser “má” (no sentido de causar sofrimento) e não ser provocada pelo “mal” (pela maldade); uma coisa pode ser “boa” (no sentido de ser agradável) e não ser sinal de “bem” (de bondade). Quer dizer: o prazer ou desprazer (uma coisa ser boa ou má) não estão necessariamente ligados à sua qualidade moral (o bem e o mal). Em particular, os acontecimentos naturais não são acontecimentos morais: o terremoto é mau se causa sofrimento ou estrago, mas não é um sinal do mal, da maldade.

Depois do terremoto de 1755, houve entre nós quem tentasse explorar essa antiga confusão entre a natureza e a moral. Os que acreditavam no significado moral das coisas da natureza encararam os acontecimentos como castigo divino pelos pecados dos lisboetas e de quantos aqui partilhavam a grandeza, a riqueza e o brilho do melhor que havia no mundo dessa época. Os boatos de que o terremoto se repetiria num aniversário do primeiro "castigo divino", e então de forma mais determinante, iam no sentido de confirmar a interpretação moral do facto natural. Os jesuítas foram considerados responsáveis pelo boato e pela tese – que o padre Malagrida corporizou, desafiando numa série de sermões o intento prático do Marquês de Pombal (que desempenhava o cargo equivalente ao de primeiro-ministro no actual sistema). O Marquês de Pombal achava que preciso era deitar mãos à obra, "enterrar os mortos e alimentar os vivos", aproveitar a oportunidade para refazer a urbe. Pretendia Malagrida, ao contrário, que a reconstrução era um assunto banal, que não devia distrair os portugueses do assunto realmente relevante, que era o arrependimento dos seus pecados. Em hora tão fatídica, construir e distribuir não eram as prioridades relevantes, mas antes jejuns e flagelos.

Malagrida deu-se mal com a teoria, tendo sido condenado e morto. Mas entre nós na “capital do reino” continua a haver quem tenha um errado sentido das prioridades. Há quem esteja mais interessado em encontrar culpados “fáceis” para as nossas dificuldades, por vezes recorrendo a teorias fantasiosas, em vez de fazermos o que é necessário: encontrar maneira de minorar o sofrimento dos que são afectados nos seus direitos básicos pela crise que atingiu o nosso país. Para isso precisamos de muitos “Marqueses de Pombal”, que tratem de encontrar soluções para os problemas em vez de fazer sermões castigadores, como preferia Malagrida. Mas, por outro lado, a crise não é como a chuva: a chuva não é culpa nossa, esse é um assunto da natureza; mas, nos assuntos da nossa vida em comum, a responsabilidade é de todos nós, colectivamente. Temos de perceber o que nos trouxe até aqui: que Europa é esta que esquece os seus apregoados valores da solidariedade face aos países em dificuldades; que governos são estes que pensam em “resolver a crise” à custa de abandonar as pessoas à sua sorte. O que a natureza nos dá de mau não é por maldade, porque natureza e moralidade são coisas diferentes. Mas o sofrimento causado pelos outros homens e mulheres em sociedade não é como a chuva ou o terremoto: desse há mesmo uma responsabilidade moral, que tem de ser assumida e compreendida. Só assim lhe poderemos fazer frente.



12.6.13

isto, sim, é a falência.

10:00

Governo dá instruções aos serviços para que mantenham corte no subsídio de férias.

Uma instrução aos serviços da administração central, emanada do Conselho de Ministros e assinada por PPC, diz que o Orçamento do Estado para 2013 “não prevê os meios necessários e suficientes para garantir” o cumprimento do acórdão do Tribunal Constitucional, “existindo uma inconsistência entre a obrigação legal de pagar os subsídios e os limites orçamentais” existentes. Ainda segundo o Público, «O Governo determina que os serviços “procedam conforme estabelecido desde o início do ano, garantindo a necessária estabilidade financeira e orçamental”, o que na prática significa que os dirigentes devem ignorar a lei que está em vigor (o contrato de trabalho em funções públicas) e que determina o pagamento dos subsídios em Junho».

Isto, sim, é a falência do Estado. A falência pura e simples, se de facto não há dinheiro para cumprir os compromisso básicos (apesar da "ajuda" externa), ou, alternativa ou cumulativamente, a falência do Estado de Direito, na medida em que o governo delibera desrespeitar a Lei Fundamental e quem está legalmente incumbido de a fazer respeitar. Governar o país dentro da legalidade está acima das possibilidades desta gente.

terrorismo.

06:20

O governo grego (parte do governo grego, porque há dois partidos da maioria que se opõem à medida) fechou a televisão pública. "Fechou" é isso: desligou a ficha e deixou de haver emissão. Coisa simples, mera gestão, portanto - acham "eles". Dizem que vão reabrir qualquer dia, com menos trabalhadores - uma empresa "modernizada", como eles dizem. Devem estar já a vasculhar no lixo para encontrar os "modernos" que darão carne ao novo corpo moderno da TV pós-pública.

Só desejo que o povo grego parta os dentes aos terroristas de Estado. Quero dizer: literalmente. Até porque, se não for assim, estes de cá, que já preparam há tempo a sua justificação para agirem fora da lei, vão achar que podem fazer o mesmo. É preciso resistir ao terrorismo: defender na rua o Estado de direito, essa pode ser a revolução necessária.


um governo de coveiros.

10.6.13

a condição partidária.

18:27



Quem me conhece (politicamente) sabe que tenho uma posição sobre o papel dos partidos na democracia que é uma forquilha com dois dentes.
Primeiro dente: os partidos são essenciais a uma democracia estruturada, porque organizam propostas de governo e forças para as defender, numa lógica de uma certa continuidade que permite dar profundidade temporal ao juízo sobre o desempenho e sobre os protagonistas. (Isto evita aqueles magníficos independentes que surgem no firmamento como estrela dos Magos e logo que podem pegam no baú e fogem com o que conseguem arrebanhar do tesouro político entretanto amealhado, enquanto as pessoas de partido criam uma história que pode ser consultada e não os deixa falar sem confronto com o seu percurso anterior.) Neste primeiro dente da forquilha incluo uma característica geralmente mal compreendida: quem participa num partido engole, às vezes, opções de que não gosta, porque assim tem de ser num colectivo: se cada um faz o que bem lhe apetece em cada momento, não há sentido em que se esteja num colectivo. Segundo dente da forquilha: não faz sentido que um cidadão renuncie em todas as circunstâncias à sua opinião e à sua responsabilidade pessoal em nome da adesão ou simpatia para com o partido. Nesse caso, o cidadão partidário torna-se uma marioneta do colectivo.
Nem sempre é fácil andar com a forquilha equilibrada nestes dois dentes, em tensão. Mas cada pessoa, pelo menos se tem esta mesma visão sobre os partidos, tem de saber ir compondo esse equilíbrio, em plena responsabilidade pessoal. Vejamos como, pessoalmente, aplico esta "teoria" às eleições autárquicas.
Em princípio, como tendo a estar mais em sintonia com o PS do que com qualquer outro partido, olho para uma eleição autárquica com um preconceito: inclino-me, à partida e em abstracto, para o candidato do PS. Mas isso não me leva logo de mãos atadas e olhos vendados para a urna de voto, pronto a riscar no apropriado quadradinho. Tenho, posto o preconceito, de o analisar. E, em certos casos, terei de ir contra o preconceito e votar diferente do que propõe o partido que colhe o meu pré-juízo favorável. Se a minha análise mo ditar, terei mesmo de contrariar a minha simpatia de partida. É que, sendo pró um dado partido que já confessei, não posso ser menos cidadão por causa disso. Felizmente, neste caso, voto em Lisboa e estou confortável com o que o meu preconceito me sugere. Mas há, por esse país fora, casos diferentes. Felizmente, só voto num concelho em cada eleição autárquica. Embora isso não me faça esquecer o significado de certos "tiros" que por aí foram dados...
Claro, é muito mais fácil ser supremamente independente e olhar de alto para estas ninharias de quem tem compromissos, como se os "independentes" tivessem a cabeça cheia de "consciência" e os "outros" fossem comandados por uns botões virtuais. Que não é o caso, nem por um lado nem pelo outro.


as tolices ditas longe de casa parecem menos graves, é?!


Hollande em Tóquio: “A crise na Europa acabou”.

Segundo o Público, "O Presidente francês, François Hollande, afirmou neste domingo, em Tóquio, que a crise na Europa acabou e acrescentou que os tempos duros que a região atravessou, em vez de a fragilizarem, vão torná-la mais forte".

Logo dizer isto aos japoneses, que sabem bem que uma crise pode perfeitamente durar, durar, durar.

9.6.13

de Maduro a verde em pouco tempo.

13:22

O Ministro Maduro rapidamente se tornou verde (de imaturo, impreparado). Apesar de saber que a filosofia existe, e que Paris existe, continua a não saber o que é uma "narrativa". Aparentemente, de "narrativa" só conhece o significado de "historieta" ou "conto". Anda distraído, há décadas, sobre o uso do termo "narrativas" para designar interpretações globais do mundo e da história. Que não são "realidade alternativa", como ele diz, mas fazem parte de qualquer abordagem global e prospectiva à realidade. Mas alguma coisa aprendeu depressa: quando não sabe, inventa. É uma pena ver que a política, que devia ser nobre, consegue em tão pouco tempo transformar um académico num fala-barato sem vergonha de dizer disparates.

ainda a caridade.

11:00

Papa Francisco: "a política é uma das formas mais altas de caridade".

Julgo que aqueles que elegem a "caridade" como "a" forma prática, directa e imediata de cuidar do próximo, poderiam com proveito meditar nesta afirmação. Deixo de lado as conotações várias do termo "caridade", porque admito que várias tradições sentem de forma diferente certos termos.

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