6.12.12

Professor português conquista 1.º lugar com «Oratio Classroom & the World of Music».

O LUGAR DA FILOSOFIA DA CIÊNCIA NA NOVA UNIVERSIDADE DE LISBOA.


2º WORKSHOP: “APLICAÇÕES DA CIÊNCIA E FRONTEIRAS DAS CIÊNCIAS”
(Perspectivas multidisciplinares, filosofia e ciência)

12 de Dezembro (quarta-feira), das 9:30 às 12:30
Centro de Congressos do I.S.Técnico (Alameda), sala 02.1

Animadores do debate:
Prof. José Maria Brandão de Brito (Economia, ISEG)
Prof. Teresa Valsassina Heitor (Arquitectura, IST)
Prof. Raquel Barros (Bioengenharia, IST)
Prof. Pedro Lima (Robótica, IST)
Prof. António Amorim (Física, FCUL)

O Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, entendendo-se desafiado pela fusão da Universidade Técnica de Lisboa e da Universidade de Lisboa, espoletou um processo de reflexão sobre “O lugar da Filosofia da Ciência na nova Universidade de Lisboa”. Nesta fase, este processo culminará num colóquio que terá lugar a 14 e 15 de Fevereiro de 2013, no qual já está confirmada a participação dos Reitores da Universidade de Lisboa e da Universidade Técnica de Lisboa. Um debate preparatório está a decorrer na forma de uma pequena série de workshops.

O segundo desses workshops, organizado no Instituto Superior Técnico, terá como tema “Aplicações da ciência e fronteiras das ciências”. Neste Workshop vamos (1) fazer um levantamento de questões, relativas aos efeitos (reais ou percepcionados) da actividade científica no mundo fora da Academia, cuja compreensão poderia beneficiar de mais intensos cruzamentos entre disciplinas científicas e entre ciência e filosofia, e (2) reflectir sobre modos possíveis de traduzir essas preocupações nas práticas docentes e de investigação no quadro da nova Universidade.

O workshop não terá a forma de um colóquio, mas antes a forma de um debate vivo, informal, fortemente interactivo – de molde a que possa realmente resultar num levantamento de assuntos e formas de trabalho que possam trazer algo de novo em termos de colaboração multidisciplinar envolvendo cientistas e filósofos. O debate não será limitado às disciplinas cobertas pelas intervenções dos principais animadores. O workshop será encerrado pelos Professores Olga Pombo e Nuno Nabais, da Direcção do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa.

Pela Organização
Pedro Lima
Porfírio Silva




4.12.12

O Estado Social.

18:10

Tenho mesmo de deixar aqui o que o João Galamba escreveu no Facebook.

O Estado Social é uma forma complexa de institucionalizar a solidariedade e a igualdade entre todos os cidadãos. Não é apenas uma forma de garantir a existência de um conjunto de bens e serviços. É muito mais do que isso. É uma realidade institucional que exprime um determinado ideal democrático.

Num certo sentido, o Estado Social pode ser visto a tentativa de criar um compromisso entre a aspiração comunista de igualdade real entre todos os cidadãos e a igualdade formal dos liberais.

Os primeiros, ao defenderem uma igualdade absoluta, mataram a liberdade. Os segundos, ao ignorarem a igualdade, tornando-a meramente formal, esvaziaram a liberdade do seu valor e transformam-na numa desculpa para legitimar todas as desigualdades.

O Estado Social é a tentativa de realizar, simultaneamente, dois valores aparentemente contraditórios. O modo como isto é feito passa por reconhecer a natureza dupla da identidade de todos os cidadãos: todos somos cidadãos com capacidades e necessidades. Por esta razão, financiamos o Estado Social de acordo com as nossas possibilidades financeiras, isto é, por via de impostos progressivos; e beneficiamos do Estado Social de acordo com as nossas necessidades.

Não financiamos expropriando os ricos, como defende a extrema esquerda. Financiamos exigindo uma contribuição justa, isto é, uma contribuição que esteja de acordo com a sua capacidade contributiva. Mas também não financiamos quando acedemos aos seus serviços, como defendem os liberais. O contribuinte paga em função da sua capacidade, não da sua necessidade. Não paga uma taxa, não paga um preço, paga um imposto que financia todo o sistema. Paga como rico, não como rico que ficou doente, que se reformou, que quer dar uma educação aos seus filhos. Em relação a essas necessidades o rico é igual ao pobre, porque são ambos cidadãos. A justiça faz-se, no financiamento, via impostos e, no acesso, garantindo a igualdade de todos os cidadãos. O Estado Social é isto, não é outra coisa.

João Galamba

a mecânica do amor e o princípio do utilizador-pagador.

12:49

Henrique Monteiro recicla - ou, se calhar, apenas repete pela enésima vez - o argumento de que os serviços públicos só devem ser gratuitos para quem não pode pagar, devendo os outros pagar na medida em que sejam capazes. É o que chamam o princípio do utilizador-pagador. Como de costume, o argumento é usado para suportar projectos políticos como o do cheque-ensino, e para suportar o programa político de desmantelar o mais possível os serviços públicos (neste caso, de educação), distribuindo os fundos públicos pelos privados.

Infelizmente, este tipo de discurso parece argumentação, mas falta-lhe para isso algo essencial: ter em conta os contra-argumentos, em vez de usar os meios de que se dispõe apenas para bater sempre na mesma tecla e favorecer uma certa perspectiva política. Ora, este tipo de "argumentação" esquece sempre (mas sempre) o aspecto dinâmico do problema: quando um serviço público for apenas para os pobres, esse serviço público vai, passado algum tempo, tornar-se ele próprio um pobre serviço, porque os que têm força social e política para controlar, para criticar, para reivindicar, deixarão de se interessar, porque estarão como "utilizadores" noutro sítio - e os sucessivos governos investirão cada vez menos em serviços cujos "utilizadores" não têm voz. A prazo, isso significa a destruição do serviço público de qualidade.

Cabe notar que nada disto tem a ver com a liberdade de ensinar: há plena liberdade de criar instituições de ensino fora do domínio público. O que está em causa é querer que se entreguem (mais) dinheiros públicos aos privados - que se entregue (mais) dinheiro público a entidades que não podemos impedir que se orientem primariamente para o lucro. Sou contra o lucro? Não, não sou contra o lucro, mas sou contra que certos direitos básicos das pessoas dependam de entidades cujo motor básico é o lucro. Sim, porque depois de conseguirem o dinheiro dos contribuintes, virão dizer que a legislação que os rege lhes prejudica o negócio (lembram-se dos notários privados, que acusavam o Estado de, com a simplificação administrativa, lhes ter estragado o negócio?). Os serviços públicos estão, melhor ou pior, ao alcance da decisão dos cidadãos, que podem mudar políticas e decisões orçamentais à medida que mudem as realidades. Isso não é possível para os serviços privados, razão pela qual o enfraquecimento generalizado do serviço público a favor dos serviços privados traduz uma modificação substancial do poder da comunidade para gerir os seus instrumentos. E, como demonstra a experiência de muitos países, é muito custoso voltar atrás em decisões privatizadoras, mesmo quando elas se revelaram desastrosas.

Será assim tão difícil compreender que nós não somos apenas "utilizadores", que não somos apenas peças na equação dos "utilizadores-pagadores"? Será difícil compreender que ser cidadão é mais alguma coisa do que ser utilizador-pagador? Já faltou mais para tentarem explicar a mecânica do amor pelo princípio do utilizador-pagador. Ou será que os artigos de jornal também se explicam pelo princípio do utilizador-pagador?

equal education / unequal pay (USA)

10:43

3.12.12

o vinho salazar.

a fome e a opinião (ou Jonet e o Banco Alimentar).

12:58

O Banco Alimentar fez mais uma das suas campanhas de recolha de alimentos e saiu-se tão bem como de costume. Muitos, especialmente nas chamadas redes sociais, inferem que esse facto referenda a justeza das opiniões políticas que Isabel Jonet tem proferido nos últimos tempos. Essa inferência parece-me tão descabelada como as juras de boicote aos bancos alimentares que apareceram nas mesmas redes sociais aquando da polémica sobre as tais declarações. Essa mistura de planos diferentes, praticada que tem sido tanto por simpatizantes como por antipatizantes das opiniões de Isabel Jonet, parece-me sinal de um atraso político e civilizacional perigoso, porque confunde duas coisas diferentes: opinião e acção. Qualquer pessoa pode ter opinião e dessa opinião deve poder discordar-se livremente, tal como concordar. Tentar excomungar os que discordam dessa opinião em nome da obra da pessoa, é uma concepção anti-pluralista da vida em comum. Tentar demolir a obra no seu todo por causa das opiniões, é uma concepção demasiado teórica e ideológica da vida real, o que é triste porque a vida concreta de gente concreta é sempre mais complexa e subtil, mais dura e resistente, do que qualquer opinião ou filosofia. Os radicais pró-Jonet e os radicais anti-Jonet estão bem uns para os outros: parecem ter dificuldade em discordar sem demonizar, parecem demasiado interessados em ganhar a sua própria guerra retórica. São, finalmente, capazes de transformar qualquer debate em mais um episódio da guerra civil não declarada que está em curso. Lastimável. A arrogância moral e a ortodoxia ideológica deram já provas históricas de andarem de mãos dadas sem pejo. Nada de novo, portanto.