5.5.12

a tentação da expulsão.

11:08


Boaventura Sousa Santos terá afirmado que "Vítor Gaspar tem passaporte português mas é alemão". Discordo desse tipo de abordagem. A divergência política ou ideológica não pode excluir nenhuma das partes da discordância, não pode atirar o outro para o lado de fora da fronteira da comunidade de discussão. As ideias não têm pátria e é duvidoso que as pátrias ainda tenham ideias. Numa comunidade democrática não é admissível que se tente colar a ideia do outro à ideia do inimigo tal como o figuramos no nosso discurso. BSS não é um político qualquer que não conhece o peso das palavras. Devia ter vergonha de deixar sair da sua boca uma coisa destas. Uma pena: até porque certamente esta infeliz abordagem não nos deve desaconselhar de ler com proveito o resto.

colunas estreitas.

10:36

Henrique Monteiro reitera em mais um sábado (este sábado) o seu recorrente cinismo na coluna da última página do caderno principal do Expresso. A propósito do Pingo Doce, claro. É um daqueles textos que dá vontade de esmiuçar linha a linha, para demonstrar quase matematicamente a vacuidade da coisa (e é nessa vacuidade que se entranha o tal cinismo, pois lamber os dedos besuntados com chocolate enquanto os vampiros enterram o dente no pescoço da vítima - não é apenas lamber os dedos besuntados com chocolate, é ser cúmplice dos vampiros).
Detenho-me aqui, contudo, apenas numa passagem dessa coluna. Escreve HM, no seu ponto 4: "A esquerda e os sindicatos tiveram como primeira reação queixar-se de dumping. Algo de que deveria ser o engº Belmiro e outros proprietários de supermercados a queixar-se."(*)
Quer dizer: a concorrência é uma coisa que só interessa aos tendeiros, mais ninguém se deve preocupar com isso. Se algum lojista se sentiu prejudicado no seu negócio, que se queixe; caso contrário, que nos importa a nós isso? HM parece julgar que a protecção da concorrência é um assunto de capelinha entre oficiais do mesmo ofício. Pois, não, HM: a protecção da concorrência é para nos proteger a todos, aos que compramos, embora os interesses dos próprios concorrentes sejam instrumentais na protecção dos interesses dos clientes.
Aplicar o raciocínio de HM à política seria algo como defender que só os partidos políticos podem queixar-se se houver fraude eleitoral, porque eles é que são os interessados (os "concorrentes" nesse caso). Mas, não, a fraude eleitoral prejudica um bem que é de todos, que é o sistema de eleições livres.
Eu até acho, como já escrevi, que a questão do dumping não é a questão mais interessante nas comemorações que o Pingo Doce fez do 1º de Maio. Daí a fazer das questões de concorrência um assunto que "a esquerda e os sindicatos" deveriam colocar em segundo plano, vai um passo. Parece que HM aborrece que "a esquerda e os sindicatos" defendam mais a "liberdade capitalista" do que a própria direita e certo patronato. Sinais dos tempos.

(*) Eu não escrevo com a mesma ortografia que HM, mas isso pode ser defeito meu e não dele.

4.5.12

uma nova teoria sobre os sectores económicos.


O historiador José Pacheco Pereira espera pela clarificação da nova Lei das Fundações para decidir o destino a dar à sua biblioteca/arquivo, que “atingiu tal dimensão que não pode continuar a ser privada”.

Portanto, uma coisa privada, quando cresce, quando cresce muito, muito mesmo... torna-se pública! Poderá crescer também para o sector cooperativo?

Isto, claro, para o caso de o historiador estar mesmo certo, mesmo certo, de que ser privado e ser fundação é incompatível...

(Isto é reinar com o JPP: acho que a preocupação dele até faz sentido. Mas há certa coisas que podiam ser poupadas à respectiva inclusão no palavreado mediático, sobretudo a desoras, sob pena de começarmos de repente a pensar no senhor Berardo a propósito do historiador, coisa que não sei a qual deles desagradaria mais.)

So I would not open the bottle of champagne right now.

grego ou romano, judeu ou gentio.

16:15

Evitar cair no multi-culturalismo relativista, evitando ao mesmo tempo cair na ortodoxia eurocêntrica, não é fácil quando chegamos ao concreto. Defender as nossas liberdades sem fazer de conta que isso é igual a impor as nossas opiniões; aceitar o Outro sem prescindir do que é fundamental para nós e sem descaracterizar nas nossas sociedades aquilo que não pode ser negociado; desfazer a velha dicotomia entre o "antes vermelhos que mortos" e o "antes mortos que vermelhos" - não é fácil.
Rob Riemen, filósofo holandês, em entrevista ao Público/2 do passado Domingo 29 de Abril (conduzida por Teresa de Sousa), dá uma pista: «a ideia socrática de cosmopolitismo: eu sou um cidadão do mundo. Ele disse precisamente que não interessa onde se nasceu: não és um grego porque nasceste neste solo, mas és um grego porque adquiriste um certo tipo de educação».
Adquirir um certo tipo de educação, digo agora eu, é fazer o caminho de, com a tua cultura, te aproximares da minha terra e da minha gente, usares as ferramentas de decisão em conjunto que por cá existem, e entrares numa troca mutuamente respeituosa de horizontes. Dar e receber, contando com o meu interesse e lealdade, mas dando também o teu interesse e lealdade. Percebendo que uma comunidade não é uma máquina que se manipula à vontade, mas uma história comum que tem a sua própria dinâmica e contingências, o seu próprio tempo e inércia. O que eu posso fazer é dar a mesma disponibilidade para quando me dirigir à tua terra e às tuas gentes - e, ainda, pregar esse padrão de comportamento aos meus semelhantes.


3.5.12

distopia.


Dystopia (Iced Earth)

Inspirações: Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley); Fahrenheit 451 (Ray Bradbury); Laranja Mecânica (Anthony Burgess, Stanley Kubrick no cinema)



Enter the nightmare, this future does implore
Hijack your city state, a prison nothing more.
Rounded up like cattle you're forced in to the trains
Nothing that you've ever known will bring you so much pain

If you try to resist me you'll find me inhumane
But if you just submit you'll live your life a slave
Your love, your servitude will medicate your pain
With our technology, we'll always keep you safe.

Micro-chipped like dogs, their thoughts are not their own
All that's left of human kind is now in their control
Planned out through centuries, patient and contrived
Pray on man's naivety, gullible and blind

If you try to resist me you'll find me inhumane
But if you just submit you'll live your life a slave
Your love, your servitude will medicate your pain
With our technology, we'll always keep you safe.

The nightmare unfolds before my eyes
I will resist till the end of time
A spirit born free has to break these chains
We're lost, we must find our way.
We'll find our way.

They say that you're a danger to everything that's pure
There are too many of you, they're offering the cure
Swift extermination if you refuse the game
Arrested development, you're vaccinated fates

If you try to resist me you'll find me inhumane
But if you just submit you'll live your life a slave
Your love, your servitude will medicate your pain
With our technology, we'll always keep you safe.

The nightmare unfolds before my eyes
I will resist till the end of time
A spirit born free has to break these chains
We're lost, we must find our way.

We must find our way.
We'll find our way

(uma sugestão Rock com Ciência)

A Assembleia da República tem que servir ao país, tim-tim-por-tim-tim, toda a história...

uma parada do orgulho gay misturada com o compasso.

10:51

Governo vai travar alterações de spread nos contratos à habitação. A ideia é proteger as famílias em situação de sobreendividamento ou com dificuldades de cumprir os encargos bancários decorrentes de situações de desemprego.

Os anarco-liberais do costume defenderem a acção do Pingo Doce no Primeiro de Maio como se estivessem a defender a liberdade dos que foram comprar para aproveitar o desconto. É sempre assim: os anarco-liberais são a tropa de choque dos que mandam no mundo à conta da sua riqueza. Prestam aos poderosos esse serviço da forma mais cínica possível: fazendo de conta que estão a defender a liberdade de todos, ou a liberdade dos que nada têm. Realmente, apenas estão a defender a liberdade de ser explorado. Claro, o próprio Marx achava que havia um avanço histórico em passar-se da servidão tipo feudal à condição de proletário; o proletário é livre de se vender no mercado da força de trabalho, mesmo que isso não o livre da miséria, ou até o afunde ainda mais nela. Coisa diferente é achar que essa "liberdade" é a essência da liberdade.
Os anarco-liberais partem do pressuposto de que quem tem dinheiro pode fazer com ele o que bem entender. Para mim essa idéia é repugnante, na medida em que acredito que a "liberdade económica" não é a única liberdade numa sociedade civilizada, nem pode sobrepor-se a outros valores e a outras liberdades. A ideia segundo a qual não há problema nenhum porque ninguém foi obrigado a nada, enferma de uma concepção puramente abstracta de liberdade - e é uma ideia cúmplice das mesmas ideias acerca da "liberdade dos agentes económicos" que nos trouxeram à presente balbúrdia económica global.
No Facebook, ontem, alguém chamava salazarinhos aos que se escandalizavam com o Primeiro de Maio do Pingo Doce. Claro, quem assim dizia nem sequer falava no Primeiro de Maio: apenas falava de supermercados a fazer descontos brutais e de pessoas a aderir com entusiasmo. Claro, estes anarco-liberais pressupõem que os indivíduos em turba a esmurrar o parceiro para chegar mais depressa à prateleira do arroz são espécimes de indivíduo livre a dar largas ao seu entusiasmo. Nem lhes passa pela cabeça estudar um pouco de psicologia para perceber que género de "liberdade" é esta. Nem lhes passa pela cabeça que pode ser feita uma análise económica da distribuição temporal das preferências daqueles consumidores, que essa análise poderia dar a perceber que o que é melhor neste instante não é necessariamente garantia de que se vai ter o melhor a um prazo um pouco mais longo. E, claro, desconfiar de uma cadeia de supermercados que explora os impulsos das pessoas, ou a sua insegurança, ou a sua necessidade, é algo que parece salazarento a esses anarco-liberais. Bem entendido, os anarco-liberais servem, acima de tudo, para defender a liberdade dos grandes explorarem os pequenos.
Ontem perguntei aqui como seria se o Pingo Doce escolhesse o dia de Natal para fazer aquela provocação. A mim não me interessa muito saber se houve, ou não, dumping naquela promoção. Não que a questão me pareça despicienda: é uma questão interessante para perceber como funciona a máquina de fazer dinheiro. Há outras questões interessantes, tal como saber o que aconteceria aos funcionários do Pingo Doce que tivessem aderido a uma greve convocada para esse dia (questão que toca a outras cadeias de supermercados, também). Mas essas questões importantes têm, em princípio, quem cuide delas: a ASAE, os sindicatos. Mas a questão simbólica de escolher o Primeiro de Maio não é protegida por nenhuma polícia económica, ou sindicato. A questão simbólica, como todas as questões essenciais, não pode ser protegida se nós, todos, não cuidarmos disso. Os anarco-liberais do costume dizem que quem quiser respeitar o simbolismo pode respeitar, mas os outros não têm nada a ver com isso. Também aí os anarco-liberais mostram quão profundamente concebem a sociedade dos humanos como uma selva. Se alguém decidisse fazer uma parada do orgulho gay e lésbico no dia de Natal, ou no dia de Páscoa e misturá-la com o compasso, explicando que cada um dá atenção aos simbolismos que lhe apetece, e só a esses - fácil seria perceber que vai uma distância entre não alinhar com o simbolismo do outro e, coisa diferente, atacar o simbolismo do outro, desprezando-o. É essa demonstração activa de desprezo pelo simbolismo do Primeiro de Maio que, para mim, constitui o principal pecado da "promoção" do Pingo Doce. Pode ser interessante apurar se aquilo, afinal, foi mais publicidade negativa ou positiva - mas nem todas as questões interessantes são, para mim, as questões relevantes.
Os anarco-liberais, que defendem a "liberdade económica" no vácuo da sociedade e das condições concretas, que defendem que quem tem dinheiro pode fazer com ele o que bem entender, deveriam escandalizar-se com a ideia (notícia acima) de limitar as alterações de spread nos contratos à habitação. Afinal, para proteger as famílias em situação de sobreendividamento ou com dificuldades de cumprir os encargos bancários decorrentes de situações de desemprego, vão limitar a liberdade dos bancos fazerem com o seu dinheiro o que bem entenderem. Os anarco-liberais, para serem coerentes, deveriam assumir que estão contra qualquer medida de protecção do consumidor. Mais, que estão contra qualquer medida, contra qualquer instituição. O paraíso de um anarco-liberal é a selva.

2.5.12

3 perguntas a...


Clicar na imagem para ir e ler.


E se o Pingo Doce tivesse escolhido o dia de Natal?


Por muita repugnância que nos causem os descontrolos consumistas (a mim, causam), é preciso manter a calma suficiente para perceber que o essencial não é necessariamente o mais visível. A reflexão do Sérgio Lavos sobre a bomba do Pingo Doce ajuda a perceber que pode não ser produtivo limitarmo-nos a apontar o dedo aos demais. Falta-lhe, a meu ver, uma menção explícita ao carácter simbólico da escolha do primeiro de Maio para festa do consumo. É que tentar riscar datas do calendário, para lá colocar brindes de supermercado que fazem os compradores correr e arfar, vale mais, para certos "empresários", do que qualquer objectivo comercial. Sim, porque quem tem muito dinheiro gosta, frequentemente, de o gastar em ideias - em geral, nas suas ideias acerca do valor intrínseco do seu dinheiro.
O Pingo Doce não é um caso de polícia, é um caso de sociedade.

1.5.12

uma canção para o 1º de Maio.


Sigo a sugestão do Pedro e deixo esta canção para o primeiro de Maio: Billy Bragg com "There is Power in a Union"



30.4.12

juristas incendiários, que bizarra raça.

17:15

Júdice considera que Marinho Pinto “ultrapassou todos os limites” nas críticas à ministra da Justiça.

A forma conta muito. Uma parte importante da substância das coisas é, num Estado de direito, inseparável da forma como elas são tratadas. Marinho e Pinto, sendo um homem de leis, tem o dever de saber isso melhor do que ninguém. E será disso sabedor, quero crer; mas anda esquecido.
No passado, achei alguns exageros de Marinho e Pinto justificados, não o escondo. Por uma razão simples: porque foram (quando foram), esses exageros, proferidos para contrariar outros exageros. Em concreto, foram pólvora contra pólvora, foram lançar chamas contra chamas que eram usadas como estratégia de uma oposição de terra queimada e de ódio. Achei justificado contrariar as labaredas com labaredas, que é, aliás, uma técnica antiga de combate a incêndios. Não posso, contudo, hesitar um minuto em discordar de Marinho e Pinto quando é ele a tomar a iniciativa de incendiário. Discordar, ser oposição, abominar - pode ser tudo legítimo, mas não legitima tudo. Nunca apoiarei que se usem contra este governo os métodos que se usaram contra o governo anterior. Ainda para mais quando a grossura das palavras não acrescente nada à matéria do argumento.

29.4.12

monstros e humanos.


Deixei aqui ontem um apontamento sobre A controvérsia de Valladolid, o espectáculo de Teatro que se encontra em exibição no São Luiz Teatro Municipal, pela companhia Comuna - Teatro de Pesquisa.

O meu interesse por esse espectáculo tem também a ver com as minhas deambulações pelo tema da monstruosidade, entre raças fabulosas do Oriente, robôs humanóides e humanos de quem se duvidou serem humanos.


Sobre isto, deixo ainda excertos do meu texto Fabulosas raças de humanóides: monstros e robôs, que está no prelo. Um excerto que tem tudo a ver com este espectáculo de teatro.

Os estereótipos das raças fabulosas emergem na Grécia Antiga, talvez já desde o séc. VI a.C., mantendo-se depois razoavelmente estáveis na cultura ocidental até ao século XVI. Plínio, o Velho, terá sido o principal responsável pela sua transmissão sucessiva. Contudo, um saudável cepticismo em relação aos testemunhos sem fundamentação escrutinada faz com que nem todos os autores antigos aceitem as histórias das raças fabulosas. É o caso de Estrabão e Ptolomeu, que nem as mencionam.
De outro modo, mesmo autores cépticos, sofisticados, contribuíram para adensar a problemática. Um bom exemplo é Santo Agostinho (séculos IV-V), que, embora considere provavelmente falsa a existência dessas raças, procura um quadro teológico para a sua eventual existência. O que o autor d’A Cidade de Deus pretende é mostrar como, qualquer que seja o caso quanto à existência efectiva das raças fabulosas no Oriente, nada disso desmente a unidade da espécie humana, a harmonia da Criação ou a sabedoria do plano do Criador – harmonia e sabedoria que não dependem da nossa capacidade para as entender.
O que é certo é que muitos autores cristãos medievais acolheram as narrativas, particularmente de Plínio, o Velho, integrando o fantástico no imaginário, de tal modo que as raças fabulosas ocorrem generalizadamente nas grandes enciclopédias dos séculos XII e XIII.


Durante séculos, a distância entre Oriente e Ocidente serve de estabilizador da relação entre o conhecido e o fabuloso. A imagem faz a viagem: nós não vamos, nem conhecemos quem vá, ao Oriente, mas a representação pictórica tem uma tremenda força de apresentação. Alguns viajantes famosos, logo no século XIII, fazem relatos que, por muito impressionantes que sejam, não movem substancialmente o imaginário tradicional. Vai ser preciso massificar a viagem para mover o terreno da tradição adubado pela imagem. Poderíamos, assim, pensar que as grandes viagens de descobrimento, no século XVI, quebrariam o encanto e, obrigando ao confronto directo com o real do Oriente, transformariam de forma definitiva o imaginário ocidental do fabuloso da Índia. Ora, se esse efeito existe, de facto, há impulsos contraditórios que tornam o processo mais complexo.
As raças fabulosas clássicas, efectivamente, não foram encontradas. As populares enciclopédias eram fantasiosas nas suas descrições e as ilustrações enganavam. Só que, ao mesmo tempo, a questão das fronteiras do humano torna-se, transpostas as distâncias, uma questão muito mais prática. As questões acerca dos limites da humanidade são transpostas para África e para o Brasil – e os debates teológicos acerca de os indígenas serem ou não providos de alma não se circunscrevem já ao domínio da teoria, passando a ser assuntos de administração das possessões, questões políticas decisivas para todos os que nos reinos passaram a pensar em muito mais larga escala. Assim, a questão das fronteiras entre o humano e o humanóide, se adquire novos matizes, não se dissolve pelo encontro com a pátria original das raças fabulosas, as Índias Orientais. Ainda aparecem, a par de relatos de novos animais (por exemplo, o “ganso de Magalhães”, o pinguim), sugestões de novos monstros humanóides no Novo Mundo (por exemplo, relatos de homens marinhos no Brasil, nos séculos XVI e XVII).


Levin Hulsius, Kurtze Wunderbare Beschreibung Dess Goldreichen Königsreichs Guianae in America, Nuremberga, 1603