14.4.12

e a boa notícia é...


Manchete do Expresso de hoje.


A boa notícia é que vai ser proibido morrer antes de atingir a idade da reforma.

Para a história ficam as histórias da carochinha (breve recensão aqui).





12.4.12

Aventuras e desventuras do grande predador.


"Aventuras e desventuras do grande predador". Exposição de escultura de Jorge Pé-Curto, no Auditório Municipal de Olhão, até 28 de Abril.
Fica uma pequena amostra.







Portucale.

há jornalistas que gostam que lhes ajeitem a comida no prato.


Caso contrário não escreveriam títulos destes.


Palha? Mexer uma palha?! Mas que conversa é esta?
A arrogância social dos que se julgam instalados (instalados numa qualquer vida acima do limiar da pobreza, instalados numa espelunca qualquer que dá a sensação de poder só por se poder achincalhar o outro nas páginas de um jornal) é repugnante.

11.4.12

de seus labirintos digo.


A casa em labirinto. Vive ela, Ana, mostra e interroga. Digo eu. Fazem-se labirintos dos pertences dos vivos, sem outro mapa que não as vozes andando pela casa. Vivem os labirintos em meio às praças, às claras plantados, por nossas muitas graças. E, claro, seus contrários. Tornam-se as casas em labirintos nos desencontros dos passos, nos vestígios de corpos pousados em algumas das palavras. Nascem segredos nas habitações das aves, nos voos rasantes aos troncos das mágoas. À vista do feito, vertem lágrimas os que nunca se perderam num bosque de águas, nunca entraram em terra alheia, nem de súbita iluminação padeceram, no centro íntimo de um labirinto morando perto. Ou dentro, que seja.












(Fotos: Porfírio Silva)

O primeiro-ministro que temos tem um temor.

09:51

Passos Coelho: Repor subsídios em 2014 poderia dar "imagem precipitada" de Portugal.

O primeiro-ministro que temos tem um temor. Teme que os outros pensem mal de nós. Temos que lá fora pensem que o Estado português paga aos seus funcionários o que se comprometeu a pagar-lhes. O primeiro-ministro que temos teme que lá fora não nos saibam pobres. O primeiro-ministro que temos pensa que lá fora esperam ansiosamente o dia em que seremos como aqueles países em que os funcionários públicos têm de trabalhar o dia todo "por fora" para ganharem a vida, porque a sua paga como servidores do público não dá sequer para o ar que respiram. O primeiro-ministro que temos teme que lá fora pensem que em Portugal andamos todos a comer caviar e vodka com o dinheiro que o banco central europeu empresta aos bancos mas não empresta aos povos. A única coisa que o primeiro-ministro que temos não teme é que o empobrecimento generalizado seja mau para as pessoas e para a economia. Pela razão simples de que no fim, qualquer que seja o fim, ele terá feito o seu trabalho, o trabalho de dar mais negócios aos negócios, que é para isso que cá andam os "liberais" daquela estirpe.

10.4.12

crónicas desenhadas.



Acabei de ler, aos poucos que a vida não está para bonecos, Chroniques de Jérusalem, de Guy Delisle (Edições Delcourt, colecção Shampoing, Novembro 2011). No Festival de Angoulême 2012 ganhou o prémio para o melhor álbum, a juntar à aclamação e outras distinções que Delisle tem vindo a acumular.


Guy Delisle tem uma linha de trabalho que passa por observar e reportar o que se vive em sítios distantes: distantes pela geografia, pela diferença ou pelos obstáculos culturais e políticos que se interpõem entre os mais entre nós e esses locais. Uma parte importante da compreensão da sua obra é sempre o entender como é que se passou a sua aproximação a esses espaços.



Nunca li com suficiente atenção nenhuma das suas obras anteriores, pelo que não as vou comentar. Contudo, li e vi este trabalho com suficiente atenção para o recomendar. Escrever sobre Israel e a Palestina, a partir de uma vivência de um ano no local, foi certamente desafiante.


Delisle toma partido, mas nunca toma partido contra a nossa inteligência: não trata de nos impor coisas, embora manifestamente tenha um critério na escolha dos pontos de observação. Genericamente, é mais fácil estar do lado dos mais oprimidos, mas isso nunca é feito como se o mundo fosse a preto e branco.


É importante notar que Delisle não é um turista, embora não se passe a ser um indígena por viver um ano num sítio. De qualquer modo impõe-se o facto de ele procurar, insistindo no que não é facilitado, no que teima em se esconder: o que, aliás, é um aspecto central do retrato de situação que fica traçado.



A história, claro, não se dá a ver aos olhos meramente presentes. É preciso alargar tempo e espaço, coisa que Delisle faz bem, didacticamente mesmo, apesar do risco de que essa operação pudesse redundar num empecilho ao trabalho artístico. Esse perigo não se concretiza, ajudado Delisle pela aparente ingenuidade do seu desenho, que nos faz transitar calmamente entre o quotidiano mais corriqueiro e a lição, sem solução de continuidade e, mesmo assim, sem sobressalto.


A montra de excessos está lá e Delisle não lhe foge. Mas não mete tudo no mesmo saco: toma o seu tempo. São muitas páginas de crónicas curtas, variadas, misturando os altos e baixos de uma vida de expatriado, os imprevistos de homem doméstico com filhos, a turbulência política e social, a convivência variada numa terra de variações muitas, o artista incompreendido porque a BD ainda não chegou a todo o lado, o quotidiano que existe do lado de quem vive na mó de baixo, as excursões ideais aos tempos bíblicos, o rendilhado de grupos religiosos. Tanta coisa - e um álbum com muito espaço para tudo.


E soluções gráficas muito engenhosas para explicar a complexidade do lugar.



Quadrinhos como fotografias turísticas, às vezes - mas, a maior parte das vezes, o autor e desenhador é mais participante do que turista. E isso a dar uma dimensão "os cinco de Enid Blyton para adultos".


Um álbum comovente.


Com o qual se aprende, também.

Por enquanto, acho que só existe em francês. Os outros, algum tempo terão de esperar. Talvez não muito.


Guy Delisle tem um sítio na web com muita informação interessante.
Dentro desse sítio tem um sector dedicado às suas Crónicas de Jerusalém.
E dentro desse sector tem um magnífico recanto onde fornece informação complementar sobre alguns dos aspectos desta obra, incluindo fotografias e vídeos dos motivos originais de algumas cenas.
E ainda existe o blogue que Guy Delisle manteve durante o ano que por lá passou.