04/05/12

uma nova teoria sobre os sectores económicos.


O historiador José Pacheco Pereira espera pela clarificação da nova Lei das Fundações para decidir o destino a dar à sua biblioteca/arquivo, que “atingiu tal dimensão que não pode continuar a ser privada”.

Portanto, uma coisa privada, quando cresce, quando cresce muito, muito mesmo... torna-se pública! Poderá crescer também para o sector cooperativo?

Isto, claro, para o caso de o historiador estar mesmo certo, mesmo certo, de que ser privado e ser fundação é incompatível...

(Isto é reinar com o JPP: acho que a preocupação dele até faz sentido. Mas há certa coisas que podiam ser poupadas à respectiva inclusão no palavreado mediático, sobretudo a desoras, sob pena de começarmos de repente a pensar no senhor Berardo a propósito do historiador, coisa que não sei a qual deles desagradaria mais.)

4 comentários:

Anónimo disse...

"Portanto, uma coisa privada, quando cresce, quando cresce muito, muito mesmo... torna-se pública!"

Este enunciado assim como o recortei parece-me uma evidência.

João.

Porfirio Silva disse...

João, é capaz de ser uma evidência - mas eu gostava, sinceramente, de ter aqui uma formulação mais explícita dessa evidência... para eu a ver. Estamos a ser descritivos? ou normativos?

Anónimo disse...

Ok, "fair enough".

Considero que um projecto de origem privada a partir de determinada dimensão passa a ser um agente público, quer dizer, uma agente capaz de influenciar a vida da comunidade. O caso do Pingo Doce é um exemplo disso. Casos que não são exemplos disso são por exemplo os do pequeno comércio quando apreciado caso a caso, mas já quando apreciado no seu todo passa a ser também um actor público, quer dizer, um restaurante, uma merceearia e uma boutique não têm relevância pública mas centenas ou milhares delas já têm - é por isso que, por exemplo, surgem associações para os representarem, para lhes conferir a dimensão que não têm individualmente mas que a têm em conjunto.

No caso específico do Pacheco Pereira o que pode estar em causa é a apreciação por parte da secretaria de estado da cultura ou qualquer outra entidade sobre a relevância pública que pode ter um determinado acervo de documentos.

Nestes casos, a meu ver, existe a diferença entre alguém que tenha um documento apenas mas que de relevância nacional e, o que poderá ser a situação de Pacheco Pereira, o caso onde nenhum documento isoladamente consegue justificar um interesse público evidente mas que todos no seu conjunto já o possam justificar - ou seja, e por exemplo, eu posso ter em minha posse um panfleto do PCP dos tempos da clandestinidade que, sendo só um, em princípio não justifica um interesse muito alargado; no entanto, se tiver uma grande colecção de panfletos do PCP clandestino que pontuem vários anos ou até décadas da sua acção durante o fascismo, esse conjunto já pode tornar-se um documento histórico.

João.

Porfirio Silva disse...

Alguma coisa tornar-se relevante para o bem comum não torna essa coisa pública, no sentido da propriedade (que é, basicamente, o que está em causa na notícia).
Eu acho que há entidades privadas que fazem muito pelo bem público, enquanto algumas entidades públicas fazem pouco por isso. Mas a distinção continua a ser operacional e a ser importante para manter as nossas mãos limpas e alguma ordem na casa.