22/05/12

cuidado com as liberdades.


O blogue dos Precários Inflexíveis publica um post a dar voz a denúncias sobre uma empresa que, alegadamente, encontrara formas um tanto estranhas de explorar a força de trabalho dos que andam a precisar de sobreviver de algum modo. Esse post de denúncia recebeu muitos comentários, que em geral não tendiam a tecer loas às práticas da tal empresa. A dita empresa não gostou do efeito dessas denúncias na sua imagem corporativa e pediu a um tribunal que calasse tais denúncias.
O tribunal, considerando o direito à expressão, achou excessivo o pedido da empresa para que se mandassem apagar os tais comentários. Como tal (????) o tribunal mandou suspender esses comentários!!! Quer dizer, os comentários não são apagados para ter em conta o direito à liberdade de expressão, mas são suspensos... Quer dizer: os autores do blogue podem ler esses comentários, mas não podem deixar mais ninguém lê-los - e isso é que é proteger a liberdade de expressão?!
Dado o estatuto dos comentários a um post num blogue, isto quer dizer que se uma empresa me aldrabar eu não posso denunciar isso num grupo de amigos, porque um tribunal qualquer pode decretar que isso prejudica a empresa que eu estou a denunciar?
Está tudo doido ou sou eu que sou demasiado intolerante com empresas que aproveitam demasiado bem o estado de necessidade das pessoas?
Há que seguir as notícias sobre este assunto: Tribunal determina suspensão de comentários no blogue dos Precários Inflexíveis.

4 comentários:

Graza disse...

Um cumprimento especial por ter sido um dos blogues que atribuiu importância ao processo dos Precários Inflexíveis. Fiz um resumo de alguns que encontrei por achar que a união faz a força:
http://rendarroios.blogspot.pt/2012/05/toque-rebate-na-blogosfera.html
Saudações.

Porfirio Silva disse...

Obrigado. Sim, já tinha visto o levantamento que fez.
Nem sempre concordo com as opiniões dos Precários Inflexíveis, mas isso não me dispensa de os apoiar quando são agredidos na sua liberdade.
Saudações.

Graza disse...

Claro que sim, mas não é a concordância ou não com o que fazem ou pensam os administradores dos Precários que está em questão, nem é apenas a “sua” liberdade de expressão que está em causa, porque não há proprietários da Liberdade: é também a nossa. Esta é uma questão transversal.
Saudações.

Porfirio Silva disse...

Certo, Graza, certo.