16.9.15

combater a precariedade ou combater o PS?

23:38


Jerónimo de Sousa tem feitos ataques muito agressivos ao PS. Hoje, no debate com António Costa, meteu a viola no saco. É pena, porque dá ideia que sabe quão injustas são as suas acusações. Também figuras do BE têm feito acusações pouco esclarecidas. Não podemos brincar com coisas sérias, porque o que está em causa é a governação do país e a vida concreta dos portugueses.

Um dos pontos onde a desinformação tem sido muita é a precariedade. A benefício de alguma esquerda que parece não saber ler, lembro aqui a grande prioridade que o PS dá ao combate à precariedade laboral.

Limito-me a transcrever alguns pontos do programa eleitoral do PS mais relevantes para esta questão.

Combater a precariedade: evitar o uso excessivo dos contratos a prazo, os falsos recibos verdes e outras formas atípicas de trabalho, reforçando a regulação e alterando as regras do seu regime de Segurança Social

A precariedade cresceu de forma significa nos últimos anos e, em particular entre os mais jovens. Por um lado, a generalização de relações laborais precárias fragiliza o próprio mercado de trabalho e a economia. A competitividade das empresas num espaço europeu desenvolvido deve fazer-se através da valorização do seu capital humano e das suas elevadas qualificações, o que implica adequadas relações laborais que preservem apostas duradouras e de longo prazo, aptas a aproveitar esses ativos. Além disso, por outro lado, relações laborais excessivamente precárias que ultrapassem os limites do razoável põem em causa a existência de perspetivas de desenvolvimento social e vida das pessoas, pondo em causa a dignidade do trabalho que importa preservar.
Com o objetivo de combater a precariedade e reforçar a dignificação do trabalho, o PS defende:
  • Para diminuir o número excessivo de contratos a prazo, melhorar a proteção dos trabalhadores e aumentar a taxa de conversão de contratos a prazo em permanentes, será proposta a limitação do regime de contrato com termo, que deve deixar de ser a regra quase universal de contratação, limitando-se fortemente a sua utilização;
  • Agravar a contribuição para a Segurança Social das empresas que revelem excesso de rotatividade dos seus quadros em consequência da excessiva precarização das relações laborais;
  • Facilitar a demonstração da existência de contratos de trabalho em situações de prestação de serviços, para dissuadir o recurso ao expediente do falso trabalho independente por parte dos empregadores. Deve passar a considerar-se a existência efetiva de um contrato de trabalho, e não apenas a presumi-la, quando se verifiquem as características legalmente previstas nesta matéria. Além disso, deve ponderar-se a criação de um mecanismo rápido, seguro e efetivo de reconhecimento de situações de efetivo contrato de trabalho nestas situações dispensando-se assim o trabalhador de recurso a tribunal para fazer prova dos factos apurados, sem prejuízo de recurso arbitral ou judicial por parte do empregador;
  • Melhorar a capacidade inspetiva e de atuação em matéria laboral, por forma que se aumente a capacidade de regulação do mercado de trabalho por via do aumento da dissuasão dos incumprimentos das regras laborais e, também, de verificação da conformidade com estas;
  • Reavaliar o regime de entidades contratantes, tendo em vista o reforço da justiça na repartição do esforço contributivo entre empregadores e trabalhadores independentes com forte ou total dependência de rendimentos de uma única entidade contratante, integrado no esforço de combate aos falsos recibos verdes;
  • Rever as regras para determinação do montante de contribuições a pagar pelos trabalhadores que passam recibos verdes, por forma que estas contribuições passem a incidir sobre o rendimento efetivamente auferido, tendo como referencial os meses mais recentes de remuneração;
  • Avaliar o regime de proteção no desemprego para trabalhadores independentes, detetando eventuais ineficiências na sua operacionalização à luz das necessidades de proteção e dos objetivos traçados para este novo regime de proteção;
  • Proceder a uma avaliação dos riscos cobertos por este regime, tendo em vista um maior equilíbrio entre deveres e direitos contributivos dos trabalhadores independentes e uma proteção social efetiva que melhore a percepção de benefícios, contribuindo para uma maior vinculação destes trabalhadores ao sistema previdencial de Segurança Social.


Limitar o uso pelo Estado de trabalho precário
Estabelecer uma política clara de eliminação progressiva do recurso a trabalho precário e programas de tipo ocupacional no setor público como forma de colmatar necessidades de longa duração para o funcionamento dos diferentes serviços públicos.


É isto uma promessa de céu na terra? Não, não é. Julgo, contudo, que quem tenha uma ideia precisa da realidade da precariedade laboral em Portugal entenderá a importância e o alcance dos compromissos do PS.




15.9.15

Um pragmático de esquerda.

11:00

No dia 11 de Setembro p.p. publiquei no Diário de Notícias um comentário ao frente-a-frente onde António Costa teve oportunidade de lembrar algumas coisas a um muito esquecido Passos Coelho. O texto pode ser lido em linha neste endereço. Deixo, abaixo, uma reprodução.


14.9.15

continuar a confundir o Estado e o partido.

16:14


A carta na imagem convoca (foi hoje) uma iniciativa eleitoral da PàF, mas apresenta como artistas o Primeiro-Ministro e o Vice-Primeiro-Ministro. Parece que os candidatos são presidentes, respectivamente, do PSD e do CDS - e deviam ser apresentados assim, não como governantes, porque os governantes, enquanto governantes, não vão a acções de propaganda eleitoral.

Que propósito serve convidar as "forças vivas" para uma espécie de comício-bebício e "lembrar discretamente" que se trata de uma ocasião de "ver quem manda"?

A malta que ainda nos governa já acha tudo normal, essa é que é essa.


Juntar Gerações.

10:48


O governo da direita radical abusou do expediente “dividir para reinar”, colocando portugueses contra portugueses, como se os direitos de uns fossem o mal dos outros. Um aspecto particularmente perverso dessa cínica estratégia consistiu em explorar a guerra de gerações: sugerindo aos mais novos que o país gasta demasiado com os mais velhos, sugerindo aos mais velhos que os mais novos bem poderiam ir lá para fora procurar sustento. Como se o país não precisasse de todos.
É por isso que vários pontos do programa eleitoral do PS apostam em juntar gerações. Todos somos necessários, mais novos e mais velhos faremos um país melhor remando para o mesmo lado.

Um dos exemplos a mencionar é o programa “Contrato-Geração”, que visa combinar a promoção do emprego jovem com a promoção do envelhecimento ativo. Isso consegue-se apoiando reformas a tempo parcial e incentivando a contratação de jovens desempregados ou à procura do primeiro emprego. Os trabalhadores com mais anos de carreira poderão, se assim o quiserem, reduzir o seu tempo de trabalho, sem tomarem uma decisão mais drástica como a reforma antecipada (que seria penalizadora). Poderão, assim, optar por uma transição mais suave entre fases diferentes da sua vida. Essas reformas parciais abrem espaço, nas respetivas empresas, para a contratação de jovens. Além de ter um efeito positivo em trabalhadores de diferentes gerações, este programa será saudável também para as empresas, promovendo a renovação geracional sem rupturas e o enriquecimento mútuo das competências dos mais antigos com novas competências.

O outro exemplo que quero mencionar é o “Programa Semente”. Aqui também se combinam os contributos de gerações diferentes para introduzir inovação e modernizar a economia. Pretende-se estimular o empreendedorismo e apoiar empresas em fase de arranque, sabendo-se que precisamos de mobilizar mais jovens altamente qualificados para trazerem inovação para a actividade económica. Será útil, por exemplo, que das instituições de ensino superior e de investigação nasçam mais iniciativas empresariais, mais modernas, mais intensivas em conhecimento. Ora, para que isso aconteça é preciso quem invista nessas iniciativas. Por que não atrair o investimento de pessoas de gerações mais velhas, e com algumas poupanças a precisarem de serem valorizadas, para apoiar essas iniciativas empresariais? O programa eleitoral do PS prevê incentivos para que isso aconteça: benefícios fiscais para aqueles que invistam poupanças nestas empresas.

É assim, com propostas concretas, relevantes tanto para responder aos desafios económicos como à necessidade de reforçar o laço social, que o programa eleitoral do PS nos coloca no caminho da Alternativa de Confiança.

2.9.15

as esquerdas.

18:09


A sério que isto não é comentário a nenhum acontecimento específico... mas lembrei-me de insistir hoje em algo que disse há umas semanas em entrevista ao Diário de Notícias:

O que digo é que temos de nos concentrar no que verdadeiramente importa ao país. Uma questão essencial: o Estado social. Os outros partidos de esquerda dizem que se batem pelo Estado social - e ao mesmo tempo atacam o PS. Há qualquer coisa de bizarro nisto. Quem foi o principal obreiro do Serviço Nacional de Saúde? Quem foi o principal obreiro da escola pública para todos? Quem foi o principal obreiro da Segurança Social pública? Quem criou o rendimento mínimo garantido? Quem generalizou a educação pré-escolar? Quem criou uma política de ciência progressista em Portugal? É um bocadinho difícil de compreender que partidos que dizem defender o Estado social ao mesmo tempo ataquem mais o principal obreiro do Estado social do que os partidos da direita.

Continuo a pensar que esta questão é relevante. E hoje lembrei-me disto...