3.5.11
esta é uma mensagem para o réptil
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Réptil,
Não te maces mais: já se sabe que continuas por aí, que fazes tudo para seres notado (já que a colunazinha de jornal não te mudou tanto a vida como tu esperavas). Cada vez mais mostras que não sabes ler (e/ou és de uma desonestidade que até a ti confunde), mas não penses que vou cair de novo na armadilha de te responder: não troco decência por publicidade. Muito menos publicidade tua ou vinda de ti. Não te equivoques: o facto de eu te responder quando vens aqui comentar disfarçado (tu, afinal, sempre andaste disfarçado) não se explica por eu não te reconhecer: é o meu respeito genérico pelos anónimos decentes que aqui vêm, que não têm culpa de que tu te mistures. Continuo a achar que és um caso interessante - mas não como escrevinhador a soldo (mesmo que seja apenas a soldo dos teus sonhos de grandeza).
Réptil, nunca pensaste que deve haver qualquer coisa errada contigo para trabalhares tanto e nunca mudares de patamar, tendo de voltar sempre aos mesmos truques?
(Desculpem os leitores que não sabem quem é o réptil. Mas ele existe. É seboso, mas existe.)
2.5.11
os netos de Kadhafi
9. Polis
17:10
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Já tive oportunidade, ao de leve, de mostrar que me parece promessa de grossa tolice aquilo que "o Ocidente" está a fazer na Líbia.
Depois, surgem notícias destas:
Não obstante, por muito humanitárias que pareçam, certas condenações de actos militares são ingénuas: nenhum criminoso seria alguma vez apanhado, ferido, morto, bombardeado ou sequer beliscado, se lhe bastasse rodear-se dos netos para ser deixado em paz. Estranho que ninguém condene Kadhafi por se rodear de crianças durante uma guerra, como se ninguém percebesse que isso significa que ele usa as crianças como escudo. Os sentimentos puros são muitas vezes fáceis de sequestrar pelos mais habilidosos.
Contudo, é outro o meu ponto agora. Trago à vossa consideração um comentário de Henrique Monteiro no Facebook: "Um dia, um daqueles que se opôs indignadamente à invasão do Iraque por ser imoral e agora apoia esta intervenção, há de explicar-me a diferença moral entre as duas. Não vale falar do mandato da ONU, que eu pedi a diferença moral, não a política..."
Soa bem, não soa?
A mim não. A mim não me soa bem. Por quê?
A diferença moral introduz uma diferença política - desde que os membros da comunidade não sejam moralmente incapazes. Mas também a diferença política introduz uma diferença moral: a moral não vem do céu, nem vem apenas "do coração" do homem, não é apenas subjectiva, também deve contar com a dimensão do que a comunidade entende ser adequado e proporcionado. A meu ver, isso quer dizer que está muito errado não contar a legitimidade política no plano da moral (embora sem confundir legitimidade com legalidade). Assim sendo, aquele comentário de Henrique Monteiro parece-me moralmente duvidoso: mais uma versão (embora talvez original) da ideia de separar a moral da política.
Posso estar errado - mas onde?
o que há para rir na morte de Bin Laden
9. Polis
10:39
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Obama anuncia morte de Bin Laden.
Há várias maneiras de o mundo estar louco.
Matar inocentes como acto político de luta entre civilizações, é uma das formas dessa doença.
Que a "justiça internacional" seja obra de comandos armados, é um correlato da mesma loucura.
Celebrar na rua uma morte violenta é a cereja em cima do mesmo bolo.
O riso dos festejantes é sintoma de um mundo ensandecido.
a beatificação e os beatos de trazer por casa
9. Polis
10:19
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A propósito da beatificação de João Paulo II publiquei aqui no sábado passado o apontamento uma beatificação política.
As reacções de alguns blogueiros a esse apontamento confirmam o meu ponto. Por exemplo, este enquadramento político-partidário do meu texto, embora talvez inadvertidamente (não acredito que o autor tenha querido dar-se como exemplar do carácter político que eu, precisamente apontava), é uma ilustração corriqueira do que eu estava a querer dizer.
Note-se que até procurei escrever um texto sereno acerca da questão. Querendo ser provocatório teria optado, por exemplo, por destacar a fotografia de João Paulo II ao lado do sanguinário ditador Pinochet (1987).
Mas há sempre uns beatos de trazer por casa que só sabem debater ideias com fósforos por perto. Esse é, precisamente, o lado terrível da religião: os "crentes" que continuam a ser adeptos da idolatria.
As reacções de alguns blogueiros a esse apontamento confirmam o meu ponto. Por exemplo, este enquadramento político-partidário do meu texto, embora talvez inadvertidamente (não acredito que o autor tenha querido dar-se como exemplar do carácter político que eu, precisamente apontava), é uma ilustração corriqueira do que eu estava a querer dizer.
Note-se que até procurei escrever um texto sereno acerca da questão. Querendo ser provocatório teria optado, por exemplo, por destacar a fotografia de João Paulo II ao lado do sanguinário ditador Pinochet (1987).
Mas há sempre uns beatos de trazer por casa que só sabem debater ideias com fósforos por perto. Esse é, precisamente, o lado terrível da religião: os "crentes" que continuam a ser adeptos da idolatria.





