21/04/11

são guerras, senhor, são guerras


Nações Unidas preocupadas com envio de militares europeus para a Líbia.
«A chefe da agência de ajuda humanitárias das Nações Unidas expressou-se muito preocupada com a possibilidade de uma presença militar europeia junto do movimento rebelde a Muammar Khadafi, na Líbia Oriental, alertando para os perigos de misturar operações militares com o trabalho de assistência humanitária.»

A questão, a meu ver, não é apenas a atrapalhação que causam uns aos outros no terreno. Problema maior é que o "Ocidente" se meta nos vespeiros que bem lhe apeteçam, ao sabor das circunstâncias e dos efeitos políticos imediatos e eleitoralmente pagantes. Duas teorias opostas concorrem pela compreensão do mundo: "que se matem à vontade, nada temos a ver com isso"; e "cabe às 'democracias' vigiar a ordem e os bons costumes em todo o globo". O equilíbrio entre essas duas teorias (quer dizer, longe de qualquer uma delas), tem sido difícil de encontrar. Não me parece que seja ainda no caso da Líbia que o "Ocidente" se evite a si próprio mais uma tolice.


2 comentários:

Vega9000 disse...

Concordo em parte. Por muito disparatada que possa ter sido a intervenção da NATO na Líbia, a outra opção, em que Khadafi esmagaria a oposição, era ainda menos aceitável. Não é uma decisão fácil, e muito menos óbvia. Imagine-se que tinham optado pela não-ingerência. Estaríamos agora perante outro dilema: isolamos o ditador com sanções, e o sofrimento que isso impõe ao povo - a juntar à perturbação ainda maior no preço do petróleo - ou lidamos com alguém que chacinou uns milhares de pessoas?
Dá-me ideia que entre a opção má e a péssima, escolhemos a primeira.

(menos discutida, e para mim mais grave, foi a maneira como os americanos avançaram para a guerra, sem uma declaração e sem autorização do congresso. Isso sim, é bastante mais perigoso.)

Porfirio Silva disse...

Sinto-me confirmado na ideia de que é matéria onde as fronteiras são difíceis de traçar.