24.1.14

Quererá Miguel Seabra ser o Lysenko português ?


Miguel Seabra: avaliadores não souberam das alterações para evitar mais atrasos nas bolsas da FCT.

Será que o desejo secreto de Miguel Seabra é ser o Lysenko português ?

É que os pontapés na legalidade que ele parece praticar sem remorsos nem vergonha não podem ser apenas irracionalidade. Têm ar de traduzir um desígnio qualquer. Sendo um cientista ao serviço de uma visão estreito-ideológica, esse desígnio pode bem ser do tipo "político-científico". Dai lembrar-me Trofim Lysenko.

(Lysenko Seabra)

o método Crato para elevar a qualidade da ciência.


Aviso: esta posta é humorística. Do princípio ao fim.

Crato diz na AR que a aposta do Governo é na ciência de “grande qualidade”.

Para elevar a qualidade da ciência, Crato recomenda que se exterminem os cientistas. Os investigadores, desde que não sejam "úteis às empresas", são apenas impurezas nos laboratórios. (Quanto aos concursos e suas irregularidades, senhores deputados, perguntem ao sargento de turno.)





o trabalho não é uma mercadoria.

11:08



(Fotografado por Porfírio Silva numa rua de Lisboa.)

23.1.14

O chupismo e o futuro das Inutilidades.

16:20


Sem aparecerem muito nos jornais, mesmo nos blogues aparecendo pouco, mais acobertados nas caixas de comentários daqui e dali, e no Facebook, andam por aí os adeptos da teoria de que, no fundo, os bolseiros de investigação científica (essa maltosa que recebe dinheiro público para investigar) são um grupelho de chupistas. Quer dizer, tipos e tipas que são pagos por todos nós para fazerem coisas que, as mais das vezes, não interessam nada ao país. Há muitas modalidades dessa conversa dispersa. E é para essa gente que falam os Rui Ramos deste país.

Há os que dizem "ah, bolsas, querem viver de bolsas", esquecendo que "bolsas" são, muitas vezes, a forma de ter quem trabalhe sem lhes dar direitos, nem carreira, nem protecção social inerente ao trabalho, nem sequer subsídio de desemprego quando ficarem pendurados. Claro que, fazendo uso do anti-intelectualismo larvar da nossa "opinião", muitas vezes toma-se como premissa implícita a "ideia" de que nada se deve a quem investiu a escolaridade obrigatória, o secundário, uma licenciatura, um mestrado, um doutoramento e, depois, é tratado como se tudo isso não devesse fazer diferença nenhuma. Afinal, quem passou todo esse tempo a estudar e a investigar deve ser um pequeno monstro. Aliás, fazer um mestrado ou um doutoramento é coisa de crianças: isso não custa nada, é quase uma brincadeira, um desporto caro (isso parecem pensar mesmo alguns que se propuseram à coisa mas nunca pariram o resultado, talvez por ser demasiado fácil para a sua imensa bravura).

Há os que dizem “se essa investigação vale a pena, que não corra por conta do Estado, mas por conta das empresas, para que só se gaste dinheiro no que seja realmente um investimento e não despesismo”. Curiosamente, esquecem-se de criticar as empresas por investirem pouco em investigação: afinal, quem impede as empresas de investirem? Ou, afinal, trata-se apenas de canalizar tudo para as empresas e para o investimento no imediato? Claro, não se comovem nada com o facto de que, nos países com sistemas científicos mais desenvolvidos e com aparelhos produtivos mais poderosos, a estratégia não é perguntar todos os meses pela “mais-valia económica” da investigação, mas antes investir fortemente na investigação fundamental e deixar que, com o tempo, parte dos resultados tenham impacte económico. Há dias, na televisão, o Prof. António Coutinho lembrava que a Suíça, para alcançar o seu alto desempenho económico e científico, não financia as empresas para elas tratarem da ciência, antes financia fortemente a investigação fundamental nas instituições de investigação – sem merecer contestação do presidente da FCT, que estava sentado à sua frente. Em artigo recente no Público, o Prof. Carlos Fiolhais repisava «o que recordou há semanas no Porto, numa conferência sobre Ciência, Economia e Crise, o físico espanhol Pedro Echenique. Em 1995, quando se discutia nos Estados Unidos uma diminuição do financiamento público à investigação científica, os CEO de 15 das principais empresas de base científico-tecnológica, como a IBM e a General Electric, subscreveram uma carta aberta pedindo o reforço da ciência fundamental. Queriam que o Congresso continuasse o apoio "a um vibrante programa de investigação universitária com visão de futuro"». Por cá, entretanto, as velhas teorias de “virar a investigação para a valia económica” continuam alegremente a fazer de conta que esse imediatismo deu resultado em algum lado. E não deu. Mas isso não interessa nada a quem não percebe que isto não é uma questão de nível do défice público este ano, mas antes uma questão de projecto para o país, para o país que nos sobreviverá.

Entretanto, a sustentação deste “discurso sobre os chupistas” assenta muito numa ideia de destruição da cultura e num ódio populista às “elites”. O ódio às elites é de consumo fácil e amplamente praticado. Medra bem na cultura da inveja (“a mim também cortaram, eles não são mais do que eu, de que se queixam”) e reforça-se na vingança contra “os grandes”: esses senhores, lá por serem doutores, pensavam que escapavam? A ideia é que um doutorado é um privilegiado e, portanto, alvo automático da justa fúria popular. Quem tem essa bizarra mania de gostar de estudar e investigar só pode ser um pedante – pois que pague pelo seu pecado. E, claro, tudo fica muito mais negro quando se deixam as “áreas nobres” e se começa a falar nas Inutilidades (antigamente conhecidas por Humanidades). Que se gaste dinheiro em engenharias, em biologias, em ciências da saúde e outras de “interesse visível”, concordamos, visto o evidente ganho social expectável. Quando se passa para as ciências socias, já a conversa muda: o que interessa a antropologia? o que interessa estudar história, se isso não dá para fazer empresas rentáveis? Obviamente, quando chegamos à filosofia o escândalo é máximo: se já é corrente a ideia de que é uma inutilidade, a coisa pia ainda mais fino quando se trata de “investir” nesses domínios especulativos. No concurso de 2013 para Investigador FCT, João Gomes André contou as cabeças e afirmou: «Em Filosofia ganharam... dois estrangeiros. E ambos na área da Filosofia da Linguagem. Portugueses, népia. Restantes áreas da filosofia, népia.» Neste último concurso para bolsas, segundo André Barata (na sua página FB), "A nível nacional, foram aprovadas apenas 4 bolsas de doutoramento em filosofia." A ideia geral é esta: para muita opinião que por aí anda, que se gaste em Ciência com maiúscula ainda vá lá, mas muitas áreas de investigação são desperdício: a área das Inutilidades é a cultura e isso vende menos do que um estábulo de treinos reprodutivos em canal aberto na TV.

Este “pensamento” anda por aí. Como tal, é o caldo de cultura dos Rui Ramos que perderam a vergonha. E isso é grave. Não deixa, contudo, de ser mais preocupante que alguns investigadores cedam mentalmente a este enquadramento e comecem a “pensar” à moda corrente. Por exemplo: se calhar vai ser impugnado o concurso Investigador FCT de 2013. A impugnação será avaliada na justiça, provavelmente. Trata-se de conhecer a extensão das faltas contra os regulamentos que terão sido da responsabilidade da FCT. Entretanto, entre os que “ganharam” o seu contrato, espalha-se a ideia: que aborrecimento, a impugnação vai prejudicar-nos, podemos perder esta oportunidade, em vez de se conformarem… Isto é: os que (alguns dos que) ficaram de dentro sentem-se incómodos, não por terem ficado “de dentro” à custa de um concurso com contornos estranhos, mas por protestarem os que, eventualmente, foram prejudicados. Este governo, nisso, é excelente: tem jogado sistematicamente em que umas vítimas sejam os polícias das outras. E alguns alinham. E, não esqueçamos isso, muitos praticantes de “ciências sérias” também aprovam que se reduzam os financiamentos para as supracitadas “Inutilidades”: afinal, quando a manta é curta, mais vale que fiquem destapados os teus pés do que fiquem os meus ao frio.

Não vale a pena fugir ao assunto: na batalha da investigação, o governo tem do seu lado o sentimento populista contra as elites (ou “elites”, se preferirem) e joga essa cartada, porque é mais uma oportunidade de mobilizar “as massas” contra um “grupo restrito” que interessa domesticar. O interesse daquelas declarações de Rui Ramos, onde o homem nos faz passar por parvos (escondendo que em Portugal se seguiram as melhores práticas ao nível internacional na promoção do sistema científico), é mostrar isso mesmo: nada disto é falta de jeito, esta é mais uma política deliberada para torcer o braço a sectores importantes da cultura nacional.

Entretanto, há por aí quem se meta nesta guerra só porque "defender o governo é necessário". Isso não é novo e não acabará depois deste governo. Também há por aí quem diga "ah, eu também já passei muitas dificuldades, não estou impressionado com o vosso projecto de vida interrompido". A miséria humana não acabará nunca, claro. A miséria exterior. Mas também a miséria interior. Também isso esta crise ajudou a compreender. E, por vezes, isso é o mais difícil de engolir.



ciência aplicada: desenvolver estudos na área do engarrafamento.



Carlos Fiolhais no Público: Educação, ciência e economia: um ministro pouco sábio. Deixo alguns recortes:

Pires de Lima, no seu mundo Superbock, acha que a escola tem de formar muitos meninos e meninas para alimentar os quadros empresariais. Olha para uma criança do 1.º ciclo e vê nela um gestor em potência. Não lhe interessa se ela vai dominar o Português, a Matemática ou a Física, para as quais as actuais horas lectivas parecem não chegar: tem é de dominar o Empreendedorismo.

Percebemos agora a razão dos cortes na ciência, com a redução drástica do número de bolsas: os investigadores não estão virados para o mundo das empresas. Estão a estudar linguística, topologia ou óptica quântica, em vez de se virarem para o fomento da indústria cervejeira. O ministro Pires de Lima vê um doutorando e acha um desperdício ele não estar a desenvolver estudos na área do engarrafamento.

Em 1995, quando se discutia nos Estados Unidos uma diminuição do financiamento público à investigação científica, os CEO de 15 das principais empresas de base científico-tecnológica, como a IBM e a General Electric, subscreveram uma carta aberta pedindo o reforço da ciência fundamental. Queriam que o Congresso continuasse o apoio "a um vibrante programa de investigação universitária com visão de futuro".

Acontece que o futuro costuma chegar pela mão de cientistas inovadores, em geral muito longe da “economia real”. Não faltam exemplos. O laser foi inventado há mais de 50 anos, numa equipa de ciência fundamental (ora cá está: a óptica quântica!) que trabalhava nos Bell Labs. Na altura foi chamado uma invenção à procura de aplicações. Hoje é o que se sabe: está por todo o lado, nos cabos ópticos, nos CD, nas cirurgias, no corte de materiais, nas luzes das discotecas e até nas caixas de supermercados, por onde passam os códigos de barras das cervejas. Com a orientação de Pires de Lima jamais teria havido lasers.

Fiolhais diz que Crato sabe disto tudo e quer que Crato explique tudo a Pires de Lima. Não. Crato sabe bem para que serve o que se está a fazer sob a sua tutela. Ouçam-se os seus guarda-costas ideológicos.


22.1.14

começa a perceber-se melhor como funciona esta FCT.


Do comunicado da Coordenadora e membros do Júri do Painel de Sociologia da FCT destaco este ponto:

Vimos por este meio comunicar a V. Exa. o nosso profundo desagrado e indignação em relação a alguns aspectos relativos ao processo de avaliação e à respectiva publicação dos resultados das bolsas atribuídas em 2013, que nos dizem respeito como membros do Júri:
(...)

2 - A alteração do resultado da avaliação por nós efectuada e aprovada em Ata a 6 de Dezembro de 2013. A ordenação das candidaturas assinada no dia 6 de Dezembro de 2013 não corresponde à ordenação dos candidatos divulgada pela FCT. Na etapa Pós-avaliação (período compreendido entre o fim da reunião e a divulgação dos resultados aos candidatos), foram introduzidas alterações irregulares à ordenação discutida e consensualizada durante a reunião final do júri, a qual foi feita em presença de duas técnicas da FCT. Esta alteração tem consequências graves porque o Júri não pode ser responsabilizado por uma avaliação que não realizou, para além de eventuais prejuízos ou injustiças daí recorrentes. Por outro lado, o Coordenador não pôde assumir uma das suas responsabilidades, tal como indicado no Guião, “Colaborar com a FCT na resolução de possíveis problemas e/ou imprevistos que possam ocorrer antes, durante ou após a reunião de Painel de Avaliação.”, visto que não foi chamado a participar em eventuais dúvidas ou problemas e é alheio a posteriores decisões à reunião final do Júri.

O comunicado completo pode ser lido aqui (pdf).

não seremos cúmplices.


João Teixeira Lopes, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, publicou há pouco na sua página no Facebook uma transcrição de carta que enviou à Fundação para a Ciência e Tecnologia. Copio para aqui.

Ex.mo Senhor Presidente da FCT

As anomalias várias registadas no último concurso de atribuição de bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento configuram um atentado grave à transparência e mesmo ao princípio de reconhecimento do mérito em igualdade de circunstâncias.
Para além dos resultados desmentirem o que foi oficialmente transmitido aos avaliadores de ciências sociais, letras e humanidades, pela anterior responsável do departamento de avaliação da FCT, em reunião plenária no Hotel Altis (nomeadamente a de que a linha de aprovação seria, em todas as áreas, correspondente a 10% do total de candidaturas apresentadas), constatou-se uma disparidade por domínios que penaliza claramente as ciências sociais, incluindo a sociologia, em cujo painel de avaliação estava inserido.
Mais grave ainda, vários resultados foram alterados pela FCT (conforme se poderá verificar pelo contraponto entre a ata assinada por todos os membros do painel e os resultados oficiais), prejudicando gravemente inúmeros candidatos.
Entendo que a política científica tenha referenciais e orientações que se alteram com o quadro do poder. Mas não posso ser cúmplice de processos de atropelo à transparência, ainda que legitimados por um qualquer fanatismo ideológico que perpassa o discurso da FCT.

Assim, enquanto a atual direção da FCT se mantiver em funções, recuso-me a desempenhar o papel de avaliador, por aquela não me merecer as condições mínimas de confiança.

Com os melhores cumprimentos
--
João Teixeira Lopes
Professor Catedrático da FLUP

(fonte)

CARTA ABERTA SOBRE A CIÊNCIA.


Disponibilizo aqui a CARTA ABERTA SOBRE A CIÊNCIA divulgada ontem pela Comissão Executiva do Conselho dos Laboratórios Associados. 2. O Conselho dos Laboratórios Associados reúne 26 laboratórios de investigação científica classificados como excelentes em avaliações internacionais e aos quais foi atribuído o estatuto de laboratório associado pela sua função de referência no sistema científico nacional. Os Laboratórios Associados reúnem cerca de 4300 doutorados.

CARTA ABERTA SOBRE A CIÊNCIA

Os resultados do concurso nacional de bolsas de doutoramento e pós doutoramento lançado em 2013 pela FCT foram agora tornados públicos.

Por decisão da FCT e do governo, foram atribuídas apenas metade das bolsas de doutoramento habitualmente concedidas, e menos de um terço das bolsas de pós-doutoramento. Depois de há poucas semanas de terem sido excluídos mais de 1000 investigadores doutorados enviando-os para o desemprego ou para o exílio forçado, esta nova decisão apenas parece confirmar a vontade de reduzir a comunidade científica portuguesa.

Tais medidas não resultam de cortes no orçamento da FCT, que se mantém quase idêntico ao do ano anterior. A questão não está pois na falta de recursos financeiros mas sim numa absoluta falta de conhecimento das regras elementares do desenvolvimento científico.

Reduzir drasticamente, como se pretende, a formação avançada de recursos humanos em ciência, e mandar embora grande número de cientistas qualificados, tem como consequência imediata reduzir a capacidade científica do País e a sua cultura científica e conduz ainda, inevitavelmente, à quebra de capacidade tecnológica do tecido empresarial português, atrasando a sua renovação e penalizando a sua competitividade.

Dois argumentos foram finalmente apresentados em defesa destas medidas, tomadas à revelia das instituições científicas e académicas.

O primeiro argumento, ditatorial, afirma sem vergonha que, tendo o sistema científico crescido muito haveria que “podá-lo”, isto é, mandar para o desemprego e para o exílio, a maioria dos mais jovens e mais capazes, há poucos anos recrutados por concurso público internacional.

O segundo argumento, contudo, tenta convencer-nos que nada mudou. O desemprego e emigração forçada de cientistas agora impostos pela FCT seria apenas, como ouvimos estupefactos, “uma mudança de paradigma”. O que eram dantes bolsas e contratos pagos pela FCT seriam doravante bolsas e contratos pagos por projectos científicos dos laboratórios, a financiar pela FCT. A ser verdadeira essa intenção teriam sido, primeiro, financiados projectos com fundos suficientes para contratar investigadores e, seguidamente, se alteraria o financiamento de bolsas e contratos. Mas nada disso aconteceu. Aconteceu, sim, termos hoje grupos científicos decapitados e muitos mais investigadores à procura de emprego no estrangeiro.

O CLA não quer acreditar que estas medidas tenham sido aprovadas pelo primeiro-ministro, ou pelo governo no seu conjunto, nem que tenham a concordância do parlamento ou o apoio do Presidente da República.

Acreditamos sim que todos os quadrantes políticos, sem excepção, designadamente os partidos hoje responsáveis pelo governo, estão unidos na aposta no desenvolvimento científico do País.

Por isso apelamos hoje de forma veemente a todos os responsáveis para a urgentíssima e indispensável inversão das medidas tomadas.

Comissão Executiva do Conselho dos Laboratórios Associados (CLA)
21 de Janeiro de 2014



NOTA (incluída na carta). Para além do facto de, no caso das 298 bolsas de doutoramento agora atribuídas, se destinarem a programas de doutoramento (nacionais e internacionais) que se iniciaram em Setembro/Outubro de 2013 e que se arriscam a ficar sem alunos, o que de mais grave decorre da análise rigorosa dos números é o brutal desinvestimento na formação avançada de recursos humanos (doutoramento e pós-doutoramento), sector em que o país é ainda fortemente deficitário. Se às 298 bolsas de doutoramento atribuídas no concurso nacional (3433 candidatos) adicionarmos as 431 bolsas de doutoramento dos novos Programas de Doutoramento FCT, resulta o número de 729 a comparar por exemplo com 872 em 2002, 2031 em 2007, 1640 em 2010 ou 1378 em 2011. Quanto às bolsas de pós-doutoramento que no presente concurso se ficaram pelas cerca de 210 (2100 candidatos), só em 1999 tiveram valor igual, pois de então para cá foram sempre atribuídas em número superior, mesmo muito superior como em 2006 (737), 2007 (914), 2008 (634), 2009 (690), 2010 (718), 2011 (mais de 670). Também os 1200 contratos de investigadores recrutados por concurso público internacional há 5 anos, já terminados ou em vias de terminar, foram até agora substituídos por apenas cerca de 400 contratos novos.

Proposta de errata ao programa de ciência do XIX Governo Constitucional.



Gonçalo Calado, que se identifica como "eleitor e biólogo", tem um texto de opinião no Público que assenta numa leitura do programa do actual governo. Dada a monstruosa desconformidade entre o programa e a prática deste governo, também agora em matéria de investigação, Gonçalo Calado supõe a existência de "erros tipográficos" no texto com que este governo se fez mandatar e sugere as respectivas erratas. No conjunto, o exercício demonstra bem o que está Crato a fazer: à ciência e à democracia. Deixo longas citações do texto (com o meu antecipado pedido de desculpas ao Público, que cito frequentemente de forma breve, mas que hoje tenho de abusar um pouco).


Fui ver o programa deste Governo e detectei algumas imprecisões às quais modestamente proponho uma correcção, a bem da coerência que tal documento impõe:

1. Página 122, terceiro parágrafo, onde se lê “Graças às políticas de investimento de sucessivos governos, a ciência em Portugal representa uma das raras áreas de progresso sustentado no nosso país, tendo vindo a dar provas inequívocas de competitividade internacional” deverá ler-se “A ciência, à semelhança de outras áreas de progresso do nosso país é despesista e tem de ser recalibrada, apesar de ter vindo a dar provas inequívocas de competitividade internacional”.

2. Página 122, quarto parágrafo, onde se lê “O programa deste Governo inclui, portanto, o compromisso de manter e reforçar o rumo de sucesso da ciência em Portugal”, deverá ler-se “O programa deste Governo inclui, portanto, o compromisso de reajustar e podar o rumo de sucesso da ciência em Portugal”.

(...)

4. Página 123, segundo objectivo estratégico, onde se lê “Investir preferencialmente no capital humano e na qualidade dos indivíduos, particularmente os mais jovens, sem descurar as condições institucionais que lhe permitam a máxima rentabilidade do seu trabalho” deverá ler-se “cortar preferencialmente no capital humano e na qualidade dos indivíduos, particularmente os mais jovens, em linha com os ajustamentos noutros sectores da sociedade, de modo a que estes últimos não se sintam inferiorizados, rumo à equidade laboral”.

5. Página 123, quarto objectivo estratégico, onde se lê “Assegurar a permanência dos melhores investigadores actualmente em Portugal e atrair do estrangeiro os que queiram contribuir neste percurso de exigência qualitativa” deverá ler-se “Assegurar a saída da zona de conforto dos melhores investigadores actualmente em Portugal e atrair do estrangeiro os que queiram contribuir neste percurso de precariedade colectiva”.

(...)

(...)

8. Página 123, terceira medida, onde se lê “Abrir anualmente, em data regular, concursos para projectos de investigação em todas as áreas científicas, permitindo assim um adequado planeamento de actividades e financiamento estável aos mais competitivos” deverá ler-se “Evitar abrir anualmente, em data regular, concursos para projectos de investigação em todas as áreas científicas, impedindo assim um adequado planeamento de actividades e financiamento estável a todos”.

9. Página 124, última medida, onde se lê “Apoiar a formação pós-graduada de técnicos e investigadores” deverá ler-se “Recalibrar a formação pós-graduada de técnicos e investigadores, em linha com os ajustamentos de outros sectores da sociedade”.


Por vezes, basta deixar falar este Governo para perceber o que é este Governo. Aconselho a leitura integral de Proposta de errata ao programa de ciência do XIX Governo Constitucional.

21.1.14

Programa Doutoral FCT "Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade".


As candidaturas ao Programa Doutoral FCT "Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade" estarão abertas a partir do dia 15 de Fevereiro de 2014 e o concurso para as 2 bolsas nacionais e 3 bolsas mistas, a atribuir no âmbito deste Programa, estará aberto de 15 de Fevereiro a 15 de Abril de 2014.

Aviso de abertura - Atribuição de bolsas de doutoramento: aqui (em pdf).