2.11.13

o consenso nacional não pode assentar na mentira.


"O país precisa de um grande consenso nacional, mas o consenso nacional não pode assentar na mentira." (António Costa)



Roubado ao Valupi.

1.11.13

e a Alemanha aqui tão perto.

19:18

Uma certa esquerda, por estes dias, detesta a Alemanha. Nem é preciso chegar ao ridículo (perigoso) de comparar Merkel com Hitler, como já fizeram alguns menos cientes do que foi o nazismo e mais irresponsáveis quanto à caricatura das divergências. Para detestar a Alemanha, hoje, basta confundir os erros políticos da actual governação alemã (que os há) com a Alemanha propriamente dita.

Uma certa direita, por estes dias, endeusa a Alemanha - como se "o Norte" fosse um poço de virtudes e a luz do mundo, quando, em larga medida, apenas tira proveito de regras que servem quem é grande e tramam quem é pequeno e fácil de abanar. A Alemanha e a França foram dos primeiros Estados-Membros a violar o Pacto de Estabilidade e Crescimento e usaram o seu peso para obrigar os demais a fazer de conta que "no pasa nada". Coisa que outros não poderiam sequer tentar.

Pelo meu lado, julgo que seria preferível tentar perceber algumas das coisas que fazem grande a Alemanha.
Para o lado da direita sugiro, por exemplo, que ponham bem os olhos no rigoroso respeito que na Alemanha se tem pelas instituições, a começar pela Constituição e pelo Tribunal que lhe dá as leituras operantes.
Para o lado da esquerda sugiro, por exemplo, que se procure aprender com a função da concertação social séria e permanente e com o papel activo dos parceiros sociais, a todos os níveis. A começar pelo nível da empresa. E devemos perguntar, por exemplo ao PS, porque não arrisca um pouco mais para propor mecanismos mais efectivos para envolver os trabalhadores na vida das unidades económicas onde laboram. Será medo da co-gestão? Acharão a coisa demasiado à esquerda? A vantagem é que nem seria preciso fazer excursões à Alemanha para saber como funciona: poderiam, simplesmente, fazer uma visita de estudo, por exemplo, à Autoeuropa e já teriam um bom começo para reflexão.

Ou será que vamos sair "disto" só repetindo as mesmas palavras de ordem de sempre?!

30.10.13

o carrilhismo.

19:49

É justa a indignação que por aí vai com o recente comportamento de Manuel Maria Carrilho em questões familiares. A violência doméstica, do homem contra a mulher, da mulher contra o homem, da mulher contra a mulher, do homem contra o homem, dos filhos contra os pais, dos pais contra os filhos, em qualquer formato ou modalidade, por palavras ou actos, é uma infâmia. É levar a exploração violenta para o âmago do sítio onde nos queremos mais abrigados. É o cúmulo da incivilidade, é a selva em acto. Sobre isso, que a justiça consiga fazer o seu trabalho exemplarmente é o que desejo, sem antecipar por minha recriação qualquer condenação que não me compete antes de apurados os factos e as responsabilidades. Sim, porque deverá estar em causa muito mais do que as palavras inaceitáveis de um tipo que tem no CV "professor universitário" e "ministro".
Mas vale a pena pensar no atraso com que chega este escândalo à comoção da opinião pública. A verdade é que Carrilho anda há muito tempo a espalhar veneno e lixo neste país, tratando a honra dos outros como mero combustível dos seus interesses de imagem e de condição. Muitos foram os que toleraram esse comportamento e acolheram ao palácio da publicidade as manobras de Carrilho. Quando deu jeito, os contorcionismos de Carrilho foram admitidos como coisa normal. Por quê? Porque, em geral, os alvos das suas picadas eram políticos. E, claro, cuspir em políticos é, para muitos, aceitável. Agora, depois de terem alimentado o ego da víbora, estremeceis? Que lata, meus senhores.
Carrilho já era um cretino quando só conspurcava os políticos. Mas nessa altura o povão achava graça. Agora perceberam o que a casa gasta. Já não era sem tempo. A ver se, de futuro, topam a maior distância a pinta das aves de rapina da decência pública. É que isto não é coisa de revistas cor-de-rosa, nem assunto de saias: é uma questão de higiene pública.